servos de maria


oração de santa teresa
Setembro 24, 2009, 1:25 pm
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Nada te perturbe
Nada te espante
Tudo passa,
Só Deus não muda.
A paciência
Tudo alcança
Quem tem a Deus,
Nada lhe falta.
Só Deus basta.

santa teresa de avila



devoção a são miguel arcanjo
Setembro 23, 2009, 11:56 pm
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Prática em dia do Arcanjo S. Miguel
Padre Manuel Bernardes




Angeli eorum in Caelis semper vidents faciem Patris mei (Matth. 18)


I


Se aos Anjos festejam neste dia os homens, não sei eu melhor modo de os festejar do que aspirando os homens a ser Anjos. Não pareça temerária a pretensão; por quanto o que não pode a natureza, pode a graça. E para que os fundamentos desta verdade se entendam, ouçam a seguinte história, que se bem no modo de referir-se parecerá nova, na substância é a mais antiga que há no mundo.



No princípio criou Deus o Céu, e a terra: fez a luz dividindo-a das trevas: criou aos Anjos, e formou aos brutos animais. Chegou o sexto dia, e disse em sua mente: Agora hei de fazer uma criatura, que seja um resumo das mais, e um mundo abreviado: Formavit igitur Dominus Deus hominem de limo terrae, et in spiravit in faciem spiraculum vitae (Gen. 2, 7). Esta criatura pois foi o homem, composto de corpo e alma, corpo que lhe formou do limo, alma que saiu da boca de Deus. E ficou o homem quanto ao corpo sendo terra, e quanto à alma Céu: por aquela parte sendo trevas, e por estoutra luz: pela primeira semelhante a bruto, e pela segunda semelhante a Anjo. E havendo Deus de sinalar-lhe habitação, quis que fosse aquele lugar onde o Céu e a luz confinam com a terra, e trevas que é a superfície da terra; e dando-lhe estatura reta, disse: Com a parte ínfima de teu corpo, que são os pés, pisarás a terra; e com a parte suprema, que é a cabeça, olharás para o Céu, e buscarás com o discurso: se obrares racionavelmente como Anjo, tua alma levantará consigo o corpo ao Céu: se obrares irracionavelmente como bruto, o teu corpo abaterá consigo a alma ao inferno.



Invejoso o diabo desta meia semelhança que o homem tinha com os Anjos, disse: Estas duas partes de que o homem consta, estão entre si unidas. Pois eu farei com que a terra puxe pelo corpo, e o corpo pela alma, e ficará o homem todo bruto. Assim o fez. Tomou por atrativo um pomo, fruto enfim da terra, e pegado a ela por meio das raízes da sua árvore; e com este lhe prendeu os sentidos, com os sentidos veio a alma; consentiu esta, pecou o homem, e ficou semelhante aos brutos: Comparatus est jumentis insipientibus, et similis factus est illis (Ps. 48, 13). Acode Deus, como autor, pela sua obra; e diz: Meu inimigo quis fazer o homem todo bruto; pois agora o farei eu todo Anjo. Pelos merecimentos de outro Adão, que é meu Filho feito homem, derramarei em todos tanta graça, que se quiseram aproveitar-se dela, o corpo fique rendido à alma, e seguindo a sua condição; e possam os homens viver como Anjos em carne. Executando este conselho, saiu tão certo, que a terra produziu, e vai produzindo tantos Anjos humanos, que constituem outros nove coros, e não basta o círculo do ano para festejar a Igreja todos.



Consta logo (ó Católicos) desta narração como o homem, mediante a graça de Deus, pode em certo modo ser Anjo, imitando suas virtudes; assim como poder ser bruto, seguindo os seus vícios. Em dia pois que a Igreja soleniza a festa dos Anjos, e do Príncipe deles S. Miguel, seja o assunto persuadir duas virtudes, que especialmente fazem o homem semelhante a Anjo: uma que respeita a pureza do corpo: é a Castidade; outra a pureza da alma, e é o Amor de Deus; e ambas se insinuam no nosso tema: Angeli eorum in Caelis semper vident faciem Patris mei.





II


Quanto à primeira que é a Castidade, esta parece tocou o nosso texto naquelas palavras: Angeli eorum semper vident faciem Patris mei. Os Anjos, diz Cristo, sempre estão vendo a face de meu Pai. Porque não disse a face de Deus, senão a face de meu Pai; quando o que beatifica os Anjos, não é a vista da face de Deus só enquanto Pai, e primeira pessoa, senão a face de Deus enquanto Deus, e todas três? Assim é; mas um dos deleites que os Anjos recebem na face de Deus, é ver como sendo Pai, é juntamente Virgem: e à sua imitação para encarnar seu Filho lhe escolheu uma Mãe também Virgem. Por onde dizer Cristo verdadeiro Deus, e homem: a face de meu Pai: faciem Patris mei; foi tocar nestas duas gerações as mais castas, que pode haver: uma eterna, segundo a qual é filho da Virgem, sem pai porque, ainda que Pai e Mãe geraram a Cristo perfeitamente, foi com pureza castíssima. E esta maravilha estão os Anjos vendo com excessivo deleite na face de Deus Padre: Angeli eorum semper vident faciem Patris mei.



Muito deleita aos Anjos a Castidade, e na face de uma alma pura se estão revendo, como em espelho onde se acham a sua semalhança. Porque um homem casto parece Anjo; e um Anjo se encarnara, fora em corpo casto. Um homem casto parece Anjo; porque lhe falta uma prova de ter corpo, e parece puro espírito.



Palpate et videte, quia spiritus carnem et ossa non habet (Luc. 14, 39). Entrando Cristo depois de ressuscitado a falar com seus discípulos, desconfiavam estes de que fosse corpo verdadeiro, e suspeitavam ser espírito. Disse-lhes o Senhor: Palpai, porque o espírito não tem carne, nem ossos. Logo, se um casto, no modo com que vive, mostra não ter carne, sangue, e ossos como os outros homens; bem podemos suspeitar que são espíritos, que são Anjos. Para o Senhor provar que tinha corpo, remetia-se à experiência do tato: Palpate; um casto negou-se ao sentido do tato: Logo um casto falta-lhe uma prova de ter corpo, e por conseguinte tem uma prova de ser Anjo; ou menos fica em dúvida, se tem ou não tem corpo: e dele pode dizer-se aquilo de São Paulo: Scio hominem [...], sive in corpore, sive extra corpus, nescio (2 Cor. 12, 3). Eu sei de um homem, que tem espírito; mas se está unido ao corpo, ou fora dele, não o sei. Logo se a semelhança é causa do amor, eo amor do deleite; que muito que os Anjos se deleitem com a Castidade, quando a Castidade faz um homem semelhante a Anjo?



E um Anjo se encarnara, fora em corpo casto. É para reparar que em muitos lugares da Escritura se introduzem aparecendo os Anjos vestidos de branco. Seja exemplo aquele texto de S. João: Vidit duos Angelos in albis (Joan. 20, 12). Que a Madalena olhando para dentro do sepulcro viu a dois Anjos com vestiduras brancas, pois porque razão amam os Anjos mais esta cor, que outra qualquer? Notem. O corpo é um como vestido da alma; e a brancura um símbolo da castidade. E assim aparecem os Anjos com vestiduras brancas, é mostrar que se tormaram corpo, havia de ser casto. O corpo é um como vestido da alma? Sim; que por isso o encarnar o Verbo, chamou S. Paulo, vestir-se de carne humana: Habitu inventus ut homo. E no mesmo sentido canta a Igreja: Atque ventre virginali carne amictus prodiit: que Deus saíra do ventre virginal de MARIA Santíssima vestido da nossa carne. E esta é a frase por onde também falam S. Ambrósio, São Bernardo, e outros padres. Outrossim, a brancura do vestido representa a pureza da castidade? Sim, que por isso lemos no Apocalipse: Habes pauca nomina in Sardis, qui non inquinaverunt vestimenta sua, et ambulabunt mecum in albis, quia digni sun (Apoc. 3, 4)t. Que os que não mancharam os seus vestidos, isto é, não pecaram contra seu corpo, andaram com Cristo adornados de vestiduras brancas. Logo quando os Anjos hão de aparecer visivelmente, que é uma semelhança de encarnarem, há de ser com vestiduras brancas, que é uma semelhança da castidade. Para que se veja que se um Anjo encarnara, havia de ser em corpo casto.



É com efeito homem houve já no mundo que em razão de sua castidade julgaram ser Anjo encarnado: Ecce ego mitto angelum meum, et preparabit viam ante faciem meam (Malach. 3, 1). Eu (diz Deus pelo Profeta Malaquias) mandarei o meu anjo, que há de preparar o meu caminho antes de eu entrar no mundo. Este lugar é de fé que se entende de S. João Baptista, porque dele o interpretou o mesmo Cristo: Hic est, de quo scriptum est: Ecce mitto Angelum meum (Luc. 7, 27). Pois se o Baptista era homem, como se chama Anjo? Responde Orógenes, seguindo a opinião dos Hebreus, que refere Eusébio, que era Anjo, e mais homem; porque era Anjo encarnado. Eu não defendo o dito, porque é erro, mas desculpo o erro, porque tem sua aparência. Não era o Baptista mais que homem; mas era homem casto, e um homem casto parece Anjo encarnado. O A Lapide: Quia purissimus et castissimus fuit, virgoque perpetuus instar Angeli. Foi o Baptista tão angélico na castidade, que como outros Santos foram mártires pela fé de Cristo; ele o foi pela fé da castidade conjugal; e Santo que chegou a defender com a vida própria até a castidade alheia, bem é para com Deus tenha o título de Anjo absolutamente, e para com os homens a opinião de Anjo ao menos encarnado: Ecce ego mitto Angelum meum.





III



Sendo logo a castidade virtude que faz aos homens semelhantes a Anjos; qual é a razão porque seguem o contrário vício que os faz semelhantes a brutos? Oh grande lástima; que podendo qualquer de nós ser homem com semelhança de Anjo, se faça bruto só com aparência de homem! Verdadeiramente um homem que não ama a castidade, só no exterior é homem: porque a alma se lhe faz como material, grossa e escura, de modo que já parece que não pertence às cadeiras dos Anjos, e à luz do Céu, senão às masmorras tenebrosas do inferno. E assim como na Escritura, os castos tem nome de Anjos, assim os luxuriosas tem nome de animais. Disse-o o Apóstolo São Tadeu, onde falando destes tais, diz: Quaecumque autem naturaliter, tanquam muta animalia, norunt, in bis corrumpuntur (Jud. 5, 11). E a causa diti tinha apontado o mesmo Apóstolo dizendo: Dei nostri gratiam transferentes in luxuriam: Que os tais trocavam a graça de Deus pelo seu apetite; e se a graça de Deus, como ao princípio dizíamos, é a que transfere o homem em Anjo; que havia de fazer quem desprezou a graça pelo seu apetite, senão transformar-se em bruto: tanquam muta animalia.



Mas já eu não estou tão mal com os que caem por sua própria miséria, como com os que fazem cair pelo escândalo que dão. Que lhe não baste ao homem pecar, senão que também há de fazer pecar aos outros? Que se não contente um ímpio com ser filho da perdição, e discípulo da maldade, se também não for pai e mestre dela? Miséria é esta digna do sentimento e gemidos do mesmo Deus: Vae mundo à scandalis: Ai do mundo, assolado com escândalos, exclama Cristo no Evangelho de hoje. E se bem todas as virtudes padecem escândalos no mundo, esta da caridade como mais mimosa, e delicada os padece muito mais. É o mundo um campo, como lhe chama S. Ambrósio. São os escândalos espinhos, como os compara S. Jerônimo: e é a castidade açucena, como disse São Bernardo. E mal pode neste campo, entre tantos espinhos, deixar de magoar-se esta açucena. Nec enim (diz o mesmo São Bernardo) vel levissimam spinae sustinet ullatenus punctionem floris teneritudo. Os trajos pouco honestos, que estão peitando os olhos para que atendam, e fazendo à alma vendável o seu pecado: eis aí um espinho que lastima a flor da castidade. Os livros obscenos e vãos, que não sei como no princípio trazem licença para se imprimir, e mais se imprimem na alma para a escurecer, do que na oficina para saírem à luz: eis aí outro espinho, e outro escândalo. As pinturas indecentes, que estão com vozes mudas e permanentes, pregando mundo e carne e liberdade em lugar de penitência, e seus artífices lhe hão de pagar o preço do inferno: eis aí outro escândalo. As comédias, escolas de esgrima onde se joga a espada preta do pecado, para que depois saibam julgar a branca: mais outro escândalo. As palavras torpes e licenciosas, que agora se usam em lugar das orações e canções pias da cartilha que se ouviam pelas ruas em tempo do Padre Mestre Ignácio Martins; e são jaculatórias do diabo com que atira pelas janelas dentro: Ascendit mors per fenestras: mais outro escândalo. Os maus conselhos e companhias dos chamados amigos, mas na verdade inimigos, pois são confederados do demônio para perverter as almas: mais outro escândalo; aí da açucena da castidade tão cercada de espinhos: Vae mundo à scandalis.



Alerta almas: vede onde assentais o pé, não vos firais; e já que é força andarmos por este campo do mundo, vamos ao menos armados com os defensivos contrários. São estes (atendamos e executemos): Oração todos os dias, e em especial na ocasião da tentação; porque Deus defende aos que fogem para seu amparo. Freqüência dos Sacramentos, porque a graça que ali se dá reprime os brios da natureza. Jejum e penitência, que é o freio e vara com que se amansa este bruto indômito. Lição de livros espirituais, que deixam na alma estampadas imagens de cousas pias, que destróem as cousas profanas. Ocupação contínua em trabalho honesto, porque a terra folgada leva urtigas, e a livra de bons frutos. Retiro de más companhias e ocasiões perigosas: que nesta guerra, como dizia nosso Patriarca São Felipe Neri, vence quem foge. E humildade diante dos olhos de Deus: porque a quem confia de si, permite Deus que caia para que se conheça. Se estas regras observarmos, seremos castos: e sendo castos, seremos semelhantes a Anjos, e poderemos em sua companhia chegar a ver a face de Deus, fonte de toda a pureza: Angeli eorum in Caelis semper vident faciem Patris mei.





IV


A outra virtude que faz os homens semelhantes a Anjos, é o amor de Deus exercitado por freqüentes atos de presença sua. Angeli eorum semper vident faciem Patris mei. Os Anjos (diz Cristo) sempre estão vendo a face de Deus. Se sempre estão vendo, sempre estão amando; porque da vista da fermosura infinita, necessariamente procede o seu amor. E assim como o Sol no mesmo ponto em que difunde a luz, imprime o calor; assim aquele Sol incriado, no mesmo ponto em que ilustra os entendimentos, abrasa as vontades.



Mas se os homens não vemos a Deus, como vêem os Anjos, como os podemos imitar no exercício do amor? Não vemos cara a cara, mas vemos por fé, que também é luz, ainda que mais escassa. Excitando em nós esta fé, também excitaremos o amor; e destes atos de fé e amor continuados, consta o exercício que chamamos da presença de Deus: o qual bem freqüentado, de um homem faz um Anjo; porque no seu tanto faz o que os Anjos fazem; que é ver e amar a Deus: Angeli eorum semper vident faciem Patris mei.



Entrou uma vez o Capitão Aquis a falar a El Rei Davi, e entre outras cousas que lhe disse, foi esta: Bonus es tu in oculis meis, sicut Angelus Dei (1 Reg. 19, 9): Vendo-vos, me parece que estou vendo um Anjo de Deus. Entrou outra vez à presença do mesmo Rei a mulher Tecuitis, e disse: Sicut enim Agelus Dei, sic est dominus meus Rex (1 Reg. 14, 17): Não acho com que comparar a meu Rei e Senhor, senão um Anjo de Deus. Já Davi tem duas testemunhas conformes, que o canonizam por Anjo. Mas porque não falte total prova que pede aquele texto: In ore duorum, vel trium testium stat omne verbum (Matth. 18, 16): Pelo testemunho de dois ou três consta toda a verdade; venha a terceira testemunha. Entra Mefibosete diante do mesmo Davi. E que disse? Tu autem Domine ini Rex, sicut Angelus Dei es (1 Reg. 19, 27): Vós meu Rei e Senhor, sois como um Anjo de Deus. Oh tantas vezes o mesmo repetido! Aqui parece haver misterio. Não nos direis santo Davi que fizestes, que vos trocou de homem em Anjo? Sim dirá. E já que as testemunhas foram três, todas afirmando o mesmo; as suas respostas serão outras três, todas apontando a mesma causa: Providebam Dominum in conspectu meo semper. Omnes viae meae in conspectu tuo. Oculi mei semper ad Dominum (Ps. 15, 8; Ps 116, 168; Ps 14, 15). Eu (diz Davi) sempre trazia a Deus diante de meus olhos: meus passos sempre os dei em presença sua. Sempre tenho aplicada a este Senhor a vista interior de minha alma. Em fim que Davi era dado ao exercício da presença de Deus, vendo a Deus por fé, e gozando-o por amor. Pois eis aí a causa porque é Anjo: porque ver a Deus por fé, e amá-lo freqüentemente, faz os homens parecerem Anjos. Que diferença achamos nós entre o modo com que no Evangelho fala Cristo dos Anjos, e o modo com que nos Salmos fala Davi de si? Cristo diz: Angeli eorum semper vident faciem Patris: Os Anjos sempre vêem a Deus. Davi diz: Oculi mei semper ad Dominum: Meus olhos sempre estão fitos em Deus. Não é o mesmo? Pois se Davi e os Anjos têm o mesmo exercício, tenham o mesmo nome: Sicut enim Angelus Dei, sic est Dominus meus Rex. Davi é Anjo, e em tanto o será, enquanto pelo pecado se não afastar da presença de Deus, que por isso depois o Profeta Natan lhe chamou só homem: Tu es ille vir (2 Reg. 11, 7). E ele a si mesmo se chamou bruto: Ut jumentum factus sum (Ps. 72, 23). Pecou Davi, e apartou-se de Deus e seu amor, e logo se viu o que assim como o amor de Deus, de homens faz Anjos, assim o apartar-se dele pelo pecado, de Anjos torna a fazer homens, e (não parando aqui) de homens os faz brutos.



Da sobredita doutrina se colhe a razão porque Tertuliano chamou aos que andam neste exercício da presença de Deus, Aeternitatis candidati: pretendentes da eternidade. E S. Boaventura, Bem-aventurados já nesta vida. E S. Ambrósio, verdadeiros Israelitas. São pretendentes da eternidade, porque o que os Anjos fazem pela participação da eternidade de Deus, que é vê-lo, e amá-lo, isso começam eles a fazer já em tempo, conforme aquela sentença de Cristo quando disse a Madalena, que escolhera a parte que se lhe não havia de tirar, mas continuar no Céu para sempre: Maria optimam partem elegit, quae non auferetur ab ea (Luc. 10, 12). Porque o que a Madalena fazia aos pés do Senhor era vê-lo, e amá-lo; e ver, e amar a Deus, é exercício qie se começa aqui no tempo, para depois continuar-se no Céu eternamente. E assim os que seguem esta parte, são pretendentes da eternidade, Aeternitatis candidati.



São também em certo modo bem-aventurados nesta vida, porque assim como na vista de Deus clara consiste a bem-aventurança perfeita, assim na vista de Deus escura, isto é, por fé, consiste uma bem-aventurança começada. A fé viva e amor de Deus acompanha a sua graça, e conforme dizem os Teólogos, a graça é uma glória começada, assim como a glória é uma graça consumada. Por isso Cristo, tanto que Pedro creu, e amou, lhe chamou bem-aventurado: Tu es Christus Filius Dei vivi. Beatus es Simon.



São finalmente verdadeiros Israelitas, porque Israel que dizer: Videns Deum. O que vê a Deus. E os que andam em presença sua por fé, de algum modo o vêem. Por isso aquele Anjo que falou disfarçado com Tobias; perguntando-lhe este quem era, respondeu que era dos filhos de Israel: At ille respondit: Ex filiis Israel (Tob. 5, 7). Se era Anjo, como era Israelita? Mentiu acaso? Não mentiu, por isso mesmo que era Israelita que vê a Deus, porque era Anjo; e os Anjos sempre vêem a Deus: Semper vident faciem Patris. Logo os que por fé vêem a Deus são verdadeiros Israelitas, como dizia S. Ambrósio, e até o nome tem comum com os Anjos; pois fazem o que eles fazem, que é ver e amar a Deus: Semper vident faciem Patris.





V


Mas reparará alguém naquela palavra Semper: Sempre. Como pode um homem frágil andar sempre na presença de Deus? Respondo que assim como há Anjos de mais ou menos alta jerarquia, assim há homens que participam mais ou menos a semelhança dos Anjos. As jerarquias dos Anjos puros espíritos distinguem-se por estar mais ou menos perto de Deus. E as dos anjos humanos distinguem-se por andar mais ou menos tempo, com mais ou menos fervor em sua presença. Quem andar sempre, será Serafim, porque anda, porque anda mui perto. Quem não puder ser Serafim, seja de outra ordem inferior. Mas estejamos certos que o uso facilita muito este exercício, e a graça de Deus muito mais. O Padre Carlos Condren, Prepósito Geral da Congregação do Oratório em França, ainda quando antes de ser Sacerdote andava ocupado com negócios do século, não perdeu em muitos anos a presença de Deus mais que oito, nove vezes por intervalo brevíssimo, como consta da sua confissão geral manuscrita. E veio a ser Serafim tão abrasado no amor divino, que se lhe quebraram as costelas pela mesma causa que a meu Patriarca São Felipe Neri. A Venerável Madre Maria Victória, fundadora das Freiras da Anunciada, que chamam as Celestes, de tal modo tinha o ânimo pregado na presença de Deus, que a não divertiam as ocupações, nem colóquios com outras pessoas. E se se distraía um pouco, só com esta palavra Amor de Deus, como com fogo chegado à pólvora, se acendia novamente. O servo de Deus Gregório Lopes, por muitos anos contínuos, quantas vezes respirou, tantas disse falando com Deus: Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no Céu. Estas e outras semelhantes maravilhas facilitou o uso continuado e os auxílios da graça de Deus bem aproveitados. E por isso estas pessoas saíram na pureza de vida verdadeiramente Anjos.



Oh se quisesse Deus que para sua maior glória tomássemos desde hoje a peitos este angélico, (pouco disse) este divino exercício! Como reluziria logo o proveito em nossos procedimentos! Como fugiriam as sombras do pecado que causa em nís a presença e amor deste século! Quão diferentes seriam nossas palavras, nossos cuidados, e nossos movimentos! Com que fineza e igualdade iria tecida a teia da nossa vida; e que tesouro de merecimentos acharíamos junto ao cortá-la a morte! Eia, cobremos ânimo, ó Católicos, e já que temos o dom da fé concedido por Deus graciosamente, avivemos esta fé, e procuremos com ela acender em nossos corações o divino amor. É certo que andamos todos cercados e penetrados de Deus, pois realmente está em toda a parte, e dentro dele temos o ser, a vida e o movimento, que ele mesmo nos deu, e conserva. Já que tão perto de nós está todo o nosso bem, aspiremos a lograr outro melhor ser, outra nova vida, e outro mais nobre movimento, que é o de seu amor contínuo e fervoroso. Já que pelo pecado fomos brutos, e pela natureza somos homens, pelo amor sejamos Anjos, que sempre vêem e mam a Deos: Angeli eorum semper vident faciem Patris mei.



E vós ó soberano Príncipe, General da milícia do Senhor dos exércitos, e grande da cada do Rei dos reis, glorioso Arcanjo São Miguel: imortais graças vos sejam dadas em o mesmo Senhor pelo sagrado ardor com que zelastes a honra de Deus, e o Império de Cristo cabeça de todos os homens e Anjos; fulminando desde as alturas seus e nossos adversários, só com vibrar a lança daquela poderosa palavra que tomastes por nome: Michael, Quis sicut Deus? Miguel: Quem como Deus? Nós outros os filhos da Igreja universal, cujo patrocínio por comissão do Altíssimo, desde o princípio do mundo exercitastes, fugimos para vosso amparo, solicitando afetuosamente vossa intercessão diante do Senhor, para que nos conceda copiosa graça, com que inteiramente guardemos a lei, que por vossas mãos deu no monte Sinai escrita em tábuas, e os preceitos Evangélicos, que o segundo e melhor Moisés Cristo JESUS escreveu nos corações, com que imitando os homens a pureza dos Anjos sejamos, por vosso meio introduzidos (como introduzistes a Josué) na verdadeira terra de promissão. Onde alternando a natureza humana com a angélica o coro dos divinos louvores, eternamente magnifiquemos aquele Trino e Uno Deus, cuja figura, aparecendo vós a Abraão em companhia de outros dous Anjos, misticamente representastes. Ao qual seja dada toda a glória por séculos de séculos. Ámen.




A INQUISIÇÃO PROTESTANTE (inédito).
Setembro 23, 2009, 12:17 am
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A INQUISIÇÃO PROTESTANTE
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Autor: Fernando Nascimento

Introdução

O artigo que segue, revela em rica bibliografia, os números de mortos, e requintes de crueldade dos incomparáveis tribunais eclesiásticos protestantes. E deixará claro que as levianas acusações protestantes contra a Igreja Católica sorrateiramente mudaram a palavra “inquisição”, que quer dizer apenas: “sindicância”, “investigação”, em sinônimo de “matança de pessoas”. Ainda hoje, esse erro circula no meio protestante. Tal quimera caiu por terra, quando o renomado historiador Agostino Borromeo, após demorado estudo sobre a inquisição, concluiu que não chegaram a cem, o número de mortes, cometidas por católicos que em desobediência ao Papa, empregaram pena de morte contra os inquiridos.

Antes, abramos um parêntese, para de fato mostrarmos conforme os historiadores, que muita calúnia se lançou contra a Igreja Católica, no que concerne a falsa acusação de matança de “centenas”, “milhares” e até “milhões” de pessoas. Pura lenda, que na verdade não passava de mentira estratégica protestante, fomentada por anticatólicos como: Russel Hope Robbins, o apostata Doelling, Jules Baissac, Jean Français e Reinach.

O próprio Rui Barbosa quando principiante inexperiente, traduziu “O Papa e o Concílio” uma obra de um deles, do Doelling, e se arrependeu mais tarde, proibindo no prefácio a publicação da mesma, pelas calúnias apaixonadas. Dizia mais tarde Rui Barbosa, quando maduro e experiente: “Estudei todas as religiões do mundo e cheguei a seguinte conclusão: religião ou a Católica ou nenhuma.” (Livro Oriente, Carlos Mariano de M. Santos (1998-2004) artigo 5º).

Publicou a Agência européia de notícias Zenit: [CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 16 de junho de 2004 (ZENIT.org).- Atualmente, os pesquisadores têm os elementos necessários para fazer uma história da Inquisição sem cair em preconceitos negativos ou na apologética propagandista, afirma o coordenador do livro «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”».
No volume, Agostino Borromeo, historiador, recolhe as palestras do congresso que reuniu ao final de outubro de 1998, no Vaticano, historiadores universalmente reconhecidos especializados nestes tribunais eclesiásticos.

«Hoje em dia --afirmou essa terça-feira, em uma coletiva de imprensa de apresentação do livro, o professor da Universidade «La Sapienza» de Roma-- os historiadores já não utilizam o tema da Inquisição como instrumento para defender ou atacar a Igreja».

Diferentemente do que antes sucedia, acrescentou o presidente do Instituto Italiano de Estudos Ibéricos, «o debate se encaminhou para o ambiente histórico, com estatísticas sérias».
O especialista constatou que, à «lenda negra» criada contra a Inquisição em países protestantes, opôs uma apologética católica propagandista que, em nenhum dos casos, ajudava a conseguir uma visão objetiva.

Isto se deve, entre outras coisas --indicou--, ao «grande passo adiante» dado pela abertura dos arquivos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), ordenada por João Paulo II em 1998, onde se encontra uma base documental amplíssima.

Borromeu ilustrou alguns dos dados possibilitados pelas «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”»

Revela o historiador sobre os processos e condenação referentes ao tribunal católico: “dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição espanhola condenou à morte 59 «bruxas». Na Itália, acrescentou, foram 36 e em Portugal 4. Se somarmos estes dados --comentou o historiador-- não se chega nem sequer a cem casos...”

A Inquisição na Espanha, afirmou o historiador, em referência ao tribunal mais conhecido, celebrou entre 1540 e 1700, 44.674 julgamentos. Os acusados condenados à morte foram 1,8% e, destes, 1,7% foi condenado em «contumácia», ou seja, pessoas de paradeiro desconhecido ou que em seu lugar se queimavam ou enforcavam bonecos].(1) Até aqui a notícia de ZENIT.org.

Outro historiador, o protestante, Henry Charles Léa, cita 47 bulas, nas quais a Santa Sé continuamente insiste na jurisprudência que deve se observar nos tribunais eclesiásticos católicos. Alertam para não cair na violência e injustiças freqüentes dos juizes leigos. Basta folhear a monumental obra do próprio Léa, para convencer-se que na realidade as bruxas foram perseguidas e condenadas mais pelos detentores do poder civil e pelos protestantes do que pelo tribunal católico. (2)

Também o historiador Daniel Roups, é categórico nos seus registros: ”Foram numerosos os cânones dos concílios que, excomungando os hereges e proibindo os cristãos de lhes darem asilo, não admitiam que se utilizassem contra eles a pena de morte. Deviam bastar as penas espirituais ou, quando muito, as penas temporais moderadas”. (3).

João Paulo II enviou uma mensagem com motivo da apresentação das «Atas» do Simpósio Internacional sobre a Inquisição, na qual sublinha a necessidade de que a Igreja peça perdão pelos pecados cometidos por seus filhos através da história. Ao mesmo tempo, declarava, «antes de pedir perdão é necessário conhecer exatamente os fatos e reconhecer as carências ante as exigências cristãs».

Pelos filhos da Igreja Católica, que em desobediência cometeram alguns crimes, o Papa João Paulo II pediu perdão. Mas, quando o protestantismo cessará de deturpar, omitir e caluniar, reconhecendo finalmente os extermínios que cometeu e atribui maldosamente aos católicos? Fecha parêntesis

VEJAMOS ENTÃO, A VERDADE DOCUMENTAL, E A CRUELDADE SEM PRECEDENTES DOS TRIBUNAIS PROTESTANTES.

A quantidade de registros literários dos próprios protestantes é vasta, porém, estranhamente ocultada pelos livros escolares, pela imprensa e mídia em geral. Muitas vezes vemos o que é omitido pelo lado protestante sendo por esses veículos, atribuídos maldosamente à Igreja Católica.

- O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta, dizia: “(…) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, Leonel, S.J. A Igreja, a reforma e a civilização, Ed. Agir, 1952, 6ª ed. Pág. 200).

Uma vez no protestantismo, já ensinava Lutero aos protestantes: “Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da igreja (luterana).” (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).

Logo a mentira, a omissão e o falso testemunho se tornaram a coluna da doutrina dos pseudos “reformadores” protestantes.

A crueldade foi especialmente severa na Alemanha protestante. As posições de Lutero, contra os anabatistas, causaram a morte de pelo menos 30.000 camponeses. (4)

Calvino, pai dos presbiterianos, mandou queimar o espanhol Miguel Servet Grizar, médico descobridor da circulação sanguínea. Acusado de heresia, Servet foi preso e julgado em Lyon, na França. Conseguiu evadir-se da prisão e quando se dirigia para a Itália, através da Suíça, foi novamente preso em Genebra, julgado e condenado a morrer na fogueira, por decisão de um tribunal eclesiástico sob direção do próprio Calvino. A sentença foi cumprida em Champel, nas proximidades de Genebra, no dia 27 de outubro de 1553. Puseram-lhe na cabeça uma coroa de juncos impregnada de enxofre e foi queimado vivo em fogo lento com requintes de sadismo e crueldade. (5)

O luterano Benedict Carpzov, foi legista brilhante e figura esclarecida, até hoje ocupando lugar destacado na história do Direito Penal. Mas perdia a compostura contra a bruxaria, que considerava merecedora de torturas três vezes intensificadas com respeito a outros crimes, e cinco vezes punível com pena de morte. Protestante fanático, afirmava, quando velho, ter lido a Bíblia inteira 53 vezes. Assinou sentença de morte contra 20.000 bruxas, apoiando-se principalmente na “Lei” do Antigo Testamento. Não compreendendo o verdadeiro significado da Bíblia, considerava o Pentateuco como lei promulgada pelo próprio Deus, Supremo Legislador. Carpzov, para condenar a morte, usava (Lv 19,31; 20,6.27; Dt 12,1-5), citava de preferência o Êxodo (22,18); “Não deixarás viver a feiticeira”. (6).

Outro famoso perseguidor de bruxas na Alemanha, foi Nicholas Romy, considerado grande especialista e que escreveu um longo tratado sobre bruxaria, teve sobre sua consciência a morte de 900 pessoas. (7)

Já Froehligh, reitor da Universidade de Innsbruck e catedrático de Direito, que chegou a ser chanceler da Alta Áustria, insistia em que não só as supostas bruxas fossem condenadas, senão também seus filhos! E não se precisava muito para ser considerada bruxa, pois o seria qualquer pessoa que não tivesse um olhar franco.(8)

Naquele ambiente de superstição, crueldade e pânico perante as bruxas, foi possível o aparecimento de um Franz Buirmann, pervertido magistrado protestante e degenerado inimigo da bruxaria. Era um juiz itinerante. Referindo-se a ele dizia seu contemporâneo Hermann Loher: “Preferiria mil vezes ser julgado por animais selvagens, cair numa fossa cheia de leões, de lobos e ursos, do que cair em suas mãos”.Deste impiedoso juiz se afirma que somente em duas incursões que realizou por pequeninas aldeias ao redor de Bonn, que perfaziam um total de 300 pessoas contando-se crianças e velhos, queimou vivas nada menos que 150 pessoas! Consta que ao menos em duas oportunidades (da viúva Boffgen e do Alcaide de Rheinbach), o juiz se apoderou de todos os bens dos condenados à fogueira (o Alcaide de Rheinbach era seu inimigo político. . .).(9)

Em Bamberga, sob a administração de um bispo protestante, queimou-se 600 pessoas. Na Genebra protestante, foram queimadas 500 pessoas no ano 1515. (10).

Se os protestantes do passado nenhum valor davam a essas muitíssimas vidas ceifadas no fogo, muito menos valor dão os protestantes de hoje, que por ignorância, orgulho ou omissão, se escusam de um simples pedido de perdão, para não ter que admitir as iniqüidades que falaciosamente atribuem aos outros.

A técnica, é a mesma do gatuno que bate uma carteira e grita: “pega ladrão!!!” Baseados no grito do gatuno, as mal informadas e ou mal intencionadas editoras de livros didáticos, a imprensa e a mídia, fazem o resto do trabalho sujo. Tudo contribui para a perdição do que não busca conhecer a verdade.

Dizia Marcus Moreira Lassance Pimenta: “Ao ignorante, basta uma mentira bem contada para que a tenha como verdade. E ao sábio, não há mentira que o impeça de buscar a verdade”.

Bibliografia:

1. Agência Zenit, Sunday, June 20, 2004 1:17 PM.
2. Henry Charles Léa, A History of the inquisition of the Middle Ages, 3 vols. Nova Yorque, Happer, 1888, principalmente vol. I, pp. 137ss; tradução de Salomon Reinach, Historie de L’Inquisition au Moyen-Áge. Ouvrage traduit sur l’exemplaire revu et corrigé de l’auter, 3 vols., Paris, 1900-2 vol. 3.
3. Daniel-Rops, História da Igreja de Cristo, vol. III, A Igreja das Catedrais e das “Cruzadas”, Quadrante, pp. 605-606.
4.. VEIT, Valentim, História Universal, Livraria Martins Editoras, SP, 1961, Tomo II, pp. 248-249.
5. http://www.adventistas.com/marco2003/miguel_servetus.htm
6. Benedict Carpzov, Practica Nova Rerum Criminalium Imperialis Saxonica in Tres Partes Divisão, Wittenberg, 1635.
7. Nichólas Romy, Daemonolatriae Libri Tres, Lião, 1595; Colônia, 1596; Frankfurt, 1597.
8. Johan Christopher Froehlich von Froehlichsberg, De sorcelleria, Innsbruck, 1696; tradução: Animismes, Paris, Orent, 1964, pp. 62ss.
9. Cf.. Jacques Finné, Erotismo et sorcellerie, Verviers (Bélgica), Gerard, 1972; tradução de Charles Marie Antoine Bouéry, Erotismo e feitiçaria, São Paulo, Mundo Musical, 1973, p. 41.
10. W. Bommbeg, The mind of man: the history of man’s conquest of mental illness, 2ª ed., Nova Yorque, Harpel, 1959; tradução: La mente del hombre, Buenos Aires, 1940.

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A SEVERIDADE DOS TRIBUNAIS PROTESTANTES
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Foram terríveis os genocídios causados pelos protestantes na Alemanha. A então Alemanha estava dividida em mais de trezentas circunscrições, cada uma delas com seu próprio Supremo Tribunal civil e seu Direito particular. A perseguição às bruxas e a severidade dos castigos, dependiam geralmente dos respectivos senhores de cada região, que governavam com muita independência e poder quase absoluto.

Dentro de cada região, havia oscilações pendulares inclusive extremas, segundo os critérios subjetivos do mesmo senhor e segundo os conceitos das diversas sucessões no poder através dos anos e dos séculos. Daí a dificuldade em se calcular o número de pessoas condenadas à fogueira e à forca na Alemanha. Mas, das crônicas e processos regionais que chegaram até nós, cabe deduzir, que as vítimas se contaram por milhares. Gardner calcula 9 milhões (1). Morrow simplesmente diz que foram milhões (2).

W. A. Schoeder, contemporâneo aos fatos, anotou que nas localidades de Bamberg e Zeil, entre 1625 e 1630, (cinco anos) se realizaram nada menos que 900 processos de bruxaria. Deles (numa exceção), 236 terminaram com condenação à morte na fogueira. Só num ano, 1617, em Wurzburgo, foram queimadas 300 bruxas (3); em total nesta região, as atas apresentam l.200 condenações à morte (4).

Em 20 anos, de 1615 à 1635, em Estrasburgo, houve 5.000 queimas de bruxas (5).

Em cidades pequenas como a imperial Offenburg, que só tinha entre dois e três mil habitantes, se desenvolveram acérrimas perseguições às bruxas durante três decênios, e em só dois anos, segundo as atas, foram queimadas 79 pessoas (6).

Segundo o VERITY MURPHY em 16/6/2004, da BBC de Londres, o novo e mais completo relatório da inquisição, indica que, no auge da Inquisição, a Alemanha protestante matou mais bruxas e bruxos que em qualquer outro lugar.

Na Suíça, quando protestante, os casos de condenação de bruxas descritos nas crônicas conservadas, chegam a 5.417 (7). Nos Alpes Austríacos, as mortes chegaram ao menos a 5.000 (8).

Era absolutamente falsa a afirmação de muitos autores protestantes ingleses, de que a Inglaterra foi uma exceção dentro da bruxomania geral.Segundo Ewen, (9), que cita documentos oficiais, o número de condenados à pena de morte por bruxaria, na Inglaterra protestante, exatamente de 1541 a 1736, teria sido menos de mil. As condenações à morte teriam sido menos de 30% das acusações. Mesmo assim, o comportamento inglês não fugiu ao ditado de que não há regras sem exceções.

Na Inglaterra destacava-se o protestante Mathew Hopkins que se autodenominava “descobridor geral de bruxas”. Parece que era um sádico encoberto. Quando encontrava uma mulher que excitava seus instintos sexuais anormais, obrigava-a a despir-se na sua presença e começava a fincar com uma agulha, as diversas partes do corpo dela (assim se procuravam áreas insensíveis, o que seria sinal de possessão demoníaca).Mas… ele mesmo diante de outros protestantes, foi acusado de possuir estranhos poderes. Submetido às provas de bruxaria que empregara, foi condenado e morto (10).

Na Inglaterra não era necessário aplicar torturas — às vezes se deram! — porque a condenação freqüentemente era sentenciada sem necessidade de confissão por parte do acusado (11).

Em 1562 a rainha Elizabeth, e a versão definitiva do Witch Act ou “lei contra os bruxos”, de Jacques I em 1604, condenavam à morte a pessoa que tivesse feito qualquer malefício pretendendo acabar com a vida ou danar o corpo de alguém. Mesmo que não se percebesse efeito nenhum do malefício! Esta lei se manteve em vigor na Constituição até 1736.

Os protestantes do Reino Unido foram lentos. Na Inglaterra do século XVII, na área da interpretação dos fenômenos misteriosos ainda grassava a superstição demonológica, e houve várias condenações. O último juízo por bruxaria foi já entrado o século XVIII, em 1717, (12). E ainda demorariam mais vinte anos para abolir o estatuto inglês contra as bruxas, em 1736 (13).
A última morte por condenação como bruxa, na Escócia, foi em 1738. Na Irlanda, a lei contra bruxaria não foi abolida até 1821!Em 1863, segunda metade do século XIX!, o povo inglês ainda linchou um velho por considerá-lo bruxo.

As perseguições protestantes atravessaram o Atlântico, e chegaram aos EUA. O primeiro corpo de estatutos — The Body of Liberties — que houve em Massachusetts, é de 1641 (14). Nele se diz: “Se algum homem ou mulher é bruxo que manifesta ou consulta um espírito familiar(?), será enviado à morte” (15).

A revisão de 1649 reiterava a mesma lei com pena capital (16). De sua vigência é um exemplo famoso, “o processo das bruxas de Salem,” em 1692. Como resquício, ainda hoje em alguns estados americanos, a pena de morte é vista com naturalidade, aos condenados gravemente pela justiça. Mudaram apenas os réus e a forma de exterminar.

O pânico da população perante as bruxas e a ira contra elas, refletem-se no caso de Ann Hibbins. Parece que foi acusada por motivos meramente socioeconômicos. Era irmã de um rico comerciante e antigo assistente da colônia, Richard Beilingham, que fora governador da Baía de Massachusetts. O júri a condenou. Os juizes não aceitaram o veredicto. O caso foi levado à Corte Geral. Foi fácil incitar a opinião pública. Tanto pressionaram a Corte que Ann Hibbins foi condenada à morte (17).

ATÉ CRIANÇAS ERAM QUEIMADAS PELOS PROTESTANTES

No ano 1670, na Suécia, houve um processo deplorável: Como conseqüência das declarações, arrancadas pelas interrogações feitas pelos teólogos protestantes, foram queimadas 70 mulheres, açoitadas mais 56, queimadas 15 crianças que já tinham chegado aos 16 anos e outras 40 foram açoitadas (18).

Na Alemanha protestante, o poder civil condenou Anna Maria Schwugelin. Foi decapitada como bruxa em 1759.

No dia 18 de junho de 1782, o governo protestante ainda decapitou uma bruxa na Suíça (19).
Agora os protestantes têem aqui reunidos, grande parte dos números de mortes, nomes e documentos, para a própria cruel “inquisição” de seus tribunais, que tanto omitem. E isso não é tudo.

Atacado por um diabólico ódio racial, Lutero antes de sua morte, lançou o panfleto “Contra os judeus e as suas mentiras.” onde pregava aos alemães, toda sorte de desumanidade contra os judeus, culminando no holocausto nazista. Esta obra, está reproduzida na “História do anti-semitismo”, de Leon Poliakov.

Dia 6 de maio de 1527, quando saquearam Roma, cerca de quarenta mil homens espalharam na Cidade Eterna o terror, a violência e a morte. Eram seis mil espanhóis, quatorze mil italianos e vinte mil alemães, quase todos luteranos, esses últimos, indivíduos perversos, gananciosos, desprovidos de qualquer escrúpulo. Gritavam: ”Viva Lutero, nosso papa!!!”. Ávidos, incansáveis na busca das riquezas, dos despojos do inimigo, os lanquenetes luteranos e os outros invasores assaltaram, estupraram, saquearam, incendiaram, trucidaram, arrebentaram as suas vítimas, jogaram crianças pelas janelas ou as esmagaram contra as paredes. Grande parte da população foi dizimada. Conforme disse Maurice Andrieux, esse ataque a Roma “superou em atrocidade todas as tragédias da História”, até mesmo a destruição de Jerusalém e a tomada de Constantinopla.

E no Brasil? Encontra-se facilmente nas enciclopédias que, os protestantes calvinistas em 15 de julho de 1570, mataram 40 jesuítas, entre eles Inácio de Azevedo, morto a CUTILADAS (golpe de espada) quando, segurando num quadro da Virgem Maria, animava a tripulação a resistir ao ataque protestante, que degolou a todos, (Enc. Microsoft Encarta 99, verbete: “Inácio de Azevedo, beato”).

Todo esse genocídio com requintes de crueldade, parece encontrar doce justificativa nas palavras de Lutero, pai do protestantismo do “somente a fé”:

“… Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda… Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar… Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”. (Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 (American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963).

Esta “fé”, de Lutero, apesar de dirigida pela vontade, é um simples ato do intelecto. Apesar de necessária à salvação, não é suficiente. Tiago diz que até mesmo os demônios têm esta fé (Tg 2,19). É por este motivo que ele diz: “Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?” (Tg 2,24). Infelizmente, Lutero designou esta carta do Apóstolo de “Carta de Palha”. Ele não entendeu o que Tiago está querendo dizer (sobre a fé de Abraão): “Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas” (Tg 2,22). Sob o erro do pai do protestantismo, as seitas evangélicas ainda hoje, pregam que seus seguidores já estão “salvos”, só porque simplesmente “crêem” em Jesus. Se assim fosse, iriam encontrar Lúcifer no céu.

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Bibliografia

1. Gerald B. Gardner, Ursprung und Wirklichkeít der Hexen, Weilheim, 1965, pp. 30s.
2. F. Morrow, no prólogo e Montagne Summers, The history of wttchcraft and demonology, 2a ed., Nova Iorque, 1956.
3. Citado por Merzbacher, Die Hexenprozesse in Franken, Munique, 1975, p. 43.
4. Kurt Baschwitz, Hexen und Hexenprozesse. Die Geschichte eines Massenwalms und Bekampfung, Munique, 1963; uso a tradução de Ana Grossman, Brujas y proceso de brujeria, Barcelona, Luiz de Caralt, 1968, p. 261.
5. Cf. Wilhelm Gottieb Soldan, Geschichte der Hexenprozesse aus der Quellen dargestellt, Stutgard, 1843; 2º edição revisasda: Soldan-Ludwig Julius Heppe, Geschichte der Hexenprozesse, 2 vols. Stuttgard, 1880; 3º edição revisada: Soldan –Heppe-Max Bauer, com o mesmo título, Munique, 1012, tomo I, p. 530..
6. Idem, Soldan –Heppe-Max Bauer, ibidem, p. 251.
7. Na tese doutoral de G. Bader, Die Hexenprozesse in der Schweiz, Zurique, 1945, p. 219.
8. Fritz Byloff, “Hexenglaube und Hexenverfolgung in der õsterreichischen Alpenlander” in Quellen zur deutschen Volkskunde, 1934, caderno 6, p. 159.
9. C. L. Ewen, Witccraft and demonianism, Londres, Muller, 1970; Witch hunting witch trial, Londres, 1062; Nova Iorque, Harper, 1971.t.
10. Ramiro A. Calle, La magia negra y el ocultismo (técnicas para el conocimento de si mismo y de los demás), Barcelona, Cedel, 1968, p. 271s.
11. Cf. Ronald Seth, Children against witches, Londres, Robert Hale, 1969, p. 14; Davies, Four centuries…, op. cit.
12. Mair, La brujería…, op. cif, p. 216.
13. Fox, Science…, op. cit., p. 25; sobre a Bruxaria na Inglaterra, Peter Haining, A circie of witches – An anthology of victorian witchcraft stories, Londres, Robert Hale, 1971; idem, The anatomy o f witchcraft, Londres, Souvenir, 1972; tradução de René Cárdenas Barrios, La anatomia de Ia brujería, México, Diana, 1976..
14. The body of liberties é reproduzido por William Witmore (ed.), The Colonial Laws of Massachusetts. Reprinted from the edition of 1660, with suplements to 1672. Containing also the Body of Liberties of 1641, Boston, City Council, 1889.
15. Ibidem, Liberty, 94, Capital Lawa, p. 55.
16. Cf. Winfield S. Nevins, Witchcraft in Salem Village in 1692, Salem-Massachusetts, Salem-Press, 1916, pp. 29s.
17. Thomas Hutchinson, History of the Colony of Massachusetts Bay, Londres, Thomas and John Fleet, 1764, p. 187; William F. Poole, “Witchcraft in Boston” in Justin Windsor (ed.), Memorial history of Boston, Boston, Tickner, 1881, tomo 2, p. 130.
18. B. Bekker, De betoverde wereld, Amsterdã, p. 576-587; trad.: Le monde enchaté, 6 vols. Paris, 1964.
19. Mair, La brujería…, op. cif, p. 216.



Santo Agostinho (354-430)- DOUTOR DA IGREJA!!!
Setembro 19, 2009, 1:24 am
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DOUTOR. DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA! Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. 

“toma e lê, toma e lê!!! “

Após ter se decepcionado com Fausto, bispo maniqueísta, de quem ele esperava obter as respostas para todas as perguntas que o angustiavam, Agostinho começou a se desiludir com o maniqueísmo, seita a qual seguiu durante vários anos para desgosto de sua mãe. Depois de perceber que esta seita não possuía as verdades as quais ele buscou durante toda sua vida, começou a se distanciar dela aos poucos.
Mesmo desiludido, Agostinho, não se afastou totalmente do maniqueísmo e esperou até encontrar algo que sanasse seu desejo pela verdade.

“Com efeito, não encontrando solução melhor, decidira contentar-me temporariamente com ela, até encontrar algo mais claro que merecesse ser abraçado” Confissões.

Agostinho deixou Cartago e foi ensinar em Roma. Soube que lá os alunos tinham mais interesse em aprender e respeitavam os seus mestres, isto foi um dos principais motivos para sua mudança, além também do estimulo dado pelos amigos que prometiam que lá ele ganharia bem mais e seria mais respeitado.
Em Roma começou a ensinar retórica e aos poucos foi ficando conhecido graças a seus alunos. Mas os estudantes romanos, apesar das qualidades que ele desejava encontrar e que realmente possuíam, tinham um defeito que para Agostinho era imperdoável, costumavam trocar de professor com certa Constancia para não pagar pelas aulas. Ao saber que Milão tinha pedido que Roma os enviasse um professor de retórica, Agostinho falou com alguns amigos e conseguiu o emprego em Milão. 

“Assim que cheguei a Milão, encontrei o bispo Ambrósio, conhecido no mundo inteiro como um dos melhores, e teu fiel servidor. Suas palavras ministravam constantemente ao povo a substância do teu trigo, a alegria do teu óleo e a embriaguez sóbria do teu vinho”. Confissões
Ambrósio era bastante conhecido pelos seus discursos, e logo Agostinho decidiu acompanhar seus discursos para averiguar sua eloqüência e para ver se merecia toda esta fama e ver. Agostinho se impressionou com a eloqüência com a qual Ambrósio falava e não se preocupou com seu conteúdo.

“Eu me encantava com a suavidade de seu modo de discursar; era mais profundo, embora menos jocoso e agradável que o de Fausto quanto a forma. A respeito do conteúdo, porém, não era possível qualquer comparação: perdia-se esse último entre as falsidades dos maniqueus, ao passo que o outro ensinava a doutrina mais sadia da salvação”Confissões.

“Seus discursos eram sempre dirigidos ao que era essencial e determinante para a vida prática; eram simples e realistas em vez de eruditos, mas sem perder de vista a plena integridade do homem” Campenhausen, H. Von, Os Pais da Igreja, Pág. 251.

Ambrósio foi consagrado Bispo no final do ano de 374. Foi eleito de forma um tanto que inesperada: enquanto os nicenos e os arianos tentavam fazer com que seus favoritos fossem escolhidos para bispo de Milão após a morte de Auxentio, Ambrósio tentava fazer com que não houvesse mais brigas entre esses dois grupos e acabou sendo eleito para o cargo.
Sua inteligência e simplicidade encantavam Agostinho, que, como vemos na sua obra Confissões, foi muito influenciado por este bispo por quem tinha muita admiração. Assistindo os sermos de Ambrósio, aos poucos Agostinho foi percebendo que o que antes havia atacado com veemência agora não parecia ser tão errado, viu que a fé católica era diferente do que ele imaginava. 

“Comecei então a notar que eram defensáveis suas teses, e logo vim a perceber não ser temerário defender a fé que eu supunha impossível opor aos ataques dos maniqueus” Confissões.

Com sua dúvida ainda existente, Agostinho abandona as idéias e a seita maniqueísta. Embora não tenha virado cristão imediatamente, o fato de ter deixado de ser maniqueísta alegrou muito sua mãe, Mônica.
“Assim, duvidando de tudo, à maneira dos acadêmicos – como se imagina comumente – flutuando entre todas as doutrinas, resolvi abandonar os maniqueus” Confissões.

O foi medo que fez com que Agostinho não se convertesse imediatamente ao cristianismo. Ele não queria cometer o mesmo erro que cometeu com o maniqueísmo, e resolveu que deveria esperar até que estivesse totalmente seguro de que esta era o caminho a ser seguido.

“Parecia-me, nesse momento de dúvida, que não devia permanecer nessa seita, que eu colocava em plano inferior a alguns filósofos, se bem que recusasse terminantemente confiar a seus cuidados a fraqueza da minha alma, por ignorarem eles o nome de Cristo. Resolvi então permanecer como catecúmeno na Igreja católica, conforme o desejo de meus pais, até que alguma certeza viesse apontar-me o caminha a seguir” Confissões.

Até ser batizado, na Páscoa de 387, Agostinho estudou a fé católica, assistiu a diversos sermões de Ambrósio, ficou sabendo de histórias de outras pessoas que antes se posicionavam contra a igreja, e agora tinham sido batizadas. Quanto mais ele conhecia, mas ele via que tinha encontrado a verdade. Porém, ainda hesitava em ser batizado, pois tinha medo de abandonar as vontades da carne. 

“Ficava preso às mais insignificantes bagatelas, às vaidades das vaidades, minhas velhas amigas que me solicitavam a natureza carnal, murmurando: ‘Tu nos vais abandonar?’ E também: ‘De agora em diante, nunca mais estaremos contigo’. E ainda: ‘De agora em diante, não poderás mais fazer isso e aquilo’! [...] Sentia-me envergonhado por ainda dar ouvidos ao sussurro daquelas tolices, e indeciso hesitava” Confissões.

Como havia participado da seita maniqueísta durante muitos anos, e conhecia bem sua filosofia e como eles atacavam a igreja católica, Agostinho começou a revidar os ataques maniqueus da mesma forma que estes atacavam a igreja. Usou a própria filosofia maniqueísta para desmenti-los. Em seu livro Confissões ele dedica alguns dos capítulos para atacar os maniqueístas, como no capítulo “Contra os maniqueus”Confissões. onde ele fala sobre a dualidade maniqueísta onde a pessoa sempre tem duas opções para escolher, uma boa e outra má, nunca duas boas ou duas más.
Ainda indeciso sobre qual rumo tomar em sua vida, se deveria ou não se entregar totalmente à fé cristã. Seu espírito se consumia cada vez mais com esta incerteza, e então pediu que Deus o mostrasse o caminha ao qual deveria tomar:

“E tu, Senhor, até quando? Até quando continuarás irritado? Não te lembres de nossas culpas passadas! Sentia-me ainda preso ao passado, e por isso gritava desesperadamente: ‘Por quanto tempo, por quanto tempo direi ainda: amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não pôr fim agora à minha indignidade?”Confissões. 

Não sabe Agostinho se por vontade divina, ou por outro motivo, ele escutou a voz de uma criança cantarolando “toma e lê, toma e lê”. Ele tomou isso como uma mensagem divina e foi para a bíblia e leu o primeiro capítulo que viu.

“Não em orgias e bebedeiras, nem na devassidão e libertinagem, nem nas rixas e ciúmes. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não procureis satisfazer os desejos da carne (Romanos 13, 13)” Confissões.

Depois disto, todas os seus medos e incertezas passaram e ele finalmente resolveu que iria ser batizado. O batismo levou alguns meses para acontecer, mas durante este tempo Agostinho aprofundou seus conhecimentos sobre o catolicismo e foi passar um tempo numa propriedade de seu amigo Verecundo. Pediu que Ambrósio o indicasse algum livro, e este o indicou o livro de Isaías.

“Agostinho entregou-se a essa leitura, mas era um pão duro para os seus dentes… de leite. Continuou então com as cartas de São Paulo. O convertido do caminho de damasco era cioso do convertido sob a figueira de Milão!” CREMONA, Carlo, Agostinho de Hipona, A razão e a fé; editora Vozes, 1990, Petrópolis – RJ. Pág. 110.
Antes de partir ele havia abandonado sua cadeira de retórica, ele achou que não mais deveria ser um “comerciante de tagarelices” Confissões.

Em Cassiciaco, Agostinho começou a “sentir o gosto” da vida monástica. Produziu bastantes obras nesta época, alguns dos seus Diálogos foram feitos e copiados nestes meses que passou na casa de Verecundo com seu filho, sua mãe e vários amigos. 

Agostinho cada vez mais mostrava interesse na fé católica. Acreditava ter encontrado a verdade, algo pelo qual realmente valeria a pena lutar. Partiu em direção à Milão, com a intensão de se inscrever para o batismo, a inscrição deveria ser feita no dia 14 de março, primeiro domingo da quaresma. Ele, seu filho e seu amigo Alípio se dirigiram a Milão com a intensão de que fossem batizados, sua mãe foi com eles para poder presenciar o batismo de seu filho.
Eles foram batizados no dia 24 de abril de 387, em Milão, pelo bispo desta cidade, Ambrósio, que foi um dos responsáveis pela a conversão de Agostinho.
Mônica ficou muito feliz ao ver seu filho ser batizado, há muito anos ela rezava para que seu filho se tornasse católico, e muito ao ver seu filho batizado ficou realizada.
Pouco após ser batizado, Agostinho decidiu que deveria voltar a Tagaste com sua família, e então partiram de Milão. Ao chegar em Óstia, ficaram sem poder continuar viagem por causa do mau tempo, e então decidiram permanecer ali, até poderem viajar.
Em Óstia, Mônica e Agostinho tiveram um encontro místico onde tentaram descobrir a verdade sobre Deus. Neste dia, enquanto conversavam Mônica revelou a agostinho que não mais possuía desejo de viver.

“Meu filho, nada mais me atrai nesta vida; não sei o que estou fazendo ainda aqui, nem porque ainda estou aqui. Já se acabou toda esperança terrena. Por um só motivo desejava prolongar minha vida nesta terra: ver-te católico antes de eu morrer”. Confissões.

Poucos dias após isso, Mônica caiu de cama com febre, perdeu os sentidos algumas vezes. Seu estado de saúde era muito grave, e poucos dias depois veio a falecer. Seu funeral foi realizado em Óstia mesmo, longe do corpo de seu marido que se encontrava em Tagaste. 

Depois de perder sua mãe agostinho volta para a sua cidade natal, e vai morar numa propriedade de sua família, onde funda um monastério, que vive com diversos outros católicos que desejavam seguir esta vida de abnegação. Seu filho Adeodato fazia também parte do mosteiro, e um dia pediu ao pai que fizesse um dos Diálogos com ele, que atendeu o seu pedido, e fez junto ao seu filho o Diálogo intitulado “O Mestre”.
Depois de um tempo Adeodato também morre, e Agostinho passa a se dedicar cada vez mais à igreja. Em 391 torna-se sacerdote na cidade de Hipona e mais tarde torna-se bispo da mesma.
Em 391 ele foi ordenado sacerdote em Hipona (hoje Annaba, na Argélia). Em 396 foi eleito bispo coadjutor de Hipona (auxiliar, com o direito de sucessão depois da morte do bispo corrente) e pouco depois bispo principal. Ele permaneceu nessa posição em Hipona até sua morte em 430.
Ele deixou o seu mosteiro, mas continuou a levar uma vida monástica na residência episcopal.Ele deixou uma regra (latim, regulamentos) para seu mosteiro que o levou ser designado o “santo padroeiro do clero regular”, isto é, sacerdotes que vivem por uma regra monástica.
Sua vida foi registrada pela primeira vez por seu amigo São Possídio, bispo de Calama, no seu Sancti Augustini Vita. Descreveu-o como homem de poderoso intelecto e um enérgico orador, que em muitas oportunidades defendeu a fé católica contra todos os detratores.
Possídio também descreveu traços pessoais de Agostinho com detalhe, desenhando um retrato de um homem que comia com parcimónia, trabalhou incansavelmente, desprezando fofocas, rejeitadando as tentações da carne, e que exerceu a prudência na gestão financeira conforme sua posição e autoridade de bispo. 

perolas de s.Agostinho

De Santo Agostinho tem-se muito que dizer. Gostaria, no entanto de frisar algumas de suas frases. Já reparou como grandes homens nos ofertam pérolas de pensamentos? Guardo duas bem de cor. A primeira nos ensina muito sobre a tolerância: “Na dúvida, liberdade; Na certeza, unidade; Em tudo, caridade”. A outra foi dita ao ser escolhido para dirigir sua comunidade: “Temo o que sou para vós: bispo; consola-me o que sou convosco: irmão”. Ah se o mundo ouvisse Agostinho! Quantos conflitos poderiam ser evitados… Ah se rendesse ao sabor de seu conhecimento!

Em certos momentos pode-se ler sua alma: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora. Estavas comigo e não eu contigo. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti”. Releia em voz alta. Perceba que há sonoridade, arte…

Há muitas outras frases maravilhosas de Santo Agostinho. Que merecem ser conhecidas. Fazem bem para o espírito e para o ouvido. Como:

- “O rico enche a bolsa de moedas e a alma de preocupação”;

- “Geralmente suspeitamos dos demais o que sentimos em nós”;

- “Ninguém consegue erguer outro alguém a seu próprio nível a não ser que ele próprio desça até o nível do outro”.

Sua vida não é tranquila: missa diária, prega até duas vezes ao dia, dá catequese, administra bens temporais, resolve questões de justiça (cerca, muro, dívidas, brigas de família…), atende aos pobres e orfãos, etc.
Pouco antes da morte de Agostinho, a África romana foi invadida pelos Vândalos, uma tribo guerreira com simpatias com o Arianismo. Pouco depois de Hipona ser cercada pelos bárbaros Agostinho adoeceu; Possídio relata que ele gastou seus últimos dias em oração e penitência, pedindo para que os Salmos penitenciais de Davi fossem pendurados em sua parede para que ele pudesse ler. Pouco tempo após sua morte, os Vândalos levantaram o cerco de Hipona, mas não muito tempo depois eles voltaram e queimaram a cidade. Eles destruíram tudo, mas a catedral de Agostinho e a biblioteca ficaram inalteradas.
Agostinho foi canonizado e reconhecido como um Doutor da Igreja. 

 

 

 

 

 

 

 

 



Atanásio – Santo e Doutor da Igreja
Setembro 17, 2009, 2:04 am
Arquivado em: santos

Atanásio – Santo e Doutor da Igreja

Atanásio foi, sem dúvida, um dos Padres da Igreja antiga mais importantes e venerados. Mas, sobretudo, este grande santo é o apaixonado teólogo da encarnação do «Logos», o Verbo de Deus que, como diz o prólogo do quarto Evangelho, «se fez carne e pôs sua morada entre nós» (João 1, 14).

Precisamente por este motivo, Atanásio foi também o mais importante e tenaz adversário da heresia ariana, que então era uma ameaça para a fé em Cristo, reduzido a uma criatura «intermédia» entre Deus e o homem, segundo uma tendência que se repete na história e que também hoje constatamos de diferentes maneiras.

Nascido provavelmente em Alexandria, no Egito, por volta do ano 300, Atanásio recebeu uma boa educação antes de converter-se em diácono e secretário do bispo da metrópole egípcia, Alexandro.

Próximo colaborador de seu bispo, o jovem eclesiástico participou com ele do Concílio de Nicéia, o primeiro de caráter ecumênico, convocado pelo imperador Constantino em maio do ano 325 para assegurar a unidade da Igreja. Os Padres de Nicéia puderam deste modo discutir várias questões, principalmente o problema originado alguns anos antes pela pregação do presbítero de Alexandria, Ário.

Este, com sua teoria, ameaçava a autêntica fé em Cristo, declarando que o «Logos» não era verdadeiro Deus, mas um Deus criado, um ser «intermédio» entre Deus e o homem e deste modo o verdadeiro Deus sempre permanecia inacessível para nós. Os bispos, reunidos em Nicéia, responderam redigindo o «Símbolo da fé», que completado mais tarde pelo primeiro Concílio de Constantinopla, permaneceu na tradição das diferentes confissões cristãs e na liturgia como o «Credo niceno-constantinopolitano».

Neste texto fundamental, que expressa a fé da Igreja sem divisão, e que ainda recitamos hoje, todo domingo, na celebração eucarística, aparece o termo grego «homooúsios», em latim «consubstantialis»: indica que o Filho, o «Logos», é «da mesma natureza» do Pai, é Deus de Deus, é sua natureza, e deste modo se sublinha a plena divindade do Filho, que era negada pelos arianos.

Fonte:sucessão a apostólica



ESPECIALISTA DEPOE SOBRE O MILAGRE DE LOURDES
Setembro 16, 2009, 6:03 am
Arquivado em: nossa senhora de lurdes, santos

Palco de grandes milagres ainda em nossos dias, a pequena cidade francesa de Lourdes, nos contrafortes dos Pireneus, foi o lugar escolhido por Nossa Senhora para aparecer, em 1858, à camponesa Santa Bernadete Soubirous. O que entende a Igreja Católica por cura milagrosa? Quais os critérios empregados para que se reconheça oficialmente uma cura? A essas e outras questões responde um profundo conhecedor do assunto: o médico responsável do Bureau Médical de Lourdes, Dr. Patrick Theillier. Formado pela Faculdade de Lille, no norte da França, especialista do aparelho digestivo, trabalhou na Cooperação Militar no Marrocos como Médico Responsável do Hospital de Targuist. Foi professor de cursos de Homeopatia na Universidade de Lille e é detentor de diplomas de Medicina do Trabalho Agrícola, Acupuntura e Homeopatia. Desde abril de 1998 é o médico permanente do Santuário de Lourdes, Presidente da Association Médical International de Lourdes (AMIL) e redator-chefe do Boletim da AMIL (trimestral de 10.000 assinantes, divulgado em cinco línguas). Autor de dois livros: Une nouvelle approche biomédicale des maladies chroniques: l’endothérapie multivalente (juntamente com o Doutor Michel Geffard), publicado em 2000 por F-X de Guilbert; e Et si on parlait des miracles…, editado em 2001 por Presses de la Renaissance, Paris, traduzido em Portugal com o título E se falássemos sobre… Milagres? pela editora Sopa de Letras. O Dr. Theillier recebeu nosso enviado especial, Sr. Miguel da Costa Carvalho Vidigal, no próprio Consultório Médico de Lourdes, para esta entrevista, mediante a qual podemos constatar, uma vez mais, a ocorrência do sobrenatural através da água de Lourdes. “Devo estudar, com todos os médicos que passam por Lourdes, uma causa da cura apresentada, que possa ser natural ou terapêutica. No total, devo dar a volta na questão, para depois propor tal cura á Igreja” Catolicismo — O Sr., como responsável pelo Consultório Médico de Lourdes, poderia explicar aos leitores de Catolicismo o trabalho que realiza aqui? Dr. Patrick Theillier — Inicialmente, o trabalho consiste em receber os peregrinos, os doentes, que supõem ter sido beneficiados por uma graça de cura por intercessão de Nossa Senhora de Lourdes. São eles próprios que o dizem e vêm testemunhar esse fato. Eu anoto e procuro investigar se existe a possibilidade de que essa cura seja reconhecida como milagrosa. É a primeira etapa. A segunda, nos casos que me parecem mais probatórios, inicio uma pesquisa médica, recolhendo todos os documentos anteriores à cura, que é o mais importante e o mais complicado; e os posteriores, para estar bem seguro de que ela realmente existiu. Devo estudar, com todos os médicos que passam por Lourdes, uma causa dessa cura que possa ser natural ou terapêutica. No total, devo dar a volta em torno da questão, para depois propor tal cura à Igreja, a fim de que Ela reconheça o milagre. O trabalho em meu consultório, que coincide com o tempo entre a declaração voluntária e espontânea daquele que foi curado e o reconhecimento da Igreja, é ao mesmo tempo médico e científico. Catolicismo — Quantos médicos fazem parte desse Consultório? Como ele funciona? Dr. Patrick Theillier — Eu sou o único médico de plantão, mas todos os médicos que passam por Lourdes podem participar desse trabalho. Eu edito uma pequena revista, “Boletim da AMIL”, que é enviada a todos os médicos profissionais da saúde que desejam e aos inscritos nessa associação. Ela tem a tiragem de 10 mil exemplares, em cinco línguas, e é enviada a 75 países. “É bom saber que o número de curas declaradas pela medicina é 100 vezes maior do que as reconhecidas pelas autoridades eclesiásticas. Sempre aparecem casos novos, e tenho sempre mais ou menos cinqüenta casos para estudar. São as curas que foram declaradas nos últimos 10 ou 12 anos e que me parecem sérias” Catolicismo — Somente médicos católicos fazem parte? Dr. Patrick Theillier — Qualquer médico pode entrar na associação, desde que esteja interessado e que não tenha mau espírito. Não pergunto a religião deles. Muitos médicos vêm aqui, evidentemente a grande maioria é católica, mas não obrigatoriamente praticantes. Eles vêm igualmente para fazer pesquisas ou simplesmente com uma finalidade humanitária para ajudar os doentes. Catolicismo — Desde quando existe esse Consultório Médico? Dr. Patrick Theillier — O Consultório Médico de Lourdes existe desde os anos 1880, há mais de 120 anos! Passaram por aqui 12 médicos responsáveis. Eu sou o décimo segundo. Mas a história da medicina em Lourdes data das aparições. Foi o médico de Santa Bernadete, o Doutor Douzous, que assistiu a várias aparições e também a examinou, juntamente com outros médicos, para ver se ela era sã de corpo e espírito. Este consultório começou realmente nessa época, mas logo ocorreram algumas curas, já durante a época das aparições. O bispo da época, Dom Laurence, logo após o final das aparições, havia estabelecido uma primeira comissão médica, sob a égide do Dr. Vergès, professor de medicina termal em Montpellier, para fazer as primeiras constatações e o primeiro trabalho de reconhecimento. Deste modo, o Dr. Vergès estudou todos os primeiros casos durante os três primeiros anos. Isso levou Dom Laurence a reconhecer, em 18 de fevereiro de 1862, as aparições de Lourdes, baseando-se evidentemente no testemunho de Santa Bernadete, que era fundamental, mas também nas curas ocorridas desde então e já reconhecidas pela medicina. Foram estudados e transmitidos a Dom Laurence mais ou menos 40 casos. Ele reteve sete, que foram assim os primeiros sete milagres de Lourdes. Catolicismo — Qual foi o primeiro milagre reconhecido oficialmente? Dr. Patrick Theillier — O primeiro milagre foi o de Catherine Latapie, que era uma mulher de 38 anos. Ela tinha dado à luz quatro filhos, dois já haviam morrido. Na noite de 28 de fevereiro para o dia 1º de março 1858, sentiu a necessidade de vir à Gruta de Massabielle [nome da gruta onde Nossa Senhora apareceu]. Dois anos antes, ela caíra de uma árvore e tinha uma paralisia cubital no braço direito, que a atrapalhava enormemente em suas atividades. Além disso, ela estava grávida. Apesar disso tudo, não hesitou em vir durante a noite para assistir à aparição que aconteceu naquele dia — a décima segunda. Quando tudo tinha terminado, ela subiu na gruta, pois naquela época era preciso escalar um pouco. E encontrou a fonte em que, três dias antes, Nossa Senhora tinha pedido a Santa Bernadette para lavar-se. A Sra. Latapie colocou a mão, e logo em seguida ficou com o uso completo do braço direito. Partindo de volta a pé para casa, a seis quilômetros da gruta, ela sentiu as dores do parto e deu à luz um filho que se chamou Jean-Baptiste. Mais tarde ele tornar-se-ia padre. Catolicismo — Quantos milagres foram reconhecidos até hoje? Dr. Patrick Theillier — Sessenta e seis milagres foram reconhecidos oficialmente pela Igreja. Seria bom explicar que é sempre o bispo da diocese, da qual vem a pessoa que foi curada, que reconhece o milagre. Portanto, não é o Papa nem o Vaticano, e tampouco o bispo da diocese de Tarbes-Lourdes. Pelo mundo inteiro, o bispo local é quem recebe o dossiê reconhecido pela medicina. No entanto, é bom saber que o número de curas declaradas pela medicina é 100 vezes maior do que as reconhecidas pelas autoridades eclesiásticas. Apenas uma cura sobre 100 declarações, em média, é reconhecida de modo oficial. “Enquanto médico católico, creio que em cada ser humano existe uma dimensão espiritual que é inerente à natureza humana. Considero que a cura física é um sinal da benevolência e da misericórdia de Deus em relação ao doente, ao pecador, mas que não acontece sem uma cura interior” Catolicismo — Existem casos recentes? Dr. Patrick Theillier — Claro, sempre aparecem casos novos. Sempre tenho mais ou menos cinqüenta casos para estudar. São as curas que foram declaradas nos últimos 10, 12 anos, e que me parecem sérias. Necessito estudar alguns casos de câncer, por exemplo. Mas há uma dificuldade quanto ao câncer. É uma doença que obrigatoriamente é tratada logo. Assim, é preciso distinguir aquilo que poderia ser considerado um tratamento, na origem da cura. É um longo trabalho que necessita tempo, estudos. É preciso comparar com outras eventuais curas ocorridas no mundo. Dessa forma, novas declarações aparecem sempre. Catolicismo — Quanto tempo pode levar para estudar e reconhecer um milagre? Dr. Patrick Theillier — No mínimo cinco anos, já que não se fala de cura na medicina antes disso. Mas, em geral, de 10 a 12 anos. Recebo mais ou menos 35 declarações por ano, e destas, entre três e cinco serão objeto de uma pesquisa. Catolicismo — Como o Consultório toma contato com as pessoas curadas? Dr. Patrick Theillier — Nós aguardamos as solicitações. São as pessoas que tomam contato voluntariamente, seja por telefone, pessoalmente, ou então por correio postal ou eletrônico, tudo é possível. Há casos também de pessoas que foram curadas somente rezando a Nossa Senhora de Lourdes, sem nunca terem vindo orar diante da Gruta. Catolicismo — Há um tipo de cura mais freqüente que outros? Dr. Patrick Theillier — Não. Existem todos os cenários possíveis, todos os tipos de doenças. Catolicismo — Quando se vem a Lourdes, pode-se ler e escutar em vários lugares que “o milagre maior que se produz diante da Gruta, ou durante a peregrinação, é o milagre na alma, mais do que o do corpo”. Como o Sr., enquanto médico católico, sente isso? Dr. Patrick Theillier — Enquanto médico católico, creio que em cada ser humano existe uma dimensão espiritual que é inerente à sua natureza. Somos criados à imagem e semelhança de Deus, existe em nós uma fonte de vida eterna. Considero que a cura física é um sinal da benevolência e da misericórdia de Deus em relação ao doente, ao pecador, mas que não acontece sem uma cura interior. No Evangelho, todas as curas são sempre acompanhadas de uma cura interior: “Vai, tua Fé te curou”; “A partir de agora não peques mais”, e assim por diante. É, portanto, cura que é sinal de um restabelecimento total da pessoa. Acredito que em Lourdes é assim. A cura física é a única visível, a única sobre a qual podemos nos debruçar, trabalhar, estudar e precisar, mas todas as curas físicas tocam a pessoa em toda a sua dimensão, seja ela física, psíquica ou espiritual. Posso dizer-lhe que uma pessoa que vive uma cura divina – pois a cura milagrosa é uma cura divina – não esquece nunca, representa algo muito forte na sua existência, há um antes e um depois, isso a toca profundamente. Essas curas físicas são as únicas visíveis, mas elas devem ser vistas como um sinal das curas invisíveis que têm lugar aqui, e que são talvez mais numerosas e importantes: as curas do coração, da alma, a cura do pecado, a reconciliação com Deus, com os outros e consigo mesmo. É preciso entender como uma cura interior, uma cura de todas as feridas que nós acumulamos durante nossa existência, e que naquele momento particular precisam ser tratadas e curadas. Assim, acredito que não se pode apenas fixar o lado “prodigioso” do milagre físico — freqüentemente maravilhoso, claro — mas procurar o sentido que está escondido atrás dele, que é a cura interior. Catolicismo — As pessoas que foram curadas em Lourdes também têm a percepção disso? Dr. Patrick Theillier — Narro-lhe a história de um senhor de 67 anos, que veio aqui contar-me uma cura que ele obteve em 1963, exatamente há 40 anos, mas que ele nunca esqueceu. Durante o serviço militar na Argélia, ele foi atingido por uma doença chamada sacro-coxalgia tuberculosa. Propuseram-lhe de vir a Lourdes, quando ele já estava havia vários meses no Hospital Militar de Bordeaux, repatriado por causa da doença. É preciso dizer que ele tinha sido declarado, pelo sistema de saúde francês, como 100% inválido, beneficiando-se com a aposentadoria correspondente a isso. Chegando aqui, sugeriram-lhe ir banhar-se nas águas de Lourdes. Ele aceitou, mas como havia um gesso de seu pescoço até os pés, impossível de ser retirado, foi apenas aplicada do lado de fora do gesso, no local dolorido, uma esponja umedecida. Quando ele voltou ao hospital de Bordeaux e tiraram a radiografia, à qual ele se submetia a cada três semanas, todo mundo ficou surpreso de ver que a sacro-coxalgia estava completamente curada. Ele pôde voltar para casa, mas nunca esqueceu o milagre. Apesar de ter vivido no Haiti, no Chile e em Ruanda, a cada dois anos ele vinha em peregrinação agradecer a Nossa Senhora de Lourdes com toda sua família. Entretanto, ele nunca tinha vindo ao consultório. Só depois que ele me viu na televisão, veio aqui para descrever, com enorme emoção, a sua história. Foi obrigado diversas vezes a parar, de tanto que chorava ao contar aquilo que tinha vivido 40 anos antes, com pouco mais de 20 anos de idade. Catolicismo — Alguma cura tocou-lhe especialmente? Dr. Patrick Theillier — Para ser sincero, todas as curas me tocaram. A que me sensibiliza mais especialmente é sempre a última. Por quê? Simplesmente porque todas as curas são maravilhosas. Pode-se sentir que as pessoas que foram curadas passaram por algo de sobrenatural, de muito forte. Elas são tocadas por alguma coisa que ultrapassa a natureza, é uma experiência fundadora em suas vidas. E tudo isso é muito emocionante, não há uma mais bela do que outra: todas elas o são. Catolicismo — Houve casos de médicos que, vindo a Lourdes, se converteram após constatar um milagre? Dr. Patrick Theillier — Sim, por exemplo o Doutor Aléxis Carrel [Prêmio Nobel de Medicina, 1912] que tinha acompanhado uma doente realmente grave, pois ela estava em estado de coma terminal de uma tuberculose generalizada. Ele assistiu, diante da Gruta, essa doente como que “ressuscitar”. Foi uma cura extraordinária, mas ele não podia admitir devido à sua formação positivista. Entretanto, no fim da vida, quando ele morreu, foi encontrado um manuscrito, no qual conta sua viagem a Lourdes e reconhece ter assistido a um milagre. Catolicismo — O médico responsável por esse Consultório, na época do escritor Émile Zola, manteve uma polêmica com este, não é verdade? Dr. Patrick Theillier — Com efeito, Zola veio aqui no fim do século XIX, interessado em conhecer, pois falava-se muito de tudo o que se passava em Lourdes. O Dr. Boissarie, um dos meus predecessores, abriu todas as portas do Consultório Médico, e o escritor teve a possibilidade, durante o tempo em que esteve aqui, de assistir a duas verdadeiras curas milagrosas de duas jovens, de quem temos os registros em nosso Consultório até hoje. Voltando a Paris, Zola escreveu seu livro sobre Lourdes, onde ele conta de um modo impecável esses dois milagres. O problema é que ele transformou a realidade, dizendo que as duas tiveram uma recaída e morreram de suas doenças, o que é absolutamente falso. O Doutor Boissarie foi a Paris vê-lo, em uma conferência aberta ao público, e interpelou Zola, mostrando que ele tinha modificado a realidade. O escritor respondeu que ele era um romancista, que tinha o direito de colocar o que bem entendesse em seus livros… Na verdade, as duas meninas foram realmente curadas de suas doenças, nunca tiveram recaídas e eram idosas quando morreram. Sempre é possível modificar a realidade, quando não se quer acreditar. É a liberdade humana… Catolicismo — Em seu ponto de vista, qual é o sentido dessas curas? Dr. Patrick Theillier — Acredito que a cura é para todos, não somente reservada a alguns. Caso contrário, seria injusto; poder-se-ia perguntar: por que alguns se curam e outros não? Somos todos chamados a ser curados, cedo ou tarde, das nossas feridas, dos nossos pecados. É preciso viver na esperança e entender que Deus nos ama, que Ele não está na origem do mal, da doença ou da invalidez. Caso contrário, viveremos como revoltados. É preciso entender que Ele sofreu e deu a sua vida por nós e nos salvou. O mais importante é a saúde espiritual, é preciso ver essas curas físicas dentro de uma perspectiva de eternidade, como uma antecipação da ressurreição do nosso corpo. FONTE:FRENTE UNIVERSITÁRIA LEPANTO



didaque parte I
Setembro 13, 2009, 10:55 pm
Arquivado em: igreja, santos

26/03/2008 00:00:02
Patrística – Didaque – Parte I

“DOUTRINA DOS DOZE APÓSTOLOS” – Parte I

Primeiro documento utilizado na catequese do século I. Teve várias redações, que definem as etapas da catequese para os missionários no meio judeu-cristão.
Possui uma parte doutrinária e outra litúrgica.

Introdução (Didaqué) do Senhor aos gentios.

Capítulo I – Amor a Deus e ao próximo
Os dois caminhos: o da vida exige o amor a Deus e ao próximo

1 – Há dois caminhos: um da vida e outro da morte [Cf Jer 21,8; Dt 5,32s; 11,26-28; 30,15-20; Ecli 15,15-17]. A diferença entre ambos é grande.
2 – O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro amarás a Deus que te fez; depois a teu próximo como a ti mesmo [Cf Dt 6,5; 10,12s; Ecli 7,30; Lev 19,18; Mt 22,37]. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro [Cf Mt 7,12; Lc 6,31].
3 – Eis a doutrina relativa a estes mandamentos: Bendizei aqueles que vos amaldiçoam, orai por vossos inimigos, jejuai por aqueles que vos perseguem. Com efeito, que graça vós tereis, se ama is os que vos amam? Não fazem os gentios o mesmo? Vós, porém, amai os que vos odeiam e não tenhais inimizade [Cf Mt 5,44s; Lc 6,27s; 6,32s].
4 – Abstém-te dos prazeres carnais [Cf 1Ped 2,11]. Se alguém te bate na face direita, dá-lhe também a outra e tu serás perfeito. Se alguém te obrigar a mil (passos), anda dois mil com ele. Se alguém tomar teu manto, dá-lhe também tua túnica. Se alguém toma teus bens, não reclames, pois de todo o jeito não podes [Cf Mt 5,39ss; Lc 6,29].
5 – Dá a todo aquele que te pedir, sem exigir devolução. Pois a vontade do Pai é que se dê dos seus próprios dons. Bem-aventurado é aquele que dá conforme a lei, pois é irrepreensível. Ai daquele que toma (recebe)! Se, porém, alguém tiver necessidade de tomar (receber), é isento de culpa. Mas se não estiver em necessidade, terá que se responsabilizar pelo motivo e pelo fim por que recebeu. Colocado na prisão, ele não sairá de lá, até ter pago o último quadrante (vintém) [Mt 5,25s; Lc 12,58s].
6 – Mas é verdade que a este propósito também foi dito: Que tua esmola sue em tuas mãos, até que souberes a quem dar [Cf Ecli 12,1].

Capítulo II – Deveres para com a vida (aborto)
Dos deveres para com a vida e a propriedade do próximo

1 – O segundo mandamento da Instrução (Didaqué) é:
2 – Não matarás, não cometerás adultério; não te entregarás à pederastia, não fornicarás, não furtarás, não exercerás magia, nem bruxaria (charlatanice). Não matarás criança por aborto, nem criança já nascida; não cobiçarás os bens do próximo.
3 – Não serás perjuro [Cf Mt 5,33; Ex 20,7], nem darás falso testemunho; não falarás mal do outro, nem lhe guardarás rancor.
4 – Não usarás de ambigüidade nem no pensamento nem na palavra, pois a duplicidade é uma trama fatal [Cf Prov 21,6].
5 – Tua palavra não seja falsa, nem vã; mas, ao contrário, seja cheia de sinceridade e seriedade (comprovada pela ação).
6 – Não serás cobiçoso nem rapace, nem hipócrita, nem malicioso, nem soberbo. Não nutrirás má intenção contra teu próximo [Cf Ex 20,13-17; Dt 5,17-21].
7 – Não odiarás ninguém, mas repreenderás uns e rezarás por outros, e ainda amarás aos outros mais que a ti mesmo (que tua alma).

Capítulo III – Contra a paixão e idolatria
Advertências contra a paixão e a idolatria

1 – Meu filho, evita tudo o que é mau e semelhante ao mal.
2 – Não sejas odiento, pois o ódio conduz à morte; nem ciumento, nem brigalhão ou provocador, pois de tudo isso nascem os homicidas.
3 – Meu filho, não sejas cobiçoso de mulheres, pois a cobiça conduz à fornicação. Evita a obscenidade e os maus olhares, pois de tudo isto nascem os adúlteros.
4 – Meu filho, não sejas dado à adivinhação, pois ela conduz à idolatria. Abstém-te também da encantação (feitiçaria) e da astrologia e das purificações, nem procures ver ou ouvir (entender) estas coisas, pois tudo isto origina a idolatria.
5 – Meu filho, não sejas mentiroso, pois a mentira conduz ao roubo; não sejas avarento ou cobiçoso de fama, pois tudo isto origina o roubo.
6 – Meu filho, não sejas furioso, pois isto conduz à blasfêmia; não sejas insolente nem malvado, pois tudo isto origina as blasfêmias.
7 – Sê, antes, manso, pois os mansos possuirão a terra [Cf Mt 5,5; Sl 31,11].
8 – Sê longânime, misericordioso, sem falsidade, tranqüilo e bom e guarda com toda a reverência a instrução ouvida.
9 – Não te eleves a ti mesmo e não entregues teu coração à insolência; não vivas com os ‘grandes’, mas com os justos e humildes.
10 – Tu aceitarás os acontecimentos da vida como sendo bons, sabendo que a Deus nada daquilo que acontece é estranho.

Capítulo IV – Deveres dos senhores e empregados
É melhor dar que receber. Deveres do senhor e dos escravos

1 – Meu filho, lembra-te dia e noite daquele que te anuncia a palavra de Deus e o honrarás como ao Senhor, pois onde se proclama sua soberania aí está o Senhor presente [Cf Hb 13,7].
2 – Todos os dias procurarás a companhia dos santos, para encontrar apoio em suas palavras.
3 – Não causarás cismas, mas reconciliarás os que lutam entre si. Julgarás de maneira justa, sem considerar a pessoa na correção das faltas [Cf Dt 1,16s; Prov 31,9].
4 – Não demorarás em procurar o que te há de acontecer ou não.
5 – Não terás as mãos sempre estendidas para receber, retirando-as quando se trata de dar.
6 – Se possuíres algo, graças ao trabalho de tuas mãos, dá-o em reparação por teus pecados.
7 – Não hesitarás em dar e, dando, não murmurarás, pois algum dia reconhecerás quem é o verdadeiro dispensador da recompensa.
8 – Não repelirás o indigente, mas antes repartirás tudo com teu irmão, não considerando nada como teu, pois, se divides os bens da imortalidade, quanto mais o deves fazer com os corruptíveis [Cf At 4,32; Heb 13,16].
9 – Não retirarás a mão de teu filho ou de tua filha, mas desde sua juventude os instruirás no temor a Deus.
10 – Não darás ordens com rancor ao teu povo ou à tua serva, que esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus que está acima de todos. Com efeito, Ele não virá chamar segundo a aparência da pessoa, mas segundo a preparação do espírito.
11 – Vós, servos, sede submissos aos vossos senhores como se eles fossem uma imagem de Deus, com respeito e reverência [Cf Ef 6,1-9; Col 3,20-25].
12 – Detestarás toda a hipocrisia e tudo o que é desagradável ao Senhor.
13 – Não violarás os mandamentos do Senhor e guardarás o que recebeste, sem acrescentar nem tirar algo.
14 – Na assembléia, confessarás tuas faltas e não entrarás em oração de má consciência. – Este é o caminho da vida.

Capítulo V – Do caminho da morte
Do caminho da morte

1- O caminho da morte é o seguinte: em primeiro lugar, é mau e cheio de maldições: mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, bruxarias, rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambigüidades (falsidades), fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, má conversa, ciúme, insolência, extravagância, jactância, vaidade e ausência do temor de Deus;
2 – Perseguidores dos bons, inimigos da verdade, amantes da mentira, ignorantes da recompensa da justiça, não-desejosos do bem nem do justo juízo, vigilantes, não pelo bem, mas pelo mal, estranhos à doçura e à paciência, amantes da vaidade, cobiçosos de retribuição, sem compaixão com os pobres, sem cuidado para com os necessitados, ignorantes de seu Criador, assassinos de crianças, destruidores da obra de Deus, desprezadores dos indigentes, opressores dos aflitos, defensores dos ricos, juizes iníquos dos pobres, pecadores sem fé nem lei. – Filho, fica longe de tudo isso.

Capítulo VI – Aceita o jugo do Senhor
Perfeito é quem aceita o jugo do Senhor

1 – Vigia para que ninguém te afaste deste caminho da instrução, ensinando-te o que é estranho a Deus [Cf Mt 24,4].
2 – Pois, se puderes portar todo o jugo do Senhor, serás perfeito; se não puderes, faze o que puderes.
3 – Quanto aos alimentos, toma sobre ti o que puderes suportar, mas abstém-te completamente das carnes oferecidas aos ídolos, pois este é um culto aos deuses mortos.

Capítulo VII – Instrução sobre o batismo
Instrução sobre o batismo

1 – No que diz respeito ao batismo, batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente [Cf Mt 28,19]
2 – Se não tens água corrente, batiza em outra água; se não puderes em água fria, faze-o em água quente.
3 – Na falta de uma e outra, derrama três vezes água sobre a cabeça em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
4 – Mas, antes do batismo, o que batiza e o que é batizado, e se outros puderem, observem um jejum; ao que é batizado, deverás impor um jejum de um ou dois dias.

Capítulo VIII – Sobre o jejum e oração
Sobre o jejum e a oração

1 – Vossos jejuns não tenham lugar (não sejam ao mesmo tempo) com os hipócritas; com efeito, eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana; vós, porém, jejuai na quarta-feira e na sexta (dia de preparação).
2 – Também não rezeis como os hipócritas, mas como o Senhor mandou no seu Evangelho: Nosso Pai no céu, que teu nome seja santificado, que teu reino venha, que tua vontade seja feita na terra, assim como no céu; dá-nos hoje o pão necessário (cotidiano), perdoa a nossa ofensa assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal [Cf Mt 6,9-13; Lc 11,2-4], pois teu é o poder e a glória pelos séculos.
3 – Assim rezai três vezes por dia.

Tradução: Toni Lopes
Formatação: Maria



são joão da cruz
Setembro 13, 2009, 10:46 pm
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Ó Senhor, Deus meu! Quem te buscará com amor tão puro e singelo que deixe de te encontrar, conforme o desejo de sua vontade, se és tu o primeiro a mostrar-te e a sair ao encontro daqueles que te desejam?

O centro da alma é Deus. Quando a pessoa se encontra com ele, em todas as suas faculdades, energias e desejos, terá atingido o cerne e a raiz mais profunda de si mesma, que é Deus.

São João da Cruz (João de Yepes) nasceu perto de Ávila, em Fontiveros, Espanha, no ano de 1542. Era filho de tecelões. Após ter dado provas da sua imperícia nas várias ocupações para as quais a família, muito pobre, o tentou encaminhar, ao vinte anos, ingressou na Ordem dos Carmelitas. Estudou artes e teologia em Salamanca, onde foi prefeito dos estudantes. Foi ordenado sacerdote no ano de 1567, época em que se encontrou com Santa Teresa de Ávila (Teresa de Jesus) a reformadora das carmelitas. A Santa fundadora tinha em mente alargar a reforma também aos conventos masculinos da Ordem Carmelita, e seu delicado discernimento fê-la entrever naquele frade, pequeno, extremamente sério, fisicamente insignificante, mas rico interiormente, o parceiro ideal para levar por diante o seu corajoso projecto. Aos vinte e cinco anos de idade João de Yepes mudou de nome, passando a chamar-se João da Cruz e pôs mãos à obra na reforma, fundando em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Santa Teresa de Jesus chamava-o de seu pequeno Séneca, brincava amavelmente com a sua baixa estatura mas não hesitava em considerá-lo o pai de sua alma, afirmando também que não era possível discorrer com ele sobre Deus sem vê-lo em êxtase. Vinte e sete anos mais jovem que Teresa, João de Yepes é uma das figuras da mística moderna.

Mas a chamada “religiosidade do deserto” custou ao santo fundador maus-tratos físicos e difamações: em 1577 ficou preso durante oito meses no cárcere de Toledo. Mas foi nessas trevas exteriores que se acendeu a grande chama da sua poesia espiritual. “Padecer e depois morrer” era o lema do autor da Noite Escura da Alma, da Subida do Monte Carmelo, do Cântico Espiritual e da Chama de Amor Viva.

São João da Cruz, morreu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de dezembro de 1591. Foi canonizado em 1726. O Papa Pio XI conferiu-lhe o título de doutor da Igreja, dois séculos depois.

fonte:verbo net



OMITIDORES DO CACP "ATIRAM NO PRÓPRIO PÉ"! GUTENBERG E A QUESTÃO DOS DETEUROCANÔNICOS
Agosto 31, 2009, 1:19 pm
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OMITIDORES DO CACP “ATIRAM NO PRÓPRIO PÉ”! GUTENBERG E A QUESTÃO DOS DETEUROCANÔNICOS

Caríssimos,

Salve Maria!

Encontra-se no CACP um artigo contando a história de Johann Gutenberg inventor da imprensa.

Diz o artigo:

Johann Gutenberg (1397-1468)

Inventor da imprensa desenvolveu durante anos – discretamente e trabalhando até 16 horas por dia – o seu projeto da “arte da escrita artificial”. Ourives de profissão, ele aplicou seu conhecimento sobre metais e fundição para criar um molde tipográfico ajustável, ponto principal de sua invenção. Tratava-se de uma placa formada por centenas de letras soltas, feitas de uma liga de estanho e chumbo. As letras eram arrumadas em uma espécie de estojo, de acordo com o que se queria escrever em cada página. Depois disso, recebiam tinta e eram encaixadas na prensa para “carimbar” o papel ou pergaminho. Para reproduzir a página seguinte, bastava reorganizar a placa, arrumando novamente as letras no estojo.
A primeira obra a ser impressa foi uma magnífica edição da Bíblia. O texto era da Vulgata Latina de Jerônimo e foi publicada em Moguncia entre 1450 e 1456. Desde então nenhuma Bíblia tem sido mais estudada que a Bíblia de Gutenberg. Cada volume, página, linha e letra dessa Bíblia – considerada não somente o mais antigo, como também o mais belo livro impresso com tipos móveis – tem sido minuciosamente examinado por estudiosos e colecionadores. Por ser tão rara e preciosa, a Bíblia de Gutenberg tem sido desmembrada em páginas, que são vendidas a colecionadores. A importância desta invenção foi crucial para a reforma no cristianismo. Não se passaram dez anos da publicação da primeira Bíblia e o vernáculo já constituía o texto mais difundido dos livros publicados, e isso sem dúvida contribuiu para conferir uma consciência religiosa diferente culminando no surgimento que levaria à Reforma Protestante. Não demorou a que os gráficos alemães levassem a invenção para a Itália (1467), França (1470) e Espanha (1474). De fato, O invento de Gutemberg, produziu as mais transcendentais conseqüências para a cultura e as civilizações ocidentais.

Dessa época em diante puderam ser reproduzidas cópias e livros mais rápida e economicamente e com um grau de perfeição até então nunca alcançado.

Hoje, o processo inventado por Gutenberg pode parecer lento. Mas, quando comparado ao método utilizado na época, em que os textos eram copiados à mão, significou um grande avanço.

http://www.cacp.org.br/historia/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1095&menu=13&submenu=5
Mas, uma parte importante da magnífica obra de Gutenberg é omitida pelo autor, pois divulgar tal informação seria “atirar no próprio pé”!

Os omitidores do CACP escondem um pequeno e gloriosos detalhe: A Bíblia imprimida por Johann Gutenberg CONTINHA OS DEUTEROCANÔNICOS, que o próprio CACP acusa que foram adicionados no Concílio de Trento.

Diz o falso centro apologético “cristão” em um outro artigo:
.
A MENTIRA:

Poucos sabem que em 1546, no Concílio de Trento, o clero católico adicionou à Bíblia sete livros apócrifos. Eles já vinham fazendo isso desde o século V, contudo, o reconhecimento oficial e definitivo desses livros por parte da Igreja Católica se deu a partir do século XVI.

http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=108&menu=2&submenu=10

A VERDADE DOCUMENTAL:

A bíblia impressa por Gutenberg é uma versão anterior ao Concílio de Trento, a citada
edição contém os deteurocanônicos. Vejam a Bíblia de Gutenberg no link abaixo: http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/permanent/gutenberg/web/pgsdbl560/2_297298_143v144r.html

Mas, para tentarem se esquivar os caluniadores dizem acima:

Eles já vinham fazendo isso desde o século V, contudo, o reconhecimento oficial e definitivo desses livros por parte da Igreja Católica se deu a partir do século XVI.

Mas a trágica argumentação acima é facilmente desmascarada pelo Codex Sinaiticus, do Séc. IV que também contém os Deteurocanônicos. Vejam o seguinte artigo: http://caiafarsa.wordpress.com/deuterocanonicos-e-o-codex-sinaiticus/

Assim provamos e mostramos a mentira e a omissão do CACP, que neste artigo conta uma meia verdade, pois admitir a verdade total seria desastroso para eles.

Por Jefferson Nóbrega
Pax et Bonvs.
Esse site é uma piada mesmo, todas as refutações feitas pelo Veritatis nunca foram publicadas lá, por quê será?

Esta é uma delas: http://www.veritatis.com.br/article/4112



Os 800 Mártires de Otranto
Agosto 31, 2009, 1:08 pm
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29 agosto 2009 Autor: Bíblia Católica Online | Postado em: História da Igreja
Por Elizabeth Lev

ROMA, domingo, 23 de agosto de 2009 (ZENIT.org) .- Em 1480, a Itália celebrava a festa da Assunção com liturgias espetaculares, procissões e, claro, banquetes. Com a exceção de Otranto, uma pequena cidade na costa do Adriático, onde 800 homens ofereceram suas vidas a Cristo. Eles foram os Mártires de Otranto.o.

Poucas semanas antes, a frota turca atracara em Otranto. Sua chegada era temida há muitos anos. Desde a queda de Constantinopla, em 1454, era apenas uma questão de tempo até que os turcos otomanos invadissem a Europa.

Otranto está mais próxima do lado leste do Adriático controlado pelos otomanos. São Francisco de Paula reconheceu o perigo iminente para a cidade e seus cidadãos cristãos e pediu reforços para proteger Otranto. Ele predisse: “Ó, cidadãos infelizes, quantos cadáveres vejo cobrindo as ruas? Quanto sangue cristão vejo entre vocês?”

A 28 de julho de 1480, 18.000 soldados turcos invadiram o porto de Otranto. Eles ofereceram condições de rendição aos cidadãos, na esperança de ganhar sem resistência este primeiro ponto de apoio na Itália e completar a conquista da costa adriática. O sultão Mehmed II havia dito ao Papa Sisto IV que levaria seu cavalo para comer sobre o túmulo de São Pedro.

O Papa Sisto, reconhecendo a gravidade da ameaça, exclamou: “pessoas da Itália, se quiserem continuar se chamando de cristãos, defendam-se!”

Apesar de suas advertências terem-se esquecido nos ouvidos da maioria das cabeças coroadas da península –estavam muito ocupadas brigando entre si– o povo de Otranto escutou.

Pescadores, não soldados; eles não tinham artilharia. Eram menos de 15 mil, incluindo mulheres, crianças e idosos. Mas, por comum acordo, eles decidiram guardar a cidade, lançando-se ao combate das forças turcas.

A sofisticada artilharia turca danificava as muralhas de defesa, mas os cidadãos consertavam rapidamente os estragos. Detrás dos muros, os turcos encontraram cidadãos impávidos, determinados a defender as muralhas com óleo fervendo, sem armas, e às vezes usando as próprias mãos.

Os cidadãos de Otranto frustraram o plano do Sultão de um ataque surpresa e deram à Itália duas semanas de tempo precioso para organizar e preparar suas defesas para repelir os invasores. Mas a 11 de agosto os turcos venceram os muros e açoitaram a cidade.

O exército turco foi de casa em casa, promovendo saques, pilhagens e, em seguida, ateando fogo. Os poucos sobreviventes refugiaram-se na catedral. O arcebispo Stefano, heroicamente calmo, distribuiu a Eucaristia e sentou-se entre as mulheres e crianças de Otranto, enquanto um frade dominicano conduzia os fiéis em oração.

O exército de invasores arrombou a porta da catedral e a posterior violência contra mulheres, crianças e o arcebispo –que foi decapitado no altar– chocou a península italiana.

Os turcos tinham tomado a cidade, destruído casas, escravizado o povo e transformado a catedral em mesquita. Cerca de 14.000 pessoas morreram na tomada de Otranto, na maior parte seus próprios cidadãos, mas um pequeno grupo de 800 sobrevivera, então os turcos tentaram o domínio completo, forçando a conversão.

A opção era o Islã ou a morte. Oito centenas de homens, acorrentados, sem casa e família, pareciam totalmente subjugados aos turcos vitoriosos.

Um dos 800, um trabalhador têxtil chamado Antonio Primaldo Pezzula, passou de artesão humilde a líder heróico nesse dia. Antonio voltou-se para seus companheiros de Otranto e declarou: “Vocês ouviram o que vai custar salvar o que resta de nossas vidas! Meus irmãos, lutamos para salvar nossa cidade, agora é tempo de lutar por nossas almas!”

Os 800 homens com idades acima dos 15, de forma unânime, decidiram seguir o exemplo de Antonio e ofereceram suas vidas a Cristo.

Os turcos, que esperavam por um momento de propaganda triunfante, tentaram evitar o massacre. Eles ofereceram o retorno das mulheres e crianças que estavam prestes a ser vendidas como escravos, em troca da conversão dos homens, e eles ameaçaram com a decapitação em massa se isso não fosse aceito. Antonio recusou, seguido pelo resto dos homens.

Na vigília da Assunção, os 800 foram levados para fora da cidade e decapitados. A tradição conta que Antonio Pezzula foi decapitado em primeiro lugar, mas seu corpo sem cabeça permaneceu de pé até que o último otrantino estivesse morto.

Um dos carrascos, um turco chamado Barlabei, ficou tão impressionado com esse prodígio que se converteu ao cristianismo, e também foi martirizado.

Os restos foram cuidadosamente recolhidos, e são mantidos até hoje na Catedral de Otranto. No aniversário de 500 anos de sacrifício dos otrantinos, o Papa João Paulo II visitou a cidade e prestou homenagem aos mártires.

Bento XVI reconheceu oficialmente o martírio em 2007, trazendo Antonio Pezzula e seus companheiros um passo mais perto da canonização.

Esta “hora dos leigos” em Otranto, separados de nós por meio milênio, ainda ressoa como exemplo de testemunho do amor a Cristo. Poucos de nós serão chamados ao mesmo sacrifício de Antonio Pezzuli e seus companheiros, mas como poderíamos responder a sua exortação: “Permanecei fortes e constantes na fé: com esta morte temporal nós ganharemos a vida eterna”.

* * *

Elizabeth Lev ensina arte e arquitetura cristã no campus italiano da Universidade de Duquesne e na Universidade São Tomás.