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LEITOR PROTESTANTE INDAGA SOBRE SANTOS, CANONIZAÇÕES E IMAGENS
Por Taiguara Fernandes de Sousa
Nome do leitor: João Marcos
Cidade/UF: Parnaíba/PI
Religião: Cristã
Confissão: Protestante
Mensagem
========
Os tais santos da Igreja Católica são canonizados por um homem, o “Papa”. É engraçado não é? Um homem pecador, comedor de feijão, se acha tão santo que lhe dão o poder de transformar meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui, e os canoniza como “santos”.
A Bíblia, tanto católica como evangélica, diz que só existe um Santo, que é o Jesus.
A região Nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria: imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis.
A seca continua assolando aquela região, e assim vai ser até que todos sejam consumidos pela maldita idolatria.
Sou anti-santo de barro, pois sei que nada são.
Que Deus tire a venda que está nos olhos dos nossos irmãos católicos.
João Marcos
Prezado João Marcos,
A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e as bênçãos de Maria!
Sua mensagem revela uma completa ignorância a respeito da doutrina católica sobre os Santos e as imagens, como também uma visão absurdamente deformada da mesma. Você não sabe o que, objetivamente, são os Santos. Você não sabe o que, em verdade, é um processo de canonização. E muito menos sabe o que, de fato, são as imagens. E você não pode falar do que não sabe.
Mas não se preocupe. O Veritatis Splendor é um Apostolado que se dedica justamente a resolver tais mal-entendidos. Tendo sido sua mensagem encaminhada a mim, é isto que farei, em nome deste Apostolado.
Os Santos e as Canonizações
Você tem razão ao dizer que aqueles que nós, católicos, veneramos como Santos são “meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui”. Ora, sem dúvida no dia do Juízo hão de prestar contas a Deus, juntos a todos os homens. Aliás, eles já prestaram contas a Deus, logo após a morte, em juízo particular.
Mas o fato de que prestaram contas a Deus não quer dizer de modo algum que eles não tenham sido pessoas sobremaneira virtuosas a ponto de merecerem a glória do Céu. Porque, sim, nós prestaremos contas a Deus do que fizemos de bom e de mal; mas e se conduzimos nossa vida conforme os ditames da Lei de Deus, e se dirigimos nossa conduta de acordo com os ensinamentos de Cristo – não atingiremos a santidade? E no dia que prestarmos contas a Deus, não prestaremos contas das tantas coisas boas que fizemos e pregamos, da santidade que me vida procuramos edificar?
Isto fizeram os Santos, caríssimo João.
Foram pessoas, homens e mulheres, “meros seres humanos” – sim, você está certo ao defini-los assim! –, que de tal maneira se dedicaram a viver em tudo conforme a Cristo, que já podiam dizer como o Apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Foram meros seres humanos cuja medida da vida foi Cristo, cujo combustível da existência foi o amor a Deus. Foram meros seres humanos que, dia após dia, venceram as dificuldades diárias, carregaram sua própria Cruz, para imitar a Cristo Crucificado e Vencedor da morte! Foram meros seres humanos cujo horror ao pecado e o amor à santidade perpassaram cada instante de sua vivência diária. Foram meros seres humanos cujo cultivo da Fé, da Esperança e da Caridade, cujo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos era de tal maneira radical que de igual modo os aproximou de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que radicalmente nos amou até o fim. Foram meros seres humanos que responderam àquele convite de Nosso Senhor: “Sede santos, como vosso Pai que está no Céu é Santo” (Mateus 5,48).
E se tanto fizeram, não podem ser ditos santos? Não podem ser declarados como tais?
Se foram santos em vida, por que deixariam de sê-lo após a morte?
Nestas condições, após uma acurada investigação de suas vidas e condutas, o Papa, que é Chefe da Igreja, pode declarar que estas pessoas foram santas em vida, e que portanto agora já gozam das benesses de Nosso Senhor no céu.
Não é o Papa que torna uma pessoa santa. É Deus e a própria pessoa: Deus auxiliando-a com sua graça, e a pessoa deixando-se levar pela graça de Deus, dirigindo sua conduta conforme os desígnios do Senhor, e assim santificando-se dia após dia. Quando o Papa canoniza uma pessoa, ela não a está tornando santa: está reconhecendo um fato já consumado, ou seja, que aquela pessoa viveu santamente e que por isso goza da visão de Deus no céu. A santidade da pessoa não acontece após a canonização pelo Papa: a santidade é anterior à canonização. A pessoa não se torna santa porque é canonizada: ela é canonizada porque é santa. Esta é a ordem das coisas.
Um processo de canonização é uma investigação acurada e cuidadosíssima. Não é coisa leviana. É feita um inquérito minuciosíssimo em torno da vida e obra do cristão que se intenta canonizar para comprovar se ele desenvolveu mesmo os que se chama de “heróicas virtudes cristãs” e se sua vida foi mesmo devotada ao serviço de Deus, da Igreja e do próximo. Além disso, são exigidos pela Igreja, para comprovação da santidade, que pelo menos três milagres, comprovados pela ciência como inexplicáveis, tenham ocorrido pela intercessão da pessoa que se intenta canonizar; estes milagres comprovam que a pessoa está realmente no céu, e que por isso já pode rezar por nós a Deus para que Ele nos conceda suas poderosas graças.
Após canonizado, o santo é proposto como modelo aos fiéis cristãos. Olhando para as virtudes do santo, para o modo como conduziu sua vida, para suas obras e palavras, para o modo como viveu intensamente por Cristo e para Cristo, o fiel cristão busca imitar o santo, tomá-lo como modelo, assemelhar-se a ele e assim assemelhar-se também a Cristo, a Quem o santo fez medida de sua vida.
Portanto, os santos da Igreja não são ídolos: eles mesmos adoraram a Cristo incessantemente, e por isso são ditos santos; o fiel, olhando para esta sua incessante adoração ao Filho de Deus, toma-os como modelo e busca, como eles, seguindo seu exemplo, adorar Nosso Senhor e viver segundo seus mandamentos a cada instante de sua vida.
As Imagens
“A região nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria, imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis”, diz-me você.
Eu sou nordestino, vivi toda minha vida no Nordeste, e, em absoluto, não vejo essa tamanha idolatria que você denuncia.
Obviamente, o que você intenta denunciar não é a idolatria, mas o costume sadio e benigno dos católicos de confeccionar e venerar imagens de Cristo, da Virgem Maria, e dos Santos de Deus. Como para todo protestante uma imagem sempre é um ídolo, então você encara que esta nobre e tradicional devoção católica, fortíssima também no Nordeste – que é católico majoritariamente, graças a Deus! –, é uma idolatria.
Engana-se, meu caro.
Engana-se severamente.
Os pastores da sua comunidade, homens com mania de Deus que acharam por bem fundar uma Igreja – quando só Deus tem o poder e a autoridade para fundar uma Igreja –, não estão lhe ensinando bem.
Pois se toda imagem é um sintoma de idolatria, por que o próprio Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente de bronze? Está lá na Bíblia – “tanto católica como evangélica”, para usar suas palavras – em Números 21,5-9: “O povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: ‘Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento’. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós estas serpentes’. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.’ Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma cobra e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”.
Isso mesmo, meu caro. O mesmo Deus que proibiu imagens mandou que fossem feitas imagens. Como explicar isto? Como compreender esta aparente incoerência?
É preciso diferenciar ídolos de imagens.
Os pagãos atribuíam aos ídolos de barro e ouro poderes divinos. Atribuíam estes poderes aos ídolos em si, enquanto meras peças confeccionadas por mãos humanas.
Os hebreus e cristãos não atribuíam – nem atribuem – poderes divinos às imagens: para o hebreu – que confeccionou leões para o Templo de Jerusalém (I Reis 7,29.36.45), querubins para a Arca da Aliança (cf. Deuteronômio 4,17) e uma serpente de bronze – e para os cristãos – que desde os primeiros séculos, época dos Apóstolos, confeccionavam imagens, como comprovam as catacumbas dos mártires – uma imagem é uma representação de Cristo, uma representação tão-somente – da mesma forma como a serpente de bronze representava Cristo, que ia ser levantado na Cruz (cf. João 3,14) – e a esta representação não são atribuídos nenhum tipo de poder místico ou divino, até porque é só uma representação.
Pela imagem o cristão aprende as verdades da Fé; as imagens são como um livro: da mesma maneira como as letras ensinam os mandamentos do Senhor, as imagens ilustram estes mandamentos e os transmitem de outra forma. Por isto o Papa São Gregório Magno ensinava: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.
Além disso, as preces que são dirigidas a uma imagem não se dirigem à imagem em si, mas à realidade que ela fundamentalmente representa: Cristo. Por isto, ensina a Igreja no Concílio de Trento: “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas ‘Divindades’ ou ‘virtude alguma’, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos, as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo-nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”.
E mesmo as imagens da Virgem Maria e dos Santos representam fundamentalmente a Cristo, pois é em Cristo que a Virgem Maria e o Santos têm a sua glória, e sem Cristo eles nada seriam: eles fazem parte daquela “nuvem de testemunhas” de que fala o Apóstolo (Hebreus 12,1).
Portanto, meu caro, não creia nas barbaridades que muitos pastores protestantes proferem contra a Igreja Católica sem ter um mínimo de fundamento para tanto. Veja por exemplo que não própria Bíblia há momento em que os homens são ordenados a confeccionar imagens por Deus mesmo.
Se o próprio Deus sabe a diferença entre o que é uma imagem e o que é um ídolo, porque não haveríamos nós, que me tudo queremos segui-Lo, não saber esta diferença? Diferenciemos, portanto, o que são imagens e o que são ídolos – e são coisas bem distintas! – pois Deus mesmo os diferencia.
E se o próprio Deus se agrada com as imagens – como se agradou com os querubins da Arca da Aliança e aqueles tecidos nas paredes do Tabernáculo –, mas reprova os ídolos, o que devemos nós fazer? Agradarmo-nos com as imagens, mas reprovarmos os ídolos.
É preciso diferenciar o que é uma imagem e o que é um ídolo. Deus mesmo o faz, e nós também devemos fazê-lo.
Conclusão
Espero que estas simples considerações possam fazê-lo compreender a doutrina católica a respeito dos Santos e das imagens sacras. Espero que elas também tenham dissipado os mal-entendidos plantados em sua mente por pastores protestantes que não encontram fundamentos para suas críticas à Igreja.
Se você realmente desejar a verdade, sugiro que procure em nosso site outros trabalhos a respeito.
Indico desde já alguns para leitura:
LIMA, Alessandro. APOLOGIA À VENERAÇÃO DOS SANTOS NO CRISTIANISMO PRIMITIVO, in: http://www.veritatis.com.br/article/3937
MARTINS, Leandro. LEITOR PERGUNTA SOBRE CULTO AOS SANTOS E IDOLATRIA, in: http://www.veritatis.com.br/article/4781
ROSMAN, Renato C. LEITOR PERGUNTA SOBRE A ORAÇÃO DE INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5265
GRILLO, Marcos M. LEITOR PROTESTANTE PERGUNTA SOBRE A INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5132
NABETO, Carlos. A Bíblia condena o uso de imagens? Deus permite a fabricação de imagens?; in: http://www.veritatis.com.br/article/4478
PERES, Bruno. PROTESTANTES USAM IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/2664
MOURA, Jaime F. PROTESTANTES EM FAVOR DAS IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/1643
MOURA, Jaime F. LEITOR PEDE ESCLARECIMENTOS SOBRE O CULTO DAS IMAGENS E MARIA SANTÍSSIMA, in: http://www.veritatis.com.br/article/5196
LIMA, Alessandro. DEUS PROÍBE A CONFECÇÃO DE IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/325
NABETO, Carlos. LUTERO CONTRA AS IMAGENS E SANTOS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/3559
Sobre os santos, sugiro que leia também o livro de meu amigo e irmão de Apostolado, Carlos Martins Nabeto, Maria, os Santo e os Anjos, da série Citações Patrísticas, onde o autor com muita argúcia reúne textos dos primeiros cristãos – alguns remontando à época apostólica – a respeito do culto de veneração à Virgem Maria, aos Santos e Anjos. O livro está disponível gratuitamente para download em: http://www.veritatis.com.br/article/4663
Presto-lhe meus sinceros desejos de conversão.
Escreva-me suas considerações em resposta a estas minhas ou sempre que o desejar.
Meu cordial abraço!
Em Cristo,
Taiguara Fernandes de Sousa.
“Omnes cum Petro, ad Iesum per Mariam!”
(Todos com Pedro, a Jesus por Maria!)
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Todos os artigos disponíveis neste sítio são de livre cópia e difusão deste que sempre sejam citados a fonte e o(s) autor(es).
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LEITOR PROTESTANTE INDAGA SOBRE SANTOS, CANONIZAÇÕES E IMAGENS
Por Taiguara Fernandes de Sousa
Nome do leitor: João Marcos
Cidade/UF: Parnaíba/PI
Religião: Cristã
Confissão: Protestante
Mensagem
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Os tais santos da Igreja Católica são canonizados por um homem, o “Papa”. É engraçado não é? Um homem pecador, comedor de feijão, se acha tão santo que lhe dão o poder de transformar meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui, e os canoniza como “santos”.
A Bíblia, tanto católica como evangélica, diz que só existe um Santo, que é o Jesus.
A região Nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria: imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis.
A seca continua assolando aquela região, e assim vai ser até que todos sejam consumidos pela maldita idolatria.
Sou anti-santo de barro, pois sei que nada são.
Que Deus tire a venda que está nos olhos dos nossos irmãos católicos.
João Marcos
Prezado João Marcos,
A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo e as bênçãos de Maria!
Sua mensagem revela uma completa ignorância a respeito da doutrina católica sobre os Santos e as imagens, como também uma visão absurdamente deformada da mesma. Você não sabe o que, objetivamente, são os Santos. Você não sabe o que, em verdade, é um processo de canonização. E muito menos sabe o que, de fato, são as imagens. E você não pode falar do que não sabe.
Mas não se preocupe. O Veritatis Splendor é um Apostolado que se dedica justamente a resolver tais mal-entendidos. Tendo sido sua mensagem encaminhada a mim, é isto que farei, em nome deste Apostolado.
Os Santos e as Canonizações
Você tem razão ao dizer que aqueles que nós, católicos, veneramos como Santos são “meros seres humanos, que prestarão contas de tudo que fizeram aqui”. Ora, sem dúvida no dia do Juízo hão de prestar contas a Deus, juntos a todos os homens. Aliás, eles já prestaram contas a Deus, logo após a morte, em juízo particular.
Mas o fato de que prestaram contas a Deus não quer dizer de modo algum que eles não tenham sido pessoas sobremaneira virtuosas a ponto de merecerem a glória do Céu. Porque, sim, nós prestaremos contas a Deus do que fizemos de bom e de mal; mas e se conduzimos nossa vida conforme os ditames da Lei de Deus, e se dirigimos nossa conduta de acordo com os ensinamentos de Cristo – não atingiremos a santidade? E no dia que prestarmos contas a Deus, não prestaremos contas das tantas coisas boas que fizemos e pregamos, da santidade que me vida procuramos edificar?
Isto fizeram os Santos, caríssimo João.
Foram pessoas, homens e mulheres, “meros seres humanos” – sim, você está certo ao defini-los assim! –, que de tal maneira se dedicaram a viver em tudo conforme a Cristo, que já podiam dizer como o Apóstolo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Foram meros seres humanos cuja medida da vida foi Cristo, cujo combustível da existência foi o amor a Deus. Foram meros seres humanos que, dia após dia, venceram as dificuldades diárias, carregaram sua própria Cruz, para imitar a Cristo Crucificado e Vencedor da morte! Foram meros seres humanos cujo horror ao pecado e o amor à santidade perpassaram cada instante de sua vivência diária. Foram meros seres humanos cujo cultivo da Fé, da Esperança e da Caridade, cujo amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmos era de tal maneira radical que de igual modo os aproximou de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que radicalmente nos amou até o fim. Foram meros seres humanos que responderam àquele convite de Nosso Senhor: “Sede santos, como vosso Pai que está no Céu é Santo” (Mateus 5,48).
E se tanto fizeram, não podem ser ditos santos? Não podem ser declarados como tais?
Se foram santos em vida, por que deixariam de sê-lo após a morte?
Nestas condições, após uma acurada investigação de suas vidas e condutas, o Papa, que é Chefe da Igreja, pode declarar que estas pessoas foram santas em vida, e que portanto agora já gozam das benesses de Nosso Senhor no céu.
Não é o Papa que torna uma pessoa santa. É Deus e a própria pessoa: Deus auxiliando-a com sua graça, e a pessoa deixando-se levar pela graça de Deus, dirigindo sua conduta conforme os desígnios do Senhor, e assim santificando-se dia após dia. Quando o Papa canoniza uma pessoa, ela não a está tornando santa: está reconhecendo um fato já consumado, ou seja, que aquela pessoa viveu santamente e que por isso goza da visão de Deus no céu. A santidade da pessoa não acontece após a canonização pelo Papa: a santidade é anterior à canonização. A pessoa não se torna santa porque é canonizada: ela é canonizada porque é santa. Esta é a ordem das coisas.
Um processo de canonização é uma investigação acurada e cuidadosíssima. Não é coisa leviana. É feita um inquérito minuciosíssimo em torno da vida e obra do cristão que se intenta canonizar para comprovar se ele desenvolveu mesmo os que se chama de “heróicas virtudes cristãs” e se sua vida foi mesmo devotada ao serviço de Deus, da Igreja e do próximo. Além disso, são exigidos pela Igreja, para comprovação da santidade, que pelo menos três milagres, comprovados pela ciência como inexplicáveis, tenham ocorrido pela intercessão da pessoa que se intenta canonizar; estes milagres comprovam que a pessoa está realmente no céu, e que por isso já pode rezar por nós a Deus para que Ele nos conceda suas poderosas graças.
Após canonizado, o santo é proposto como modelo aos fiéis cristãos. Olhando para as virtudes do santo, para o modo como conduziu sua vida, para suas obras e palavras, para o modo como viveu intensamente por Cristo e para Cristo, o fiel cristão busca imitar o santo, tomá-lo como modelo, assemelhar-se a ele e assim assemelhar-se também a Cristo, a Quem o santo fez medida de sua vida.
Portanto, os santos da Igreja não são ídolos: eles mesmos adoraram a Cristo incessantemente, e por isso são ditos santos; o fiel, olhando para esta sua incessante adoração ao Filho de Deus, toma-os como modelo e busca, como eles, seguindo seu exemplo, adorar Nosso Senhor e viver segundo seus mandamentos a cada instante de sua vida.
As Imagens
“A região nordeste vive nos dias de hoje a febre da idolatria, imagens são carregadas nos ombros das pessoas como se aquela porcaria feita de barro, pedra, ferro, pudesse fazer alguma coisa por aqueles miseráveis”, diz-me você.
Eu sou nordestino, vivi toda minha vida no Nordeste, e, em absoluto, não vejo essa tamanha idolatria que você denuncia.
Obviamente, o que você intenta denunciar não é a idolatria, mas o costume sadio e benigno dos católicos de confeccionar e venerar imagens de Cristo, da Virgem Maria, e dos Santos de Deus. Como para todo protestante uma imagem sempre é um ídolo, então você encara que esta nobre e tradicional devoção católica, fortíssima também no Nordeste – que é católico majoritariamente, graças a Deus! –, é uma idolatria.
Engana-se, meu caro.
Engana-se severamente.
Os pastores da sua comunidade, homens com mania de Deus que acharam por bem fundar uma Igreja – quando só Deus tem o poder e a autoridade para fundar uma Igreja –, não estão lhe ensinando bem.
Pois se toda imagem é um sintoma de idolatria, por que o próprio Deus ordenou a Moisés que confeccionasse uma serpente de bronze? Está lá na Bíblia – “tanto católica como evangélica”, para usar suas palavras – em Números 21,5-9: “O povo perdeu a coragem no caminho, e começou a murmurar contra Deus e contra Moisés: ‘Por que, diziam eles, nos tirastes do Egito, para morrermos no deserto onde não há pão nem água? Estamos enfastiados deste miserável alimento’. Então o Senhor enviou contra o povo serpentes ardentes, que morderam e mataram muitos. O povo veio a Moisés e disse-lhe: ‘Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós estas serpentes’. Moisés intercedeu pelo povo, e o Senhor disse a Moisés: ‘Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.’ Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma cobra e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida”.
Isso mesmo, meu caro. O mesmo Deus que proibiu imagens mandou que fossem feitas imagens. Como explicar isto? Como compreender esta aparente incoerência?
É preciso diferenciar ídolos de imagens.
Os pagãos atribuíam aos ídolos de barro e ouro poderes divinos. Atribuíam estes poderes aos ídolos em si, enquanto meras peças confeccionadas por mãos humanas.
Os hebreus e cristãos não atribuíam – nem atribuem – poderes divinos às imagens: para o hebreu – que confeccionou leões para o Templo de Jerusalém (I Reis 7,29.36.45), querubins para a Arca da Aliança (cf. Deuteronômio 4,17) e uma serpente de bronze – e para os cristãos – que desde os primeiros séculos, época dos Apóstolos, confeccionavam imagens, como comprovam as catacumbas dos mártires – uma imagem é uma representação de Cristo, uma representação tão-somente – da mesma forma como a serpente de bronze representava Cristo, que ia ser levantado na Cruz (cf. João 3,14) – e a esta representação não são atribuídos nenhum tipo de poder místico ou divino, até porque é só uma representação.
Pela imagem o cristão aprende as verdades da Fé; as imagens são como um livro: da mesma maneira como as letras ensinam os mandamentos do Senhor, as imagens ilustram estes mandamentos e os transmitem de outra forma. Por isto o Papa São Gregório Magno ensinava: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os iletrados; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler”.
Além disso, as preces que são dirigidas a uma imagem não se dirigem à imagem em si, mas à realidade que ela fundamentalmente representa: Cristo. Por isto, ensina a Igreja no Concílio de Trento: “As imagens de Cristo e da Virgem Maria, Mãe de Deus, e dos Santos, devem ser guardadas nas Igrejas, onde se lhes devem prestar a devida honra e veneração; não por crer que haja nelas ‘Divindades’ ou ‘virtude alguma’, a quem queremos adorar ou pedir favores imitando os antigos gentios, que punham toda a sua confiança em seus ídolos; mas porque as honras que lhes prestamos, as referimos aos protótipos que elas representam, de sorte que, quando beijamos uma imagem, ou nos descobrimos ou prostramo-nos diante dela, adoramos Jesus Cristo e veneramos os santos por elas representadas”.
E mesmo as imagens da Virgem Maria e dos Santos representam fundamentalmente a Cristo, pois é em Cristo que a Virgem Maria e o Santos têm a sua glória, e sem Cristo eles nada seriam: eles fazem parte daquela “nuvem de testemunhas” de que fala o Apóstolo (Hebreus 12,1).
Portanto, meu caro, não creia nas barbaridades que muitos pastores protestantes proferem contra a Igreja Católica sem ter um mínimo de fundamento para tanto. Veja por exemplo que não própria Bíblia há momento em que os homens são ordenados a confeccionar imagens por Deus mesmo.
Se o próprio Deus sabe a diferença entre o que é uma imagem e o que é um ídolo, porque não haveríamos nós, que me tudo queremos segui-Lo, não saber esta diferença? Diferenciemos, portanto, o que são imagens e o que são ídolos – e são coisas bem distintas! – pois Deus mesmo os diferencia.
E se o próprio Deus se agrada com as imagens – como se agradou com os querubins da Arca da Aliança e aqueles tecidos nas paredes do Tabernáculo –, mas reprova os ídolos, o que devemos nós fazer? Agradarmo-nos com as imagens, mas reprovarmos os ídolos.
É preciso diferenciar o que é uma imagem e o que é um ídolo. Deus mesmo o faz, e nós também devemos fazê-lo.
Conclusão
Espero que estas simples considerações possam fazê-lo compreender a doutrina católica a respeito dos Santos e das imagens sacras. Espero que elas também tenham dissipado os mal-entendidos plantados em sua mente por pastores protestantes que não encontram fundamentos para suas críticas à Igreja.
Se você realmente desejar a verdade, sugiro que procure em nosso site outros trabalhos a respeito.
Indico desde já alguns para leitura:
LIMA, Alessandro. APOLOGIA À VENERAÇÃO DOS SANTOS NO CRISTIANISMO PRIMITIVO, in: http://www.veritatis.com.br/article/3937
MARTINS, Leandro. LEITOR PERGUNTA SOBRE CULTO AOS SANTOS E IDOLATRIA, in: http://www.veritatis.com.br/article/4781
ROSMAN, Renato C. LEITOR PERGUNTA SOBRE A ORAÇÃO DE INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5265
GRILLO, Marcos M. LEITOR PROTESTANTE PERGUNTA SOBRE A INTERCESSÃO DOS SANTOS, in: http://www.veritatis.com.br/article/5132
NABETO, Carlos. A Bíblia condena o uso de imagens? Deus permite a fabricação de imagens?; in: http://www.veritatis.com.br/article/4478
PERES, Bruno. PROTESTANTES USAM IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/2664
MOURA, Jaime F. PROTESTANTES EM FAVOR DAS IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/1643
MOURA, Jaime F. LEITOR PEDE ESCLARECIMENTOS SOBRE O CULTO DAS IMAGENS E MARIA SANTÍSSIMA, in: http://www.veritatis.com.br/article/5196
LIMA, Alessandro. DEUS PROÍBE A CONFECÇÃO DE IMAGENS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/325
NABETO, Carlos. LUTERO CONTRA AS IMAGENS E SANTOS?, in: http://www.veritatis.com.br/article/3559
Sobre os santos, sugiro que leia também o livro de meu amigo e irmão de Apostolado, Carlos Martins Nabeto, Maria, os Santo e os Anjos, da série Citações Patrísticas, onde o autor com muita argúcia reúne textos dos primeiros cristãos – alguns remontando à época apostólica – a respeito do culto de veneração à Virgem Maria, aos Santos e Anjos. O livro está disponível gratuitamente para download em: http://www.veritatis.com.br/article/4663
Presto-lhe meus sinceros desejos de conversão.
Escreva-me suas considerações em resposta a estas minhas ou sempre que o desejar.
Meu cordial abraço!
Em Cristo,
Taiguara Fernandes de Sousa.
“Omnes cum Petro, ad Iesum per Mariam!”
(Todos com Pedro, a Jesus por Maria!)
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Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»
A mensagem que Maria deixou há 150 anos é uma mensagem de esperança
LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI lançou uma mensagem de esperança na missa que presidiu neste domingo nesta localidade dos Pirineus franceses por ocasião dos 150 anos das aparições da Virgem Maria: «O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça».
Na homilia, o pontífice apresentou «o essencial da mensagem de Lourdes» aos 150 mil peregrinos reunidos sob um céu azul. Concelebraram a Eucaristia com o Papa 230 bispos e mil sacerdotes. Para poder estar presentes, cerca de 5 mil pessoas haviam dormido a noite anterior na basílica subterrânea de São Pio X.
No dia no qual a liturgia da Igreja celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, o pontífice recordou que «é significativo» que na primeira aparição a Santa Bernadete Soubirous (1844-1879) Maria tenha começado seu encontro com o sinal da Cruz.
«O sinal da Cruz é de alguma forma o compêndio da nossa fé, porque nos diz o quanto Deus nos amou; e nos diz que, no mundo, há um amor mais forte que a morte, mais forte que nossas fraquezas e pecados. O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça», afirmou.
Segundo Bento XVI, «este mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens é o que Maria revelou aqui, em Lourdes. Ela convida todos os homens de boa vontade, todos os que sofrem em seu coração ou em seu corpo, a levantarem os olhos para a Cruz de Jesus para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação», assegurou.
Bernadete deu testemunho de 18 aparições da Virgem entre 11 de fevereiro e 18 de julho de 1858, na gruta de Massabielle. Hoje Lourdes reúne cada ano cerca de 6 milhões de peregrinos. Desde então, a Sala Médica dos Santuários reconheceu 67 milagres (curas cientificamente inexplicáveis). Cada ano esta instituição recebe indicações de cerca de 35 casos de possíveis milagres. Na maioria dos casos, a pesquisa não prospera.
Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o sucessor de Pedro recordou que a Virgem se apresentou a Bernadete com este nome: «Eu sou a Imaculada Conceição».
«Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’». Desta forma, declarou, «ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade».
«É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança», assegurou.
Em Lourdes, recordou, «Maria vem a nosso encontro como a Mãe sempre disponível diante das necessidades de seus filhos. Mediante a luz que brota de seu rosto transparece a misericórdia de Deus. Deixemos que seu olhar nos acaricie e nos diga que Deus nos ama e nunca nos abandona», exortou.
Por este motivo, concluiu, «a mensagem de Maria é uma mensagem de esperança para todos os homens e para todas as mulheres do nosso tempo, sejam do país que forem».
O Papa confessou que gosta de invocar Maria como «Estrela da esperança», como o faz no número 50 de sua segunda encíclica, Spe salvi.
«No caminho de nossas vidas, freqüentemente escuro, Ela é uma luz de esperança, que nos ilumina e nos orienta em nosso caminhar. Por seu ‘sim’, pelo dom generoso de si mesma, Ela abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história», terminou.
Após a homilia, interrompida em vários momentos pelos aplausos, com uma iniciativa pouco comum, o Papa deixou um longo momento de silêncio para deixar espaço à meditação sobre a mensagem de Lourdes.
Bento XVI sintetiza mensagem de Lourdes: «O amor é mais forte que o mal»
A mensagem que Maria deixou há 150 anos é uma mensagem de esperança
LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI lançou uma mensagem de esperança na missa que presidiu neste domingo nesta localidade dos Pirineus franceses por ocasião dos 150 anos das aparições da Virgem Maria: «O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça».
Na homilia, o pontífice apresentou «o essencial da mensagem de Lourdes» aos 150 mil peregrinos reunidos sob um céu azul. Concelebraram a Eucaristia com o Papa 230 bispos e mil sacerdotes. Para poder estar presentes, cerca de 5 mil pessoas haviam dormido a noite anterior na basílica subterrânea de São Pio X.
No dia no qual a liturgia da Igreja celebrava a festa da Exaltação da Santa Cruz, o pontífice recordou que «é significativo» que na primeira aparição a Santa Bernadete Soubirous (1844-1879) Maria tenha começado seu encontro com o sinal da Cruz.
«O sinal da Cruz é de alguma forma o compêndio da nossa fé, porque nos diz o quanto Deus nos amou; e nos diz que, no mundo, há um amor mais forte que a morte, mais forte que nossas fraquezas e pecados. O poder do amor é mais forte que o mal que nos ameaça», afirmou.
Segundo Bento XVI, «este mistério da universalidade do amor de Deus pelos homens é o que Maria revelou aqui, em Lourdes. Ela convida todos os homens de boa vontade, todos os que sofrem em seu coração ou em seu corpo, a levantarem os olhos para a Cruz de Jesus para encontrar nela a fonte da vida, a fonte da salvação», assegurou.
Bernadete deu testemunho de 18 aparições da Virgem entre 11 de fevereiro e 18 de julho de 1858, na gruta de Massabielle. Hoje Lourdes reúne cada ano cerca de 6 milhões de peregrinos. Desde então, a Sala Médica dos Santuários reconheceu 67 milagres (curas cientificamente inexplicáveis). Cada ano esta instituição recebe indicações de cerca de 35 casos de possíveis milagres. Na maioria dos casos, a pesquisa não prospera.
Ao aprofundar na mensagem de Lourdes, o sucessor de Pedro recordou que a Virgem se apresentou a Bernadete com este nome: «Eu sou a Imaculada Conceição».
«Maria lhe revela deste modo a graça extraordinária que Ela recebeu de Deus, a de ser concebida sem pecado, porque ‘olhou para a humildade de sua serva’». Desta forma, declarou, «ao apresentar-se em uma dependência total de Deus, Maria expressa na verdade uma atitude de plena liberdade, fundamentada no completo reconhecimento de sua genuína dignidade».
«É o caminho que Maria abre também ao homem. Colocar-se completamente nas mãos de Deus é encontrar o caminho da verdadeira liberdade. Porque, dirigindo-se a Deus, o homem chega a ser ele mesmo; encontra sua vocação original de pessoa criada à sua imagem e semelhança», assegurou.
Em Lourdes, recordou, «Maria vem a nosso encontro como a Mãe sempre disponível diante das necessidades de seus filhos. Mediante a luz que brota de seu rosto transparece a misericórdia de Deus. Deixemos que seu olhar nos acaricie e nos diga que Deus nos ama e nunca nos abandona», exortou.
Por este motivo, concluiu, «a mensagem de Maria é uma mensagem de esperança para todos os homens e para todas as mulheres do nosso tempo, sejam do país que forem».
O Papa confessou que gosta de invocar Maria como «Estrela da esperança», como o faz no número 50 de sua segunda encíclica, Spe salvi.
«No caminho de nossas vidas, freqüentemente escuro, Ela é uma luz de esperança, que nos ilumina e nos orienta em nosso caminhar. Por seu ‘sim’, pelo dom generoso de si mesma, Ela abriu a Deus as portas do nosso mundo e da nossa história», terminou.
Após a homilia, interrompida em vários momentos pelos aplausos, com uma iniciativa pouco comum, o Papa deixou um longo momento de silêncio para deixar espaço à meditação sobre a mensagem de Lourdes.

Peregrinos do mundo inteiro em Lourdes para ver o Papa e escutar Nossa Senhora
Doentes, crianças, voluntários… Para todos: uma experiência de fé
Por Anita S. Bourdin
LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bandeiras da Polônia (vermelha e branca) ou da Nigéria (verde e branca), mostravam na manhã deste domingo como Bento XVI reuniu peregrinos do mundo inteiro em torno da Gruta de Lourdes.
Às 8h, chegaram os doentes para ocupar seus lugares, junto ao palco branco onde se elevou o altar no qual o Papa presidiu a Eucaristia do jubileu no Prado do Santuário.
Os doentes, que aqui se sentem como em sua casa, aproximavam-se em procissão serena e ordenada, rodeados pela atenção dos voluntários das UNITALSI italiana, a associação que organiza peregrinações de doentes a Lourdes e a outros santuários.
Uma família polonesa de Poznan foi de carro, três dias de estrada: o pai, a mãe e os seis filhos. O menor tem 10 anos; a mais velha, Julie, 22, estuda direito e fala francês. Vieram porque queriam viver os 150 anos das aparições da Virgem Maria junto ao Papa.
Traduzindo Elisabeth, sua mãe, Julie explica que quis vir em família para «visitar Maria e Bernadete»: «Os poloneses gostam das peregrinações – explica. E na Polônia, Lourdes é muito popular». O pai, Pawel, vem a esta cidade pela 10ª vez. Veio pela primeira vez com sua mãe e está feliz por trazer agora sua família: «É o santuário mais lindo», assegura.
Desde Bordeaux, um grupo de escoteiros fez uma viagem de cinco horas de ônibus «para vir ver o Papa», diz Luc, de 9 anos e meio, para «vir ver o lugar no qual Nossa Senhora apareceu» e rezar, pois «ela ainda está aqui». Seu guia, Clémence, de 18 anos, quis vir «ao lugar da aparição de Nossa Senhora» para «unir-se a todos os cristãos e rezar».
Na esplanada, preparando-se espiritualmente para a missa, encontram também Agnes, de Morlaix, localidade da Grã-Bretanha, de 63 anos, que veio pela primeira vez como voluntária hospitalar para atender os doentes, e sua amiga Béatrice, de 67 anos, de Anjou, voluntária hospitalar há 15 anos, que veio pela primeira vez em 1976.
Agnes espera desta visita de Bento XVI «uma renovação da Igreja na França», «forças vivas», «um despertar na fé dos franceses».
Agnes está muito contente por seu serviço como voluntária e agradece as duas mulheres suíças que lhe ensinaram alguns detalhes e gestos para ajudar os doentes, em particular os que vão se banhar nas piscinas.
Hélène Jourdan, nascida em 1934, como Blanca Julen, alemãs, também estão aqui. Vêm a este lugar para pôr-se ao serviço dos peregrinos há 45 e 50 anos respectivamente.
Nas piscinas, segundo conta, ajudam «os peregrinos a fazerem o que Maria pediu: vir em procissão e beber a água». «Nós nos colocamos ao serviço das pessoas para que cumpram com o que Maria pede», explica Blanca.
Para Hélène, é como «ser uma mãe para os peregrinos, sobretudo para os jovens», em particular, doentes. Blanca confessa: «É nossa vida!». Passam 4 meses por ano em Lourdes, há 5 anos: dois na primavera e outros dois agora.
Os jovens espanhóis, como de costume, são os que mais fazem barulho. Pode-se ver na noite deste sábado, durante a procissão das tochas. Alguns chegaram com uma série de 300 ônibus esse dia, e este domingo chegavam outros 300.
Andréia, uma jovem de 20 anos, de Barcelona, vem para Lourdes pela segunda vez, e sua amiga Sheila, 21 anos, pela primeira vez. Assegura que está aqui «para ver o Papa também pela primeira vez». Cerca de 400 peregrinos vieram de Barcelona, passando por Torreciudad.
Após ver o Santo Padre, Andréa diz que vem «para receber a força para ser uma boa cristã». Sheila sublinha que a presença de doentes dá «alegria», pois «carregam seu sofrimento com esperança».
Ana, de 18 anos, sevilhana, está pela primeira vez em Lourdes «para ver o Papa» e porque «Nossa Senhora verdadeiramente alcança milagres».
De Bilbao, Clara, de 18 anos, está em Lourdes pela segunda vez para fazer parte dos «novos jovens» que «apóiam o Papa», «para rezar por ele», «acompanhá-lo», para manifestar sua «devoção a Nossa Senhora, no aniversário das aparições, e porque há milagres».
Da ilha italiana da Sicília vieram 200 peregrinos com a UNITALSI. Rosária, de 57 anos, vem há 11 anos. Neste ano, ela acompanhou os doentes por três vezes: por ocasião do aniversário da primeira aparição, em 11 de fevereiro; para participar do «Trem das crianças», e por ocasião da visita do Papa. Dois dias e uma noite em cada ocasião ou um dia e duas noites…
Ela espera voltar para a Itália com «uma fé mais forte, pois onde está o Papa, está Nosso Senhor», explica. «Ela nos uniu a Deus e à sua Mãe.»
Outros italianos vêm do norte, de Bibiana, terra franciscana, pois em La Verna, São Francisco de Assis recebeu os estigmas.
Na área do Prado reservada à diocese de Tarbes e Lourdes, à direita do palco, chegam famílias com seus carrinhos de bebês. É o caso de Michael e Marie-Hélène Camel, de cerca de 40 anos, com seus seis filhos de 13 meses a 11 anos.
Marie-Hélène reconhece que a preparação, o dia anterior, não foi fácil, pois era preciso preparar tudo: o piquenique, a roupa para os filhos, «madrugar»… Mas acrescenta: «Não temos nenhum mérito, é uma alegria poder vir». Sébastien, de 11 anos, e Floriane, de 9, estão alegres por poder «ver o Papa».

Peregrinos do mundo inteiro em Lourdes para ver o Papa e escutar Nossa Senhora
Doentes, crianças, voluntários… Para todos: uma experiência de fé
Por Anita S. Bourdin
LOURDES, domingo, 14 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bandeiras da Polônia (vermelha e branca) ou da Nigéria (verde e branca), mostravam na manhã deste domingo como Bento XVI reuniu peregrinos do mundo inteiro em torno da Gruta de Lourdes.
Às 8h, chegaram os doentes para ocupar seus lugares, junto ao palco branco onde se elevou o altar no qual o Papa presidiu a Eucaristia do jubileu no Prado do Santuário.
Os doentes, que aqui se sentem como em sua casa, aproximavam-se em procissão serena e ordenada, rodeados pela atenção dos voluntários das UNITALSI italiana, a associação que organiza peregrinações de doentes a Lourdes e a outros santuários.
Uma família polonesa de Poznan foi de carro, três dias de estrada: o pai, a mãe e os seis filhos. O menor tem 10 anos; a mais velha, Julie, 22, estuda direito e fala francês. Vieram porque queriam viver os 150 anos das aparições da Virgem Maria junto ao Papa.
Traduzindo Elisabeth, sua mãe, Julie explica que quis vir em família para «visitar Maria e Bernadete»: «Os poloneses gostam das peregrinações – explica. E na Polônia, Lourdes é muito popular». O pai, Pawel, vem a esta cidade pela 10ª vez. Veio pela primeira vez com sua mãe e está feliz por trazer agora sua família: «É o santuário mais lindo», assegura.
Desde Bordeaux, um grupo de escoteiros fez uma viagem de cinco horas de ônibus «para vir ver o Papa», diz Luc, de 9 anos e meio, para «vir ver o lugar no qual Nossa Senhora apareceu» e rezar, pois «ela ainda está aqui». Seu guia, Clémence, de 18 anos, quis vir «ao lugar da aparição de Nossa Senhora» para «unir-se a todos os cristãos e rezar».
Na esplanada, preparando-se espiritualmente para a missa, encontram também Agnes, de Morlaix, localidade da Grã-Bretanha, de 63 anos, que veio pela primeira vez como voluntária hospitalar para atender os doentes, e sua amiga Béatrice, de 67 anos, de Anjou, voluntária hospitalar há 15 anos, que veio pela primeira vez em 1976.
Agnes espera desta visita de Bento XVI «uma renovação da Igreja na França», «forças vivas», «um despertar na fé dos franceses».
Agnes está muito contente por seu serviço como voluntária e agradece as duas mulheres suíças que lhe ensinaram alguns detalhes e gestos para ajudar os doentes, em particular os que vão se banhar nas piscinas.
Hélène Jourdan, nascida em 1934, como Blanca Julen, alemãs, também estão aqui. Vêm a este lugar para pôr-se ao serviço dos peregrinos há 45 e 50 anos respectivamente.
Nas piscinas, segundo conta, ajudam «os peregrinos a fazerem o que Maria pediu: vir em procissão e beber a água». «Nós nos colocamos ao serviço das pessoas para que cumpram com o que Maria pede», explica Blanca.
Para Hélène, é como «ser uma mãe para os peregrinos, sobretudo para os jovens», em particular, doentes. Blanca confessa: «É nossa vida!». Passam 4 meses por ano em Lourdes, há 5 anos: dois na primavera e outros dois agora.
Os jovens espanhóis, como de costume, são os que mais fazem barulho. Pode-se ver na noite deste sábado, durante a procissão das tochas. Alguns chegaram com uma série de 300 ônibus esse dia, e este domingo chegavam outros 300.
Andréia, uma jovem de 20 anos, de Barcelona, vem para Lourdes pela segunda vez, e sua amiga Sheila, 21 anos, pela primeira vez. Assegura que está aqui «para ver o Papa também pela primeira vez». Cerca de 400 peregrinos vieram de Barcelona, passando por Torreciudad.
Após ver o Santo Padre, Andréa diz que vem «para receber a força para ser uma boa cristã». Sheila sublinha que a presença de doentes dá «alegria», pois «carregam seu sofrimento com esperança».
Ana, de 18 anos, sevilhana, está pela primeira vez em Lourdes «para ver o Papa» e porque «Nossa Senhora verdadeiramente alcança milagres».
De Bilbao, Clara, de 18 anos, está em Lourdes pela segunda vez para fazer parte dos «novos jovens» que «apóiam o Papa», «para rezar por ele», «acompanhá-lo», para manifestar sua «devoção a Nossa Senhora, no aniversário das aparições, e porque há milagres».
Da ilha italiana da Sicília vieram 200 peregrinos com a UNITALSI. Rosária, de 57 anos, vem há 11 anos. Neste ano, ela acompanhou os doentes por três vezes: por ocasião do aniversário da primeira aparição, em 11 de fevereiro; para participar do «Trem das crianças», e por ocasião da visita do Papa. Dois dias e uma noite em cada ocasião ou um dia e duas noites…
Ela espera voltar para a Itália com «uma fé mais forte, pois onde está o Papa, está Nosso Senhor», explica. «Ela nos uniu a Deus e à sua Mãe.»
Outros italianos vêm do norte, de Bibiana, terra franciscana, pois em La Verna, São Francisco de Assis recebeu os estigmas.
Na área do Prado reservada à diocese de Tarbes e Lourdes, à direita do palco, chegam famílias com seus carrinhos de bebês. É o caso de Michael e Marie-Hélène Camel, de cerca de 40 anos, com seus seis filhos de 13 meses a 11 anos.
Marie-Hélène reconhece que a preparação, o dia anterior, não foi fácil, pois era preciso preparar tudo: o piquenique, a roupa para os filhos, «madrugar»… Mas acrescenta: «Não temos nenhum mérito, é uma alegria poder vir». Sébastien, de 11 anos, e Floriane, de 9, estão alegres por poder «ver o Papa».

