servos de maria


ESPECIALISTA DEPOE SOBRE O MILAGRE DE LOURDES
Setembro 16, 2009, 6:03 am
Arquivado em: nossa senhora de lurdes, santos

Palco de grandes milagres ainda em nossos dias, a pequena cidade francesa de Lourdes, nos contrafortes dos Pireneus, foi o lugar escolhido por Nossa Senhora para aparecer, em 1858, à camponesa Santa Bernadete Soubirous. O que entende a Igreja Católica por cura milagrosa? Quais os critérios empregados para que se reconheça oficialmente uma cura? A essas e outras questões responde um profundo conhecedor do assunto: o médico responsável do Bureau Médical de Lourdes, Dr. Patrick Theillier. Formado pela Faculdade de Lille, no norte da França, especialista do aparelho digestivo, trabalhou na Cooperação Militar no Marrocos como Médico Responsável do Hospital de Targuist. Foi professor de cursos de Homeopatia na Universidade de Lille e é detentor de diplomas de Medicina do Trabalho Agrícola, Acupuntura e Homeopatia. Desde abril de 1998 é o médico permanente do Santuário de Lourdes, Presidente da Association Médical International de Lourdes (AMIL) e redator-chefe do Boletim da AMIL (trimestral de 10.000 assinantes, divulgado em cinco línguas). Autor de dois livros: Une nouvelle approche biomédicale des maladies chroniques: l’endothérapie multivalente (juntamente com o Doutor Michel Geffard), publicado em 2000 por F-X de Guilbert; e Et si on parlait des miracles…, editado em 2001 por Presses de la Renaissance, Paris, traduzido em Portugal com o título E se falássemos sobre… Milagres? pela editora Sopa de Letras. O Dr. Theillier recebeu nosso enviado especial, Sr. Miguel da Costa Carvalho Vidigal, no próprio Consultório Médico de Lourdes, para esta entrevista, mediante a qual podemos constatar, uma vez mais, a ocorrência do sobrenatural através da água de Lourdes. “Devo estudar, com todos os médicos que passam por Lourdes, uma causa da cura apresentada, que possa ser natural ou terapêutica. No total, devo dar a volta na questão, para depois propor tal cura á Igreja” Catolicismo — O Sr., como responsável pelo Consultório Médico de Lourdes, poderia explicar aos leitores de Catolicismo o trabalho que realiza aqui? Dr. Patrick Theillier — Inicialmente, o trabalho consiste em receber os peregrinos, os doentes, que supõem ter sido beneficiados por uma graça de cura por intercessão de Nossa Senhora de Lourdes. São eles próprios que o dizem e vêm testemunhar esse fato. Eu anoto e procuro investigar se existe a possibilidade de que essa cura seja reconhecida como milagrosa. É a primeira etapa. A segunda, nos casos que me parecem mais probatórios, inicio uma pesquisa médica, recolhendo todos os documentos anteriores à cura, que é o mais importante e o mais complicado; e os posteriores, para estar bem seguro de que ela realmente existiu. Devo estudar, com todos os médicos que passam por Lourdes, uma causa dessa cura que possa ser natural ou terapêutica. No total, devo dar a volta em torno da questão, para depois propor tal cura à Igreja, a fim de que Ela reconheça o milagre. O trabalho em meu consultório, que coincide com o tempo entre a declaração voluntária e espontânea daquele que foi curado e o reconhecimento da Igreja, é ao mesmo tempo médico e científico. Catolicismo — Quantos médicos fazem parte desse Consultório? Como ele funciona? Dr. Patrick Theillier — Eu sou o único médico de plantão, mas todos os médicos que passam por Lourdes podem participar desse trabalho. Eu edito uma pequena revista, “Boletim da AMIL”, que é enviada a todos os médicos profissionais da saúde que desejam e aos inscritos nessa associação. Ela tem a tiragem de 10 mil exemplares, em cinco línguas, e é enviada a 75 países. “É bom saber que o número de curas declaradas pela medicina é 100 vezes maior do que as reconhecidas pelas autoridades eclesiásticas. Sempre aparecem casos novos, e tenho sempre mais ou menos cinqüenta casos para estudar. São as curas que foram declaradas nos últimos 10 ou 12 anos e que me parecem sérias” Catolicismo — Somente médicos católicos fazem parte? Dr. Patrick Theillier — Qualquer médico pode entrar na associação, desde que esteja interessado e que não tenha mau espírito. Não pergunto a religião deles. Muitos médicos vêm aqui, evidentemente a grande maioria é católica, mas não obrigatoriamente praticantes. Eles vêm igualmente para fazer pesquisas ou simplesmente com uma finalidade humanitária para ajudar os doentes. Catolicismo — Desde quando existe esse Consultório Médico? Dr. Patrick Theillier — O Consultório Médico de Lourdes existe desde os anos 1880, há mais de 120 anos! Passaram por aqui 12 médicos responsáveis. Eu sou o décimo segundo. Mas a história da medicina em Lourdes data das aparições. Foi o médico de Santa Bernadete, o Doutor Douzous, que assistiu a várias aparições e também a examinou, juntamente com outros médicos, para ver se ela era sã de corpo e espírito. Este consultório começou realmente nessa época, mas logo ocorreram algumas curas, já durante a época das aparições. O bispo da época, Dom Laurence, logo após o final das aparições, havia estabelecido uma primeira comissão médica, sob a égide do Dr. Vergès, professor de medicina termal em Montpellier, para fazer as primeiras constatações e o primeiro trabalho de reconhecimento. Deste modo, o Dr. Vergès estudou todos os primeiros casos durante os três primeiros anos. Isso levou Dom Laurence a reconhecer, em 18 de fevereiro de 1862, as aparições de Lourdes, baseando-se evidentemente no testemunho de Santa Bernadete, que era fundamental, mas também nas curas ocorridas desde então e já reconhecidas pela medicina. Foram estudados e transmitidos a Dom Laurence mais ou menos 40 casos. Ele reteve sete, que foram assim os primeiros sete milagres de Lourdes. Catolicismo — Qual foi o primeiro milagre reconhecido oficialmente? Dr. Patrick Theillier — O primeiro milagre foi o de Catherine Latapie, que era uma mulher de 38 anos. Ela tinha dado à luz quatro filhos, dois já haviam morrido. Na noite de 28 de fevereiro para o dia 1º de março 1858, sentiu a necessidade de vir à Gruta de Massabielle [nome da gruta onde Nossa Senhora apareceu]. Dois anos antes, ela caíra de uma árvore e tinha uma paralisia cubital no braço direito, que a atrapalhava enormemente em suas atividades. Além disso, ela estava grávida. Apesar disso tudo, não hesitou em vir durante a noite para assistir à aparição que aconteceu naquele dia — a décima segunda. Quando tudo tinha terminado, ela subiu na gruta, pois naquela época era preciso escalar um pouco. E encontrou a fonte em que, três dias antes, Nossa Senhora tinha pedido a Santa Bernadette para lavar-se. A Sra. Latapie colocou a mão, e logo em seguida ficou com o uso completo do braço direito. Partindo de volta a pé para casa, a seis quilômetros da gruta, ela sentiu as dores do parto e deu à luz um filho que se chamou Jean-Baptiste. Mais tarde ele tornar-se-ia padre. Catolicismo — Quantos milagres foram reconhecidos até hoje? Dr. Patrick Theillier — Sessenta e seis milagres foram reconhecidos oficialmente pela Igreja. Seria bom explicar que é sempre o bispo da diocese, da qual vem a pessoa que foi curada, que reconhece o milagre. Portanto, não é o Papa nem o Vaticano, e tampouco o bispo da diocese de Tarbes-Lourdes. Pelo mundo inteiro, o bispo local é quem recebe o dossiê reconhecido pela medicina. No entanto, é bom saber que o número de curas declaradas pela medicina é 100 vezes maior do que as reconhecidas pelas autoridades eclesiásticas. Apenas uma cura sobre 100 declarações, em média, é reconhecida de modo oficial. “Enquanto médico católico, creio que em cada ser humano existe uma dimensão espiritual que é inerente à natureza humana. Considero que a cura física é um sinal da benevolência e da misericórdia de Deus em relação ao doente, ao pecador, mas que não acontece sem uma cura interior” Catolicismo — Existem casos recentes? Dr. Patrick Theillier — Claro, sempre aparecem casos novos. Sempre tenho mais ou menos cinqüenta casos para estudar. São as curas que foram declaradas nos últimos 10, 12 anos, e que me parecem sérias. Necessito estudar alguns casos de câncer, por exemplo. Mas há uma dificuldade quanto ao câncer. É uma doença que obrigatoriamente é tratada logo. Assim, é preciso distinguir aquilo que poderia ser considerado um tratamento, na origem da cura. É um longo trabalho que necessita tempo, estudos. É preciso comparar com outras eventuais curas ocorridas no mundo. Dessa forma, novas declarações aparecem sempre. Catolicismo — Quanto tempo pode levar para estudar e reconhecer um milagre? Dr. Patrick Theillier — No mínimo cinco anos, já que não se fala de cura na medicina antes disso. Mas, em geral, de 10 a 12 anos. Recebo mais ou menos 35 declarações por ano, e destas, entre três e cinco serão objeto de uma pesquisa. Catolicismo — Como o Consultório toma contato com as pessoas curadas? Dr. Patrick Theillier — Nós aguardamos as solicitações. São as pessoas que tomam contato voluntariamente, seja por telefone, pessoalmente, ou então por correio postal ou eletrônico, tudo é possível. Há casos também de pessoas que foram curadas somente rezando a Nossa Senhora de Lourdes, sem nunca terem vindo orar diante da Gruta. Catolicismo — Há um tipo de cura mais freqüente que outros? Dr. Patrick Theillier — Não. Existem todos os cenários possíveis, todos os tipos de doenças. Catolicismo — Quando se vem a Lourdes, pode-se ler e escutar em vários lugares que “o milagre maior que se produz diante da Gruta, ou durante a peregrinação, é o milagre na alma, mais do que o do corpo”. Como o Sr., enquanto médico católico, sente isso? Dr. Patrick Theillier — Enquanto médico católico, creio que em cada ser humano existe uma dimensão espiritual que é inerente à sua natureza. Somos criados à imagem e semelhança de Deus, existe em nós uma fonte de vida eterna. Considero que a cura física é um sinal da benevolência e da misericórdia de Deus em relação ao doente, ao pecador, mas que não acontece sem uma cura interior. No Evangelho, todas as curas são sempre acompanhadas de uma cura interior: “Vai, tua Fé te curou”; “A partir de agora não peques mais”, e assim por diante. É, portanto, cura que é sinal de um restabelecimento total da pessoa. Acredito que em Lourdes é assim. A cura física é a única visível, a única sobre a qual podemos nos debruçar, trabalhar, estudar e precisar, mas todas as curas físicas tocam a pessoa em toda a sua dimensão, seja ela física, psíquica ou espiritual. Posso dizer-lhe que uma pessoa que vive uma cura divina – pois a cura milagrosa é uma cura divina – não esquece nunca, representa algo muito forte na sua existência, há um antes e um depois, isso a toca profundamente. Essas curas físicas são as únicas visíveis, mas elas devem ser vistas como um sinal das curas invisíveis que têm lugar aqui, e que são talvez mais numerosas e importantes: as curas do coração, da alma, a cura do pecado, a reconciliação com Deus, com os outros e consigo mesmo. É preciso entender como uma cura interior, uma cura de todas as feridas que nós acumulamos durante nossa existência, e que naquele momento particular precisam ser tratadas e curadas. Assim, acredito que não se pode apenas fixar o lado “prodigioso” do milagre físico — freqüentemente maravilhoso, claro — mas procurar o sentido que está escondido atrás dele, que é a cura interior. Catolicismo — As pessoas que foram curadas em Lourdes também têm a percepção disso? Dr. Patrick Theillier — Narro-lhe a história de um senhor de 67 anos, que veio aqui contar-me uma cura que ele obteve em 1963, exatamente há 40 anos, mas que ele nunca esqueceu. Durante o serviço militar na Argélia, ele foi atingido por uma doença chamada sacro-coxalgia tuberculosa. Propuseram-lhe de vir a Lourdes, quando ele já estava havia vários meses no Hospital Militar de Bordeaux, repatriado por causa da doença. É preciso dizer que ele tinha sido declarado, pelo sistema de saúde francês, como 100% inválido, beneficiando-se com a aposentadoria correspondente a isso. Chegando aqui, sugeriram-lhe ir banhar-se nas águas de Lourdes. Ele aceitou, mas como havia um gesso de seu pescoço até os pés, impossível de ser retirado, foi apenas aplicada do lado de fora do gesso, no local dolorido, uma esponja umedecida. Quando ele voltou ao hospital de Bordeaux e tiraram a radiografia, à qual ele se submetia a cada três semanas, todo mundo ficou surpreso de ver que a sacro-coxalgia estava completamente curada. Ele pôde voltar para casa, mas nunca esqueceu o milagre. Apesar de ter vivido no Haiti, no Chile e em Ruanda, a cada dois anos ele vinha em peregrinação agradecer a Nossa Senhora de Lourdes com toda sua família. Entretanto, ele nunca tinha vindo ao consultório. Só depois que ele me viu na televisão, veio aqui para descrever, com enorme emoção, a sua história. Foi obrigado diversas vezes a parar, de tanto que chorava ao contar aquilo que tinha vivido 40 anos antes, com pouco mais de 20 anos de idade. Catolicismo — Alguma cura tocou-lhe especialmente? Dr. Patrick Theillier — Para ser sincero, todas as curas me tocaram. A que me sensibiliza mais especialmente é sempre a última. Por quê? Simplesmente porque todas as curas são maravilhosas. Pode-se sentir que as pessoas que foram curadas passaram por algo de sobrenatural, de muito forte. Elas são tocadas por alguma coisa que ultrapassa a natureza, é uma experiência fundadora em suas vidas. E tudo isso é muito emocionante, não há uma mais bela do que outra: todas elas o são. Catolicismo — Houve casos de médicos que, vindo a Lourdes, se converteram após constatar um milagre? Dr. Patrick Theillier — Sim, por exemplo o Doutor Aléxis Carrel [Prêmio Nobel de Medicina, 1912] que tinha acompanhado uma doente realmente grave, pois ela estava em estado de coma terminal de uma tuberculose generalizada. Ele assistiu, diante da Gruta, essa doente como que “ressuscitar”. Foi uma cura extraordinária, mas ele não podia admitir devido à sua formação positivista. Entretanto, no fim da vida, quando ele morreu, foi encontrado um manuscrito, no qual conta sua viagem a Lourdes e reconhece ter assistido a um milagre. Catolicismo — O médico responsável por esse Consultório, na época do escritor Émile Zola, manteve uma polêmica com este, não é verdade? Dr. Patrick Theillier — Com efeito, Zola veio aqui no fim do século XIX, interessado em conhecer, pois falava-se muito de tudo o que se passava em Lourdes. O Dr. Boissarie, um dos meus predecessores, abriu todas as portas do Consultório Médico, e o escritor teve a possibilidade, durante o tempo em que esteve aqui, de assistir a duas verdadeiras curas milagrosas de duas jovens, de quem temos os registros em nosso Consultório até hoje. Voltando a Paris, Zola escreveu seu livro sobre Lourdes, onde ele conta de um modo impecável esses dois milagres. O problema é que ele transformou a realidade, dizendo que as duas tiveram uma recaída e morreram de suas doenças, o que é absolutamente falso. O Doutor Boissarie foi a Paris vê-lo, em uma conferência aberta ao público, e interpelou Zola, mostrando que ele tinha modificado a realidade. O escritor respondeu que ele era um romancista, que tinha o direito de colocar o que bem entendesse em seus livros… Na verdade, as duas meninas foram realmente curadas de suas doenças, nunca tiveram recaídas e eram idosas quando morreram. Sempre é possível modificar a realidade, quando não se quer acreditar. É a liberdade humana… Catolicismo — Em seu ponto de vista, qual é o sentido dessas curas? Dr. Patrick Theillier — Acredito que a cura é para todos, não somente reservada a alguns. Caso contrário, seria injusto; poder-se-ia perguntar: por que alguns se curam e outros não? Somos todos chamados a ser curados, cedo ou tarde, das nossas feridas, dos nossos pecados. É preciso viver na esperança e entender que Deus nos ama, que Ele não está na origem do mal, da doença ou da invalidez. Caso contrário, viveremos como revoltados. É preciso entender que Ele sofreu e deu a sua vida por nós e nos salvou. O mais importante é a saúde espiritual, é preciso ver essas curas físicas dentro de uma perspectiva de eternidade, como uma antecipação da ressurreição do nosso corpo. FONTE:FRENTE UNIVERSITÁRIA LEPANTO



apogetica -santos e as canonizações
Janeiro 21, 2009, 11:44 am
Arquivado em: católicos, icar, igreja, maria, nossa senhora de lurdes, santos

LEITOR PROTESTANTE INDAGA SOBRE SANTOS, CANONIZAÇÕES E IMAGENS

Por Taiguara Fernandes de Sousa

Nome do leitor: João Marcos

Cidade/UF: Parnaíba/PI

Religião: Cristã

Confissão: Protestante

Mensagem
========

Os tais santos da Igreja Católica são canonizados por um homem, o “Papa”. É engraçado não é? Um homem pecador, comedor de feijão, se acha tão santo que lhe dão o poder de transformar meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui, e os canoniza como “santos”.

A Bíblia, tanto católica como evangélica, diz que só existe um Santo, que é o Jesus.

A região Nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria: imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis.

A seca continua assolando aquela região, e assim vai ser até que todos sejam consumidos pela maldita idolatria.

Sou anti-santo de barro, pois sei que nada são.

Que Deus tire a venda que está nos olhos dos nossos irmãos católicos.

João Marcos

Prezado João Marcos,

A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e as bênçãos de Maria!

Sua mensagem revela uma completa ignorância a respeito da doutrina católica sobre os Santos e as imagens, como também uma visão absurdamente deformada da mesma. Você não sabe o que, objetivamente, são os Santos. Você não sabe o que, em verdade, é um processo de canonização. E muito menos sabe o que, de fato, são as imagens. E você não pode falar do que não sabe.

Mas não se preocupe. O Veritatis Splendor é um Apostolado que se dedica justamente a resolver tais mal-entendidos. Tendo sido sua mensagem encaminhada a mim, é isto que farei, em nome deste Apostolado.

Os Santos e as Canonizações

Você tem razão ao dizer que aqueles que nós, católicos, veneramos como Santos são “meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui”. Ora, sem dúvida no dia do Juízo hão de prestar contas a Deus, juntos a todos os homens. Aliás, eles já prestaram contas a Deus, logo após a morte, em juízo particular.

Mas o fato de que prestaram contas a Deus não quer dizer de modo algum que eles não tenham sido pessoas sobremaneira virtuosas a ponto de merecerem a glória do Céu. Porque, sim, nós prestaremos contas a Deus do que fizemos de bom e de mal; mas e se conduzimos nossa vida conforme os ditames da Lei de Deus, e se dirigimos nossa conduta de acordo com os ensinamentos de Cristo – não atingiremos a santidade? E no dia que prestarmos contas a Deus, não prestaremos contas das tantas coisas boas que fizemos e pregamos, da santidade que me vida procuramos edificar?

Isto fizeram os Santos, caríssimo João.

Foram pessoas, homens e mulheres, “meros seres humanos” – sim, você está certo ao defini-los assim! –, que de tal maneira se dedicaram a viver em tudo conforme a Cristo, que já podiam dizer como o Apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Foram meros seres humanos cuja medida da vida foi Cristo, cujo combustível da existência foi o amor a Deus. Foram meros seres humanos que, dia após dia, venceram as dificuldades diárias, carregaram sua própria Cruz, para imitar a Cristo Crucificado e Vencedor da morte! Foram meros seres humanos cujo horror ao pecado e o amor à santidade perpassaram cada instante de sua vivência diária. Foram meros seres humanos cujo cultivo da Fé, da Esperança e da Caridade, cujo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos era de tal maneira radical que de igual modo os aproximou de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que radicalmente nos amou até o fim. Foram meros seres humanos que responderam àquele convite de Nosso Senhor: “Sede santos, como vosso Pai que está no Céu é Santo” (Mateus 5,48).

E se tanto fizeram, não podem ser ditos santos? Não podem ser declarados como tais?

Se foram santos em vida, por que deixariam de sê-lo após a morte?

Nestas condições, após uma acurada investigação de suas vidas e condutas, o Papa, que é Chefe da Igreja, pode declarar que estas pessoas foram santas em vida, e que portanto agora já gozam das benesses de Nosso Senhor no céu.

Não é o Papa que torna uma pessoa santa. É Deus e a própria pessoa: Deus auxiliando-a com sua graça, e a pessoa deixando-se levar pela graça de Deus, dirigindo sua conduta conforme os desígnios do Senhor, e assim santificando-se dia após dia. Quando o Papa canoniza uma pessoa, ela não a está tornando santa: está reconhecendo um fato já consumado, ou seja, que aquela pessoa viveu santamente e que por isso goza da visão de Deus no céu. A santidade da pessoa não acontece após a canonização pelo Papa: a santidade é anterior à canonização. A pessoa não se torna santa porque é canonizada: ela é canonizada porque é santa. Esta é a ordem das coisas.

Um processo de canonização é uma investigação acurada e cuidadosíssima. Não é coisa leviana. É feita um inquérito minuciosíssimo em torno da vida e obra do cristão que se intenta canonizar para comprovar se ele desenvolveu mesmo os que se chama de “heróicas virtudes cristãs” e se sua vida foi mesmo devotada ao serviço de Deus, da Igreja e do próximo. Além disso, são exigidos pela Igreja, para comprovação da santidade, que pelo menos três milagres, comprovados pela ciência como inexplicáveis, tenham ocorrido pela intercessão da pessoa que se intenta canonizar; estes milagres comprovam que a pessoa está realmente no céu, e que por isso já pode rezar por nós a Deus para que Ele nos conceda suas poderosas graças.

Após canonizado, o santo é proposto como modelo aos fiéis cristãos. Olhando para as virtudes do santo, para o modo como conduziu sua vida, para suas obras e palavras, para o modo como viveu intensamente por Cristo e para Cristo, o fiel cristão busca imitar o santo, tomá-lo como modelo, assemelhar-se a ele e assim assemelhar-se também a Cristo, a Quem o santo fez medida de sua vida.

Portanto, os santos da Igreja não são ídolos: eles mesmos adoraram a Cristo incessantemente, e por isso são ditos santos; o fiel, olhando para esta sua incessante adoração ao Filho de Deus, toma-os como modelo e busca, como eles, seguindo seu exemplo, adorar Nosso Senhor e viver segundo seus mandamentos a cada instante de sua vida.

As Imagens

“A região nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria, imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis”, diz-me você.

Eu sou nordestino, vivi toda minha vida no Nordeste, e, em absoluto, não vejo essa tamanha idolatria que você denuncia.

Obviamente, o que você intenta denunciar não é a idolatria, mas o costume sadio e benigno dos católicos de confeccionar e venerar imagens de Cristo, da Virgem Maria, e dos Santos de Deus. Como para todo protestante uma imagem sempre é um ídolo, então você encara que esta nobre e tradicional devoção católica, fortíssima também no Nordeste – que é católico majoritariamente, graças a Deus! –, é uma idolatria.

Engana-se, meu caro.

Engana-se severamente.

Os pastores da sua comunidade, homens com mania de Deus que acharam por bem fundar uma Igreja – quando só Deus tem o poder e a autoridade para fundar uma Igreja –, não estão lhe ensinando bem.

Pois se toda imagem é um sintoma de idolatria, por que o próprio Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente de bronze? Está lá na Bíblia – “tanto católica como evangélica”, para usar suas palavras – em Números 21,5-9: “O povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: ‘Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento’. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós estas serpentes’. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.’ Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma cobra e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”.

Isso mesmo, meu caro. O mesmo Deus que proibiu imagens mandou que fossem feitas imagens. Como explicar isto? Como compreender esta aparente incoerência?

É preciso diferenciar ídolos de imagens.

Os pagãos atribuíam aos ídolos de barro e ouro poderes divinos. Atribuíam estes poderes aos ídolos em si, enquanto meras peças confeccionadas por mãos humanas.

Os hebreus e cristãos não atribuíam – nem atribuem – poderes divinos às imagens: para o hebreu – que confeccionou leões para o Templo de Jerusalém (I Reis 7,29.36.45), querubins para a Arca da Aliança (cf. Deuteronômio 4,17) e uma serpente de bronze – e para os cristãos – que desde os primeiros séculos, época dos Apóstolos, confeccionavam imagens, como comprovam as catacumbas dos mártires – uma imagem é uma representação de Cristo, uma representação tão-somente – da mesma forma como a serpente de bronze representava Cristo, que ia ser levantado na Cruz (cf. João 3,14) – e a esta representação não são atribuídos nenhum tipo de poder místico ou divino, até porque é só uma representação.

Pela imagem o cristão aprende as verdades da Fé; as imagens são como um livro: da mesma maneira como as letras ensinam os mandamentos do Senhor, as imagens ilustram estes mandamentos e os transmitem de outra forma. Por isto o Papa São Gregório Magno ensinava: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.

Além disso, as preces que são dirigidas a uma imagem não se dirigem à imagem em si, mas à realidade que ela fundamentalmente representa: Cristo. Por isto, ensina a Igreja no Concílio de Trento: “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas ‘Divindades’ ou ‘virtude alguma’, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos, as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo-nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”.

E mesmo as imagens da Virgem Maria e dos Santos representam fundamentalmente a Cristo, pois é em Cristo que a Virgem Maria e o Santos têm a sua glória, e sem Cristo eles nada seriam: eles fazem parte daquela “nuvem de testemunhas” de que fala o Apóstolo (Hebreus 12,1).

Portanto, meu caro, não creia nas barbaridades que muitos pastores protestantes proferem contra a Igreja Católica sem ter um mínimo de fundamento para tanto. Veja por exemplo que não própria Bíblia há momento em que os homens são ordenados a confeccionar imagens por Deus mesmo.

Se o próprio Deus sabe a diferença entre o que é uma imagem e o que é um ídolo, porque não haveríamos nós, que me tudo queremos segui-Lo, não saber esta diferença? Diferenciemos, portanto, o que são imagens e o que são ídolos – e são coisas bem distintas! – pois Deus mesmo os diferencia.

E se o próprio Deus se agrada com as imagens – como se agradou com os querubins da Arca da Aliança e aqueles tecidos nas paredes do Tabernáculo –, mas reprova os ídolos, o que devemos nós fazer? Agradarmo-nos com as imagens, mas reprovarmos os ídolos.

É preciso diferenciar o que é uma imagem e o que é um ídolo. Deus mesmo o faz, e nós também devemos fazê-lo.

Conclusão

Espero que estas simples considerações possam fazê-lo compreender a doutrina católica a respeito dos Santos e das imagens sacras. Espero que elas também tenham dissipado os mal-entendidos plantados em sua mente por pastores protestantes que não encontram fundamentos para suas críticas à Igreja.

Se você realmente desejar a verdade, sugiro que procure em nosso site outros trabalhos a respeito.

Indico desde já alguns para leitura:

LIMA, Alessandro. APOLOGIA À VENERAÇÃO DOS SANTOS NO CRISTIANISMO PRIMITIVO, in: http://www.veritatis.com.br/article/3937
MARTINS, Leandro. LEITOR PERGUNTA SOBRE CULTO AOS SANTOS E IDOLATRIA, in: http://www.veritatis.com.br/article/4781
ROSMAN, Renato C. LEITOR PERGUNTA SOBRE A ORAÇÃO DE INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5265
GRILLO, Marcos M. LEITOR PROTESTANTE PERGUNTA SOBRE A INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5132
NABETO, Carlos. A Bíblia condena o uso de imagens? Deus permite a fabricação de imagens?; in: http://www.veritatis.com.br/article/4478
PERES, Bruno. PROTESTANTES USAM IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/2664
MOURA, Jaime F. PROTESTANTES EM FAVOR DAS IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/1643
MOURA, Jaime F. LEITOR PEDE ESCLARECIMENTOS SOBRE O CULTO DAS IMAGENS E MARIA SANTÍSSIMA, in: http://www.veritatis.com.br/article/5196
LIMA, Alessandro. DEUS PROÍBE A CONFECÇÃO DE IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/325
NABETO, Carlos. LUTERO CONTRA AS IMAGENS E SANTOS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/3559
Sobre os santos, sugiro que leia também o livro de meu amigo e irmão de Apostolado, Carlos Martins Nabeto, Maria, os Santo e os Anjos, da série Citações Patrísticas, onde o autor com muita argúcia reúne textos dos primeiros cristãos – alguns remontando à época apostólica – a respeito do culto de veneração à Virgem Maria, aos Santos e Anjos. O livro está disponível gratuitamente para download em: http://www.veritatis.com.br/article/4663
Presto-lhe meus sinceros desejos de conversão.
Escreva-me suas considerações em resposta a estas minhas ou sempre que o desejar.

Meu cordial abraço!
Em Cristo,
Taiguara Fernandes de Sousa.
“Omnes cum Petro, ad Iesum per Mariam!”
(Todos com Pedro, a Jesus por Maria!)

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Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

fonte:veritatis



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Janeiro 21, 2009, 11:44 am
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LEITOR PROTESTANTE INDAGA SOBRE SANTOS, CANONIZAÇÕES E IMAGENS

Por Taiguara Fernandes de Sousa

Nome do leitor: João Marcos

Cidade/UF: Parnaíba/PI

Religião: Cristã

Confissão: Protestante

Mensagem
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Os tais santos da Igreja Católica são canonizados por um homem, o “Papa”. É engraçado não é? Um homem pecador, comedor de feijão, se acha tão santo que lhe dão o poder de transformar meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui, e os canoniza como “santos”.

A Bíblia, tanto católica como evangélica, diz que só existe um Santo, que é o Jesus.

A região Nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria: imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis.

A seca continua assolando aquela região, e assim vai ser até que todos sejam consumidos pela maldita idolatria.

Sou anti-santo de barro, pois sei que nada são.

Que Deus tire a venda que está nos olhos dos nossos irmãos católicos.

João Marcos

Prezado João Marcos,

A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e as bênçãos de Maria!

Sua mensagem revela uma completa ignorância a respeito da doutrina católica sobre os Santos e as imagens, como também uma visão absurdamente deformada da mesma. Você não sabe o que, objetivamente, são os Santos. Você não sabe o que, em verdade, é um processo de canonização. E muito menos sabe o que, de fato, são as imagens. E você não pode falar do que não sabe.

Mas não se preocupe. O Veritatis Splendor é um Apostolado que se dedica justamente a resolver tais mal-entendidos. Tendo sido sua mensagem encaminhada a mim, é isto que farei, em nome deste Apostolado.

Os Santos e as Canonizações

Você tem razão ao dizer que aqueles que nós, católicos, veneramos como Santos são “meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui”. Ora, sem dúvida no dia do Juízo hão de prestar contas a Deus, juntos a todos os homens. Aliás, eles já prestaram contas a Deus, logo após a morte, em juízo particular.

Mas o fato de que prestaram contas a Deus não quer dizer de modo algum que eles não tenham sido pessoas sobremaneira virtuosas a ponto de merecerem a glória do Céu. Porque, sim, nós prestaremos contas a Deus do que fizemos de bom e de mal; mas e se conduzimos nossa vida conforme os ditames da Lei de Deus, e se dirigimos nossa conduta de acordo com os ensinamentos de Cristo – não atingiremos a santidade? E no dia que prestarmos contas a Deus, não prestaremos contas das tantas coisas boas que fizemos e pregamos, da santidade que me vida procuramos edificar?

Isto fizeram os Santos, caríssimo João.

Foram pessoas, homens e mulheres, “meros seres humanos” – sim, você está certo ao defini-los assim! –, que de tal maneira se dedicaram a viver em tudo conforme a Cristo, que já podiam dizer como o Apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Foram meros seres humanos cuja medida da vida foi Cristo, cujo combustível da existência foi o amor a Deus. Foram meros seres humanos que, dia após dia, venceram as dificuldades diárias, carregaram sua própria Cruz, para imitar a Cristo Crucificado e Vencedor da morte! Foram meros seres humanos cujo horror ao pecado e o amor à santidade perpassaram cada instante de sua vivência diária. Foram meros seres humanos cujo cultivo da Fé, da Esperança e da Caridade, cujo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos era de tal maneira radical que de igual modo os aproximou de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que radicalmente nos amou até o fim. Foram meros seres humanos que responderam àquele convite de Nosso Senhor: “Sede santos, como vosso Pai que está no Céu é Santo” (Mateus 5,48).

E se tanto fizeram, não podem ser ditos santos? Não podem ser declarados como tais?

Se foram santos em vida, por que deixariam de sê-lo após a morte?

Nestas condições, após uma acurada investigação de suas vidas e condutas, o Papa, que é Chefe da Igreja, pode declarar que estas pessoas foram santas em vida, e que portanto agora já gozam das benesses de Nosso Senhor no céu.

Não é o Papa que torna uma pessoa santa. É Deus e a própria pessoa: Deus auxiliando-a com sua graça, e a pessoa deixando-se levar pela graça de Deus, dirigindo sua conduta conforme os desígnios do Senhor, e assim santificando-se dia após dia. Quando o Papa canoniza uma pessoa, ela não a está tornando santa: está reconhecendo um fato já consumado, ou seja, que aquela pessoa viveu santamente e que por isso goza da visão de Deus no céu. A santidade da pessoa não acontece após a canonização pelo Papa: a santidade é anterior à canonização. A pessoa não se torna santa porque é canonizada: ela é canonizada porque é santa. Esta é a ordem das coisas.

Um processo de canonização é uma investigação acurada e cuidadosíssima. Não é coisa leviana. É feita um inquérito minuciosíssimo em torno da vida e obra do cristão que se intenta canonizar para comprovar se ele desenvolveu mesmo os que se chama de “heróicas virtudes cristãs” e se sua vida foi mesmo devotada ao serviço de Deus, da Igreja e do próximo. Além disso, são exigidos pela Igreja, para comprovação da santidade, que pelo menos três milagres, comprovados pela ciência como inexplicáveis, tenham ocorrido pela intercessão da pessoa que se intenta canonizar; estes milagres comprovam que a pessoa está realmente no céu, e que por isso já pode rezar por nós a Deus para que Ele nos conceda suas poderosas graças.

Após canonizado, o santo é proposto como modelo aos fiéis cristãos. Olhando para as virtudes do santo, para o modo como conduziu sua vida, para suas obras e palavras, para o modo como viveu intensamente por Cristo e para Cristo, o fiel cristão busca imitar o santo, tomá-lo como modelo, assemelhar-se a ele e assim assemelhar-se também a Cristo, a Quem o santo fez medida de sua vida.

Portanto, os santos da Igreja não são ídolos: eles mesmos adoraram a Cristo incessantemente, e por isso são ditos santos; o fiel, olhando para esta sua incessante adoração ao Filho de Deus, toma-os como modelo e busca, como eles, seguindo seu exemplo, adorar Nosso Senhor e viver segundo seus mandamentos a cada instante de sua vida.

As Imagens

“A região nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria, imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis”, diz-me você.

Eu sou nordestino, vivi toda minha vida no Nordeste, e, em absoluto, não vejo essa tamanha idolatria que você denuncia.

Obviamente, o que você intenta denunciar não é a idolatria, mas o costume sadio e benigno dos católicos de confeccionar e venerar imagens de Cristo, da Virgem Maria, e dos Santos de Deus. Como para todo protestante uma imagem sempre é um ídolo, então você encara que esta nobre e tradicional devoção católica, fortíssima também no Nordeste – que é católico majoritariamente, graças a Deus! –, é uma idolatria.

Engana-se, meu caro.

Engana-se severamente.

Os pastores da sua comunidade, homens com mania de Deus que acharam por bem fundar uma Igreja – quando só Deus tem o poder e a autoridade para fundar uma Igreja –, não estão lhe ensinando bem.

Pois se toda imagem é um sintoma de idolatria, por que o próprio Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente de bronze? Está lá na Bíblia – “tanto católica como evangélica”, para usar suas palavras – em Números 21,5-9: “O povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: ‘Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento’. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós estas serpentes’. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.’ Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma cobra e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”.

Isso mesmo, meu caro. O mesmo Deus que proibiu imagens mandou que fossem feitas imagens. Como explicar isto? Como compreender esta aparente incoerência?

É preciso diferenciar ídolos de imagens.

Os pagãos atribuíam aos ídolos de barro e ouro poderes divinos. Atribuíam estes poderes aos ídolos em si, enquanto meras peças confeccionadas por mãos humanas.

Os hebreus e cristãos não atribuíam – nem atribuem – poderes divinos às imagens: para o hebreu – que confeccionou leões para o Templo de Jerusalém (I Reis 7,29.36.45), querubins para a Arca da Aliança (cf. Deuteronômio 4,17) e uma serpente de bronze – e para os cristãos – que desde os primeiros séculos, época dos Apóstolos, confeccionavam imagens, como comprovam as catacumbas dos mártires – uma imagem é uma representação de Cristo, uma representação tão-somente – da mesma forma como a serpente de bronze representava Cristo, que ia ser levantado na Cruz (cf. João 3,14) – e a esta representação não são atribuídos nenhum tipo de poder místico ou divino, até porque é só uma representação.

Pela imagem o cristão aprende as verdades da Fé; as imagens são como um livro: da mesma maneira como as letras ensinam os mandamentos do Senhor, as imagens ilustram estes mandamentos e os transmitem de outra forma. Por isto o Papa São Gregório Magno ensinava: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.

Além disso, as preces que são dirigidas a uma imagem não se dirigem à imagem em si, mas à realidade que ela fundamentalmente representa: Cristo. Por isto, ensina a Igreja no Concílio de Trento: “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas ‘Divindades’ ou ‘virtude alguma’, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos, as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo-nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”.

E mesmo as imagens da Virgem Maria e dos Santos representam fundamentalmente a Cristo, pois é em Cristo que a Virgem Maria e o Santos têm a sua glória, e sem Cristo eles nada seriam: eles fazem parte daquela “nuvem de testemunhas” de que fala o Apóstolo (Hebreus 12,1).

Portanto, meu caro, não creia nas barbaridades que muitos pastores protestantes proferem contra a Igreja Católica sem ter um mínimo de fundamento para tanto. Veja por exemplo que não própria Bíblia há momento em que os homens são ordenados a confeccionar imagens por Deus mesmo.

Se o próprio Deus sabe a diferença entre o que é uma imagem e o que é um ídolo, porque não haveríamos nós, que me tudo queremos segui-Lo, não saber esta diferença? Diferenciemos, portanto, o que são imagens e o que são ídolos – e são coisas bem distintas! – pois Deus mesmo os diferencia.

E se o próprio Deus se agrada com as imagens – como se agradou com os querubins da Arca da Aliança e aqueles tecidos nas paredes do Tabernáculo –, mas reprova os ídolos, o que devemos nós fazer? Agradarmo-nos com as imagens, mas reprovarmos os ídolos.

É preciso diferenciar o que é uma imagem e o que é um ídolo. Deus mesmo o faz, e nós também devemos fazê-lo.

Conclusão

Espero que estas simples considerações possam fazê-lo compreender a doutrina católica a respeito dos Santos e das imagens sacras. Espero que elas também tenham dissipado os mal-entendidos plantados em sua mente por pastores protestantes que não encontram fundamentos para suas críticas à Igreja.

Se você realmente desejar a verdade, sugiro que procure em nosso site outros trabalhos a respeito.

Indico desde já alguns para leitura:

LIMA, Alessandro. APOLOGIA À VENERAÇÃO DOS SANTOS NO CRISTIANISMO PRIMITIVO, in: http://www.veritatis.com.br/article/3937
MARTINS, Leandro. LEITOR PERGUNTA SOBRE CULTO AOS SANTOS E IDOLATRIA, in: http://www.veritatis.com.br/article/4781
ROSMAN, Renato C. LEITOR PERGUNTA SOBRE A ORAÇÃO DE INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5265
GRILLO, Marcos M. LEITOR PROTESTANTE PERGUNTA SOBRE A INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5132
NABETO, Carlos. A Bíblia condena o uso de imagens? Deus permite a fabricação de imagens?; in: http://www.veritatis.com.br/article/4478
PERES, Bruno. PROTESTANTES USAM IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/2664
MOURA, Jaime F. PROTESTANTES EM FAVOR DAS IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/1643
MOURA, Jaime F. LEITOR PEDE ESCLARECIMENTOS SOBRE O CULTO DAS IMAGENS E MARIA SANTÍSSIMA, in: http://www.veritatis.com.br/article/5196
LIMA, Alessandro. DEUS PROÍBE A CONFECÇÃO DE IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/325
NABETO, Carlos. LUTERO CONTRA AS IMAGENS E SANTOS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/3559
Sobre os santos, sugiro que leia também o livro de meu amigo e irmão de Apostolado, Carlos Martins Nabeto, Maria, os Santo e os Anjos, da série Citações Patrísticas, onde o autor com muita argúcia reúne textos dos primeiros cristãos – alguns remontando à época apostólica – a respeito do culto de veneração à Virgem Maria, aos Santos e Anjos. O livro está disponível gratuitamente para download em: http://www.veritatis.com.br/article/4663
Presto-lhe meus sinceros desejos de conversão.
Escreva-me suas considerações em resposta a estas minhas ou sempre que o desejar.

Meu cordial abraço!
Em Cristo,
Taiguara Fernandes de Sousa.
“Omnes cum Petro, ad Iesum per Mariam!”
(Todos com Pedro, a Jesus por Maria!)

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Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).

fonte:veritatis



Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»
Setembro 15, 2008, 2:30 am
Arquivado em: PAPA, católicos, frança, maria, nossa senhora de lurdes

Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»

A mensagem que Maria deixou há 150 anos é uma mensagem de esperança

LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI lançou uma mensagem de esperança na missa que presidiu neste domingo nesta localidade dos Pirineus franceses por ocasião dos 150 anos das aparições da Virgem Maria: «O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça».

Na homilia, o pontífice apresentou «o essencial da mensagem de Lourdes» aos 150 mil peregrinos reunidos sob um céu azul. Concelebraram a Eucaristia com o Papa 230 bispos e mil sacerdotes. Para poder estar presentes, cerca de 5 mil pessoas haviam dormido a noite anterior na basílica subterrânea de São Pio X.

No dia no qual a liturgia da Igreja celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, o pontífice recordou que «é significativo» que na primeira aparição a Santa Bernadete Soubirous (1844-1879) Maria tenha começado seu encontro com o sinal da Cruz.

«O sinal da Cruz é de alguma forma o compêndio da nossa fé, porque nos diz o quanto Deus nos amou; e nos diz que, no mundo, há um amor mais forte que a morte, mais forte que nossas fraquezas e pecados. O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça», afirmou.

Segundo Bento XVI, «este mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens é o que Maria revelou aqui, em Lourdes. Ela convida todos os homens de boa vontade, todos os que sofrem em seu coração ou em seu corpo, a levantarem os olhos para a Cruz de Jesus para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação», assegurou.

Bernadete deu testemunho de 18 aparições da Virgem entre 11 de fevereiro e 18 de julho de 1858, na gruta de Massabielle. Hoje Lourdes reúne cada ano cerca de 6 milhões de peregrinos. Desde então, a Sala Médica dos Santuários reconheceu 67 milagres (curas cientificamente inexplicáveis). Cada ano esta instituição recebe indicações de cerca de 35 casos de possíveis milagres. Na maioria dos casos, a pesquisa não prospera.

Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o sucessor de Pedro recordou que a Virgem se apresentou a Bernadete com este nome: «Eu sou a Imaculada Conceição».

«Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’». Desta forma, declarou, «ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade».

«É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança», assegurou.

Em Lourdes, recordou, «Maria vem a nosso encontro como a Mãe sempre disponível diante das necessidades de seus filhos. Mediante a luz que brota de seu rosto transparece a misericórdia de Deus. Deixemos que seu olhar nos acaricie e nos diga que Deus nos ama e nunca nos abandona», exortou.

Por este motivo, concluiu, «a mensagem de Maria é uma mensagem de esperança para todos os homens e para todas as mulheres do nosso tempo, sejam do país que forem».

O Papa confessou que gosta de invocar Maria como «Estrela da esperança», como o faz no número 50 de sua segunda encíclica, Spe salvi.

«No caminho de nossas vidas, freqüentemente escuro, Ela é uma luz de esperança, que nos ilumina e nos orienta em nosso caminhar. Por seu ‘sim’, pelo dom generoso de si mesma, Ela abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história», terminou.

Após a homilia, interrompida em vários momentos pelos aplausos, com uma iniciativa pouco comum, o Papa deixou um longo momento de silêncio para deixar espaço à meditação sobre a mensagem de Lourdes.



Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»
Setembro 15, 2008, 2:30 am
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Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»

A mensagem que Maria deixou há 150 anos é uma mensagem de esperança

LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI lançou uma mensagem de esperança na missa que presidiu neste domingo nesta localidade dos Pirineus franceses por ocasião dos 150 anos das aparições da Virgem Maria: «O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça».

Na homilia, o pontífice apresentou «o essencial da mensagem de Lourdes» aos 150 mil peregrinos reunidos sob um céu azul. Concelebraram a Eucaristia com o Papa 230 bispos e mil sacerdotes. Para poder estar presentes, cerca de 5 mil pessoas haviam dormido a noite anterior na basílica subterrânea de São Pio X.

No dia no qual a liturgia da Igreja celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, o pontífice recordou que «é significativo» que na primeira aparição a Santa Bernadete Soubirous (1844-1879) Maria tenha começado seu encontro com o sinal da Cruz.

«O sinal da Cruz é de alguma forma o compêndio da nossa fé, porque nos diz o quanto Deus nos amou; e nos diz que, no mundo, há um amor mais forte que a morte, mais forte que nossas fraquezas e pecados. O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça», afirmou.

Segundo Bento XVI, «este mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens é o que Maria revelou aqui, em Lourdes. Ela convida todos os homens de boa vontade, todos os que sofrem em seu coração ou em seu corpo, a levantarem os olhos para a Cruz de Jesus para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação», assegurou.

Bernadete deu testemunho de 18 aparições da Virgem entre 11 de fevereiro e 18 de julho de 1858, na gruta de Massabielle. Hoje Lourdes reúne cada ano cerca de 6 milhões de peregrinos. Desde então, a Sala Médica dos Santuários reconheceu 67 milagres (curas cientificamente inexplicáveis). Cada ano esta instituição recebe indicações de cerca de 35 casos de possíveis milagres. Na maioria dos casos, a pesquisa não prospera.

Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o sucessor de Pedro recordou que a Virgem se apresentou a Bernadete com este nome: «Eu sou a Imaculada Conceição».

«Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’». Desta forma, declarou, «ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade».

«É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança», assegurou.

Em Lourdes, recordou, «Maria vem a nosso encontro como a Mãe sempre disponível diante das necessidades de seus filhos. Mediante a luz que brota de seu rosto transparece a misericórdia de Deus. Deixemos que seu olhar nos acaricie e nos diga que Deus nos ama e nunca nos abandona», exortou.

Por este motivo, concluiu, «a mensagem de Maria é uma mensagem de esperança para todos os homens e para todas as mulheres do nosso tempo, sejam do país que forem».

O Papa confessou que gosta de invocar Maria como «Estrela da esperança», como o faz no número 50 de sua segunda encíclica, Spe salvi.

«No caminho de nossas vidas, freqüentemente escuro, Ela é uma luz de esperança, que nos ilumina e nos orienta em nosso caminhar. Por seu ‘sim’, pelo dom generoso de si mesma, Ela abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história», terminou.

Após a homilia, interrompida em vários momentos pelos aplausos, com uma iniciativa pouco comum, o Papa deixou um longo momento de silêncio para deixar espaço à meditação sobre a mensagem de Lourdes.



Peregrinos do mundo inteiro em Lourdes para ver o Papa e escutar Nossa Senhora
Setembro 15, 2008, 1:37 am
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Peregrinos do mundo inteiro em Lourdes para ver o Papa e escutar Nossa Senhora

Doentes, crianças, voluntários… Para todos: uma experiência de fé

Por Anita S. Bourdin

LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bandeiras da Polônia (vermelha e branca) ou da Nigéria (verde e branca), mostravam na manhã deste domingo como Bento XVI reuniu peregrinos do mundo inteiro em torno da Gruta de Lourdes.

Às 8h, chegaram os doentes para ocupar seus lugares, junto ao palco branco onde se elevou o altar no qual o Papa presidiu a Eucaristia do jubileu no Prado do Santuário.

Os doentes, que aqui se sentem como em sua casa, aproximavam-se em procissão serena e ordenada, rodeados pela atenção dos voluntários das UNITALSI italiana, a associação que organiza peregrinações de doentes a Lourdes e a outros santuários.

Uma família polonesa de Poznan foi de carro, três dias de estrada: o pai, a mãe e os seis filhos. O menor tem 10 anos; a mais velha, Julie, 22, estuda direito e fala francês. Vieram porque queriam viver os 150 anos das aparições da Virgem Maria junto ao Papa.

Traduzindo Elisabeth, sua mãe, Julie explica que quis vir em família para «visitar Maria e Bernadete»: «Os poloneses gostam das peregrinações – explica. E na Polônia, Lourdes é muito popular». O pai, Pawel, vem a esta cidade pela 10ª vez. Veio pela primeira vez com sua mãe e está feliz por trazer agora sua família: «É o santuário mais lindo», assegura.

Desde Bordeaux, um grupo de escoteiros fez uma viagem de cinco horas de ônibus «para vir ver o Papa», diz Luc, de 9 anos e meio, para «vir ver o lugar no qual Nossa Senhora apareceu» e rezar, pois «ela ainda está aqui». Seu guia, Clémence, de 18 anos, quis vir «ao lugar da aparição de Nossa Senhora» para «unir-se a todos os cristãos e rezar».

Na esplanada, preparando-se espiritualmente para a missa, encontram também Agnes, de Morlaix, localidade da Grã-Bretanha, de 63 anos, que veio pela primeira vez como voluntária hospitalar para atender os doentes, e sua amiga Béatrice, de 67 anos, de Anjou, voluntária hospitalar há 15 anos, que veio pela primeira vez em 1976.

Agnes espera desta visita de Bento XVI «uma renovação da Igreja na França», «forças vivas», «um despertar na fé dos franceses».

Agnes está muito contente por seu serviço como voluntária e agradece as duas mulheres suíças que lhe ensinaram alguns detalhes e gestos para ajudar os doentes, em particular os que vão se banhar nas piscinas.

Hélène Jourdan, nascida em 1934, como Blanca Julen, alemãs, também estão aqui. Vêm a este lugar para pôr-se ao serviço dos peregrinos há 45 e 50 anos respectivamente.

Nas piscinas, segundo conta, ajudam «os peregrinos a fazerem o que Maria pediu: vir em procissão e beber a água». «Nós nos colocamos ao serviço das pessoas para que cumpram com o que Maria pede», explica Blanca.

Para Hélène, é como «ser uma mãe para os peregrinos, sobretudo para os jovens», em particular, doentes. Blanca confessa: «É nossa vida!». Passam 4 meses por ano em Lourdes, há 5 anos: dois na primavera e outros dois agora.

Os jovens espanhóis, como de costume, são os que mais fazem barulho. Pode-se ver na noite deste sábado, durante a procissão das tochas. Alguns chegaram com uma série de 300 ônibus esse dia, e este domingo chegavam outros 300.

Andréia, uma jovem de 20 anos, de Barcelona, vem para Lourdes pela segunda vez, e sua amiga Sheila, 21 anos, pela primeira vez. Assegura que está aqui «para ver o Papa também pela primeira vez». Cerca de 400 peregrinos vieram de Barcelona, passando por Torreciudad.

Após ver o Santo Padre, Andréa diz que vem «para receber a força para ser uma boa cristã». Sheila sublinha que a presença de doentes dá «alegria», pois «carregam seu sofrimento com esperança».

Ana, de 18 anos, sevilhana, está pela primeira vez em Lourdes «para ver o Papa» e porque «Nossa Senhora verdadeiramente alcança milagres».

De Bilbao, Clara, de 18 anos, está em Lourdes pela segunda vez para fazer parte dos «novos jovens» que «apóiam o Papa», «para rezar por ele», «acompanhá-lo», para manifestar sua «devoção a Nossa Senhora, no aniversário das aparições, e porque há milagres».

Da ilha italiana da Sicília vieram 200 peregrinos com a UNITALSI. Rosária, de 57 anos, vem há 11 anos. Neste ano, ela acompanhou os doentes por três vezes: por ocasião do aniversário da primeira aparição, em 11 de fevereiro; para participar do «Trem das crianças», e por ocasião da visita do Papa. Dois dias e uma noite em cada ocasião ou um dia e duas noites…

Ela espera voltar para a Itália com «uma fé mais forte, pois onde está o Papa, está Nosso Senhor», explica. «Ela nos uniu a Deus e à sua Mãe.»

Outros italianos vêm do norte, de Bibiana, terra franciscana, pois em La Verna, São Francisco de Assis recebeu os estigmas.

Na área do Prado reservada à diocese de Tarbes e Lourdes, à direita do palco, chegam famílias com seus carrinhos de bebês. É o caso de Michael e Marie-Hélène Camel, de cerca de 40 anos, com seus seis filhos de 13 meses a 11 anos.

Marie-Hélène reconhece que a preparação, o dia anterior, não foi fácil, pois era preciso preparar tudo: o piquenique, a roupa para os filhos, «madrugar»… Mas acrescenta: «Não temos nenhum mérito, é uma alegria poder vir». Sébastien, de 11 anos, e Floriane, de 9, estão alegres por poder «ver o Papa».



Peregrinos do mundo inteiro em Lourdes para ver o Papa e escutar Nossa Senhora
Setembro 15, 2008, 1:37 am
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Peregrinos do mundo inteiro em Lourdes para ver o Papa e escutar Nossa Senhora

Doentes, crianças, voluntários… Para todos: uma experiência de fé

Por Anita S. Bourdin

LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bandeiras da Polônia (vermelha e branca) ou da Nigéria (verde e branca), mostravam na manhã deste domingo como Bento XVI reuniu peregrinos do mundo inteiro em torno da Gruta de Lourdes.

Às 8h, chegaram os doentes para ocupar seus lugares, junto ao palco branco onde se elevou o altar no qual o Papa presidiu a Eucaristia do jubileu no Prado do Santuário.

Os doentes, que aqui se sentem como em sua casa, aproximavam-se em procissão serena e ordenada, rodeados pela atenção dos voluntários das UNITALSI italiana, a associação que organiza peregrinações de doentes a Lourdes e a outros santuários.

Uma família polonesa de Poznan foi de carro, três dias de estrada: o pai, a mãe e os seis filhos. O menor tem 10 anos; a mais velha, Julie, 22, estuda direito e fala francês. Vieram porque queriam viver os 150 anos das aparições da Virgem Maria junto ao Papa.

Traduzindo Elisabeth, sua mãe, Julie explica que quis vir em família para «visitar Maria e Bernadete»: «Os poloneses gostam das peregrinações – explica. E na Polônia, Lourdes é muito popular». O pai, Pawel, vem a esta cidade pela 10ª vez. Veio pela primeira vez com sua mãe e está feliz por trazer agora sua família: «É o santuário mais lindo», assegura.

Desde Bordeaux, um grupo de escoteiros fez uma viagem de cinco horas de ônibus «para vir ver o Papa», diz Luc, de 9 anos e meio, para «vir ver o lugar no qual Nossa Senhora apareceu» e rezar, pois «ela ainda está aqui». Seu guia, Clémence, de 18 anos, quis vir «ao lugar da aparição de Nossa Senhora» para «unir-se a todos os cristãos e rezar».

Na esplanada, preparando-se espiritualmente para a missa, encontram também Agnes, de Morlaix, localidade da Grã-Bretanha, de 63 anos, que veio pela primeira vez como voluntária hospitalar para atender os doentes, e sua amiga Béatrice, de 67 anos, de Anjou, voluntária hospitalar há 15 anos, que veio pela primeira vez em 1976.

Agnes espera desta visita de Bento XVI «uma renovação da Igreja na França», «forças vivas», «um despertar na fé dos franceses».

Agnes está muito contente por seu serviço como voluntária e agradece as duas mulheres suíças que lhe ensinaram alguns detalhes e gestos para ajudar os doentes, em particular os que vão se banhar nas piscinas.

Hélène Jourdan, nascida em 1934, como Blanca Julen, alemãs, também estão aqui. Vêm a este lugar para pôr-se ao serviço dos peregrinos há 45 e 50 anos respectivamente.

Nas piscinas, segundo conta, ajudam «os peregrinos a fazerem o que Maria pediu: vir em procissão e beber a água». «Nós nos colocamos ao serviço das pessoas para que cumpram com o que Maria pede», explica Blanca.

Para Hélène, é como «ser uma mãe para os peregrinos, sobretudo para os jovens», em particular, doentes. Blanca confessa: «É nossa vida!». Passam 4 meses por ano em Lourdes, há 5 anos: dois na primavera e outros dois agora.

Os jovens espanhóis, como de costume, são os que mais fazem barulho. Pode-se ver na noite deste sábado, durante a procissão das tochas. Alguns chegaram com uma série de 300 ônibus esse dia, e este domingo chegavam outros 300.

Andréia, uma jovem de 20 anos, de Barcelona, vem para Lourdes pela segunda vez, e sua amiga Sheila, 21 anos, pela primeira vez. Assegura que está aqui «para ver o Papa também pela primeira vez». Cerca de 400 peregrinos vieram de Barcelona, passando por Torreciudad.

Após ver o Santo Padre, Andréa diz que vem «para receber a força para ser uma boa cristã». Sheila sublinha que a presença de doentes dá «alegria», pois «carregam seu sofrimento com esperança».

Ana, de 18 anos, sevilhana, está pela primeira vez em Lourdes «para ver o Papa» e porque «Nossa Senhora verdadeiramente alcança milagres».

De Bilbao, Clara, de 18 anos, está em Lourdes pela segunda vez para fazer parte dos «novos jovens» que «apóiam o Papa», «para rezar por ele», «acompanhá-lo», para manifestar sua «devoção a Nossa Senhora, no aniversário das aparições, e porque há milagres».

Da ilha italiana da Sicília vieram 200 peregrinos com a UNITALSI. Rosária, de 57 anos, vem há 11 anos. Neste ano, ela acompanhou os doentes por três vezes: por ocasião do aniversário da primeira aparição, em 11 de fevereiro; para participar do «Trem das crianças», e por ocasião da visita do Papa. Dois dias e uma noite em cada ocasião ou um dia e duas noites…

Ela espera voltar para a Itália com «uma fé mais forte, pois onde está o Papa, está Nosso Senhor», explica. «Ela nos uniu a Deus e à sua Mãe.»

Outros italianos vêm do norte, de Bibiana, terra franciscana, pois em La Verna, São Francisco de Assis recebeu os estigmas.

Na área do Prado reservada à diocese de Tarbes e Lourdes, à direita do palco, chegam famílias com seus carrinhos de bebês. É o caso de Michael e Marie-Hélène Camel, de cerca de 40 anos, com seus seis filhos de 13 meses a 11 anos.

Marie-Hélène reconhece que a preparação, o dia anterior, não foi fácil, pois era preciso preparar tudo: o piquenique, a roupa para os filhos, «madrugar»… Mas acrescenta: «Não temos nenhum mérito, é uma alegria poder vir». Sébastien, de 11 anos, e Floriane, de 9, estão alegres por poder «ver o Papa».